Como otimizar as comunicações das plataformas M2M

Por Colaborador externo | 29 de Agosto de 2014 às 13h50

Por Max Ciqueira*

Machine to Machine (M2M) é resultado da evolução conjunta das Tecnologias da Informação, Computação e Comunicação, e na prática representa a interconexão entre máquinas e dispositivos capazes de capturar dados e informações, enviá-las para análise e processamento, e, geralmente receber um comando para tomada de algum tipo de ação. Por exemplo: Um sensor de temperatura indica um valor limite, transmite esta informação para uma central de controle, onde um software especializado analisa o valor medido, o histórico e outras informações relevantes, toma decisão e envia um comando para desligar o dispositivo monitorado.

Em diversas áreas tais como segurança patrimonial, gestão de frotas de veículos, medição de energia, água e gás, controle de tráfego urbano, controle ambiental, telemedicina, entre outras aplicações, o M2M vem sendo utilizado para resolver problemas pontuais ou melhorar a eficiência dos negócios.

Uma plataforma de serviços M2M é, em geral, representada por uma cadeia de valor que tem basicamente três elementos: dispositivos de medição, facilidades de comunicação e softwares aplicativos.

No que se diz respeito à plataforma de comunicação, é possível selecionar inúmeras tecnologias, como: linhas de comunicação dedicadas, radio frequência, satélite, celular, reconhecimento ótico, rádio broadcast e diversas outras técnicas.

É importante lembrar que aplicações M2M são, em sua maioria, utilizadas em negócios B2B, onde a eficiência em custos e operacional é essencial para viabilidade do negócio.

Desta forma, o modo de comunicação utilizando Sim Cards com tecnologia GPRS, via rede celular, mostra-se extremamente versátil para atendimento à maioria das aplicações M2M, com características que lhe garantem competitividade frente a demais soluções. Por exemplo:

Redução de custos de implementação e manutenção de aplicações M2M – outras soluções que requerem infraestrutura específica podem levar meses para serem adquiridas e implementadas, enquanto que a infraestrutura de telefonia celular já está amplamente disponível, requerendo normalmente apenas a configuração e ativação dos Sim Cards, o que pode ser feito em poucos dias e, conforme a situação, em algumas horas.

Redução do time to market para aplicações M2M – nenhuma nova configuração precisa ser feita do zero, o que garante flexibilidade para os negócios ao permitir o aumento ou redução da escala conforme as necessidades do negócio.

Eliminação de custos com ativos de TI para gerenciamento – soluções proprietárias, requerem infraestrutura para serviços complementares como monitoração e gerenciamento. Ao adotar a tecnologia celular, tais serviços podem ser fornecidos a partir de soluções em nuvem, não onerando a operação com ativos de TI, pessoal e custos operacionais.

Simplificação de processos operacionais – Serviços de valor adicionado disponíveis para tecnologia celular podem reduzir significativamente a complexidade de tarefas de back office tais como novas solicitações, ativação/desativação e cancelamento de serviços, controle de tráfego e de custos.

Segurança da informação – Utilizando a tecnologia celular é possível criar redes dedicadas e mecanismos de autenticação e processos específicos para garantia da segurança dos dados.

As indústrias que estão desenvolvendo projetos de plataformas M2M podem ainda utilizar a tecnologia celular para garantir a continuidade dos negócios, ao desenvolverem soluções de contingenciamento e continuidade operacional.

No Brasil, segundo dados da Anatel, existiam em Março de 2014 cerca de 8,5 milhões de conexões M2M que utilizam a tecnologia celular, e a previsão é que nos próximos dois anos este número atinja 36 milhões de conexões conforme previsões do mercado.

Um fator importante para o desenvolvimento em ampla escala deste tipo de comunicação é o trabalho do governo no sentido de desonerar as comunicações M2M utilizando tecnologia celular, um passo fundamental é a publicação em Maio de 2014 do decreto 8234/2014 que estabelece definições para caracterização dos Sim Cards utilizados em M2M, bem como redução de tarifas como a Taxa de Fiscalização de Instalação (TFI), cobrada na ativação do chip, Taxa de Funcionamento (TFF), cobrada anualmente para cada chip, e isenção do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, Fistel, representando uma renúncia fiscal de cerca de R$ 110milhões para 2015.

Com este importante estímulo e com as características ímpares da tecnologia celular, espera-se que o mercado doméstico de M2M alavanque e estimule a economia, além de contribuir para a competitividade da indústria nacional.

*Max Ciqueira é Consultor da Lyra Network para estratégias de M2M, empresa multinacional de origem francesa especializada na transmissão segura de transações financeiras. Líder do segmento no Brasil, a Lyra é também detentora do Gateway de Pagamentos PayZen.

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