Como a Microsoft pode se tornar uma ameaça à Apple e ao Google

Por Stephanie Hering

Até meados dos anos 2000, não era difícil enxergar a Microsoft como uma grande companhia. Contudo, tudo isso mudou com o "boom" dos smartphones, que foram bem aproveitados pela Apple e o Google, com o surgimento do iOS e Android, respectivamente. A empresa de Bill Gates até tentou reagir com o Windows Mobile, mas não foi o suficiente. Mais tarde, foi a vez dos tablets. Novamente, a Microsoft ficou para trás e resolveu lançar seu primeiro modelo, o Surface, no ano passado.

A inventora do Windows pecou na demora para se adequar às novidades, que no final, se transformaram nas necessidades dos usuários. Porém, nem tudo está perdido. Nos últimos meses, a Microsoft tem investido em boas estratégias, que se reforçadas e combinadas a outras demandas, podem transformar a empresa em uma concorrente de peso da Apple e do Google. Mas como?

Compra da Nokia e linha Lumia

Em setembro, a Microsoft confirmou os rumores e anunciou a compra da divisão de aparelhos e serviços da Nokia. A empresa finlandesa já fabricava a linha Lumia, que carrega diferentes versões de sistema operacionais da Microsoft. Com a aquisição, os novos celulares que levarem o sistema da Microsoft só tendem a ser aperfeiçoados, tendo em vista que atualmente a Nokia possui mais de 8.500 patentes registradas. Vale lembrar que o Google fez algo semelhante ao comprar a Motorola Mobility por US$ 12 milhões.

Além disso, a linha Lumia já conta com modelos para todos os gostos. O 520 e 620, para usuários básicos, o 720 e 920 para intermediários e o 1520 para quem gosta de telas grandes. Isso ainda sem contar no Lumia 1020, o único smartphone do mercado com câmera de 41 megapixels, um prato cheio para quem gosta de tirar fotos com qualidade.

Se antes o baixo número de aplicativos era um entrave para adquirir um Lumia, isso não é mais problema. Recentemente, a empresa anunciou a chegada de diversos apps populares, incluindo Instagram, Snapchat, Waze e Vine. E isso só tende a crescer. Segundo estudo da Strategy Analytics, em 2012, 16% dos desenvolvedores entrevistados disseram que planejavam criar uma versão para Windows Phone em 2013. Agora, o esperado para 2014 é de 32% dos desenvolvedores engajados com o sistema, isto é, o número dobrou.

Para incentivar ainda mais a criação de novos apps, a Nokia lançou o App Social, uma rede social onde não só usuários podem discutir e compartilhar seus aplicativos favoritos, mas destinada também para desenvolvedores divulgarem suas criações.

Integração e nuvem

A Microsoft ganhou um ponto a mais recentemente ao permitir a integração entre seus produtos ou ainda, outras plataformas, como no caso do Windows 8.1, Office 365 e Xbox. Com isso, os usuários não precisam dividir seu espaço entre trabalho e casa. É possível abrir um documento que você começou no escritório em casa por meio do Web Apps ou SkyDrive. No caso do Xbox, o gamer pode combinar informações entre uma TV ou um tablet, que não precisam ser, necessariamente, da Microsoft.

Vale lembrar também que a companhia adicionou o sistema de assinatura no Office 365 e a atualização online do sistema operacional. Em tempos em que tudo muda e tudo se atualiza, é imprescindível oferecer essas possibilidades a um usuário. Se a Microsoft expandir essa estratégia a outros produtos, sem dúvidas também aumentará seu número de admiradores.

Windows RT: uma lição importante

O Windows RT foi um fracasso para a Microsoft. Mas também ensinou uma lição importante: a de que é preciso um sistema único e definido. Não só para evitar críticas e eventuais problemas de compatibilidade, mas principalmente, fidelizar o consumidor.

Criado com o objetivo de ser um sistema "enxuto" para processadores ARM, o Windows RT deixou os usuários confusos, que por sua vez, rejeitaram a proposta pela escassez de recursos e aplicativos.

A própria presidente executiva de dispositivos da Microsoft, Julie Larson-Green, disse recentemente em um seminário que a empresa não deve manter Windows RT, Windows Phone e Windows 8 juntos, por muito tempo.

Melhorias no Windows 8

Depois de ouvir muitas reclamações do Windows 8, tudo indica que a Microsoft resolveu atender a pedidos e voltar atrás em algumas mudanças. Uma delas é a volta do "Menu Iniciar", que havia sido extinto na nova versão.

A ferramenta já havia sido reintroduzida no Windows 8.1, porém, com seu sentido original alterado: ao clicar no botão, o usuário era redirecionado do desktop para a tela inicial com interface Metro. Segundo o jornalista Paul Thurrott, a companhia vai colocar novamente o "verdadeiro" Menu Iniciar na versão 8.2 do Windows, que vem sendo chamada de "Threshold".

Ainda de acordo com Thurrott, outra novidade será a possibilidade de rodar aplicativos da interface Metro no desktop, por meio de janelas flutuantes.

Cenário otimista vs. desafios

A Microsoft vive uma fase otimista. Combinadas, essas estratégias já mostram números animadores. De acordo com a revista Forbes, as ações da Microsoft apresentaram alta de 47% de dezembro de 2012 a dezembro de 2013.

Enquanto isso, o Windows Phone é o segundo sistema operacional mais utilizado na América Latina e na Índia, e também cresceu 48% na Europa, Oriente Médio e na África, o que mostra um aumento na penetração nos mercados emergentes. Um sinal de alerta para o Android, sistema mais utilizado em regiões em que a Apple possui um preço alto.

Mas nem tudo são flores. Para continuar conquistando espaço, a Microsoft precisa realmente concretizar todas essas promessas e ainda aumentar a velocidade de suas atualizações. Enquanto Apple e Google lançam novas versões para seus sistemas operacionais todo ano, a Microsoft perde o timing de correção e acaba perdendo também usuários. Se tem algo que a Microsoft ainda precisa aprender com seus concorrentes é ouvir as necessidades do consumidor, estudá-las e as lançar respostas. Isso é válido não só para sistemas, mas também produtos e serviços.

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