Consumerização força empresas a adotarem novos processos de segurança

Por Rafael Romer | 04.06.2013 às 10:00
photo_camera Seu Micro Seguro

Cada vez mais forte, o processo da consumerização da TI conquista mais empresas no Brasil e no mundo. Identificado pela primeira vez no início dos anos 2000, o processo é descrito como a tendência pela qual usuários cosumidores influenciam cada vez mais a adoção de novas e diferentes tecnologias dentro das empresas.

Segundo o gerente de pesquisas da IDC Brasil, Anderson Figueiredo, o processo se intensificou ainda mais a partir de 2011, quando nossa sociedade passou por uma segunda mudança no seu padrão, avançando para um modelo intensivo de consumo de TI ligado a questões como a mobilidade, cloud computing, big data e redes sociais. "Todo mundo passou a usar TI de um jeito ou de outro. Se antes eu democratizei, agora eu popularizei", explicou o especialista durante um evento de segurança voltado para empresários de TI realizado na última terça, em São Paulo.

O analista afirma que, antigamente, o mercado supria demandas de alguns milhões de usuários e milhares de aplicativos desenvolvidos para plataformas como PCs. Hoje, o número de usuários já atinge a casa dos bilhões e milhões de apps já são desenvolvidos todos os anos. "Antes, tínhamos cerca de 3 mil aplicativos por ano. Hoje são mais de 300 mil", afirma.

No ano passado, os gastos mundiais com TI bateram a marca de US$ 3,6 trilhões (R$ 7,3 trilhões). Sozinho, o Brasil já responde por 5% deste gastos anuais, com investimentos que chegaram a R$ 169 bi em 2012 — o quarto maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão, segundo o IDC.

O reflexo desse avanço e da consumerização trazida por ele pode ser visto, por exemplo, dentro de escritórios, com funcionários ditando quais os aparelhos e tecnologias serão adotados nas empresas através de suas escolhas pessoais de dispotivos. De acordo com outro levantamento recente do IDC, 69% dos funcionários já utilizam dispositivos inteligentes dentro da empresa, 13% utilizam tablets e 70% surfam na web dentro do escritório.

Importância de processos e regras

A popularização e variedade de dispositivos, entretanto, traz uma série de novos problemas relacionados a segurança, que se tornaram rotina de parte das empresas. "Quando eu popularizo, eu começo a ter um monte de 'maluco' usando um monte de programas sem ter o conhecimento daquele negócio", brinca Figueiredo.

Com seu próprio dispositivo em mãos, o funcionário tende a utilizá-lo tanto para fins profissionais como pessoais — como um celular que possui ambas contas de e-mail logadas, por exemplo. Nestes casos, a danificação, roubo ou perda desses dispositivos, implica diretamente na segurança de dados da empresa, que podem acabar comprometidos. "Se eu não tiver processos e procedimentos, se eu não avisar para o 'cara' o que ele pode usar e de que forma ele pode usar, ele vai usar de qualquer jeito. A gente tem que estar preocupado com isso", afirma o analista.

Nessa situação, o ideal é que a empresa adote uma série de rotinas de segurança ligadas a processos, políticas e regras específicas que definam exatamente como será o uso desses dispositivos dentro da empresa. Regras para o funcionário saber o que tem que ser feito, quais são as políticas de senha da empresa, quando ele pode trocar, o que fazer quando ele perder o celular, quando quebrar — tudo deve estar bem definido e claro para evitar problemas de segurança na empresa. "É muito mais fácil ter o 'cara' junto de você", explica Figueiredo.