Cisco apresenta novo Sistema de Convergência de Rede para Internet of Things

Por Rafael Romer | 25 de Setembro de 2013 às 15h00
photo_camera Domigons e Felipe

A Cisco apresentou nesta terça-feira (24), em um evento global, seu novo Sistema de Convergência de Rede (NCS, em inglês) projetado para fornecer ambientes escaláveis, inteligentes e adaptáveis para a tendência da Internet de Todas as Coisas (IoT). O NCS é resultado de três anos de desenvolvimento e embarca o recente processador de rede (NPU) integrado da Cisco, o nPower X1, com 4 bilhões de transistores e 386 núcleos multitarefa.

Segundo explica o Diretor de Operações da Cisco Brasil, Anderson André, o NCS funciona em quatro níveis diferentes, que juntos formam o ambiente chamado de Cisco Quantum: a infraestrutura física, a infraestrutura virtualizada, a orquestração e aplicações. Com ele é possível, por exemplo, realizar rápidas relocações de banda devido a eventos disrruptivos que causem um aumento de demanda de rede ou processos em um local – como um festival de música ou final de campeonato de futebol.

De acordo com André, o sistema é capaz de compreender e fazer a locação de recursos e fluxos de serviços de maneira automática e em tempo real. "A gente tem um loop fechado coletando informação de vários equipamentos e pessoas, que são tratados analicamente para gerar dados relevantes", afirma. O sistema também possui APIs abertas, o que permite que novas funcionalidades sejam montadas sobre a arquitetura.

São três plataformas que integram a nova família NCS: disponíveis a partir de hoje estão o NCS 6000, com o primeiro line card de 1 Tbps e capacidade de transportar 5 TBps por slot, e o NCS 2000, sistema touchless que conecta-se com redes de transporte de DWDM a taxas superiores a 100 GBps. O terceiro integrante, o NCS 4000, será lançado no primeiro semestre de 2014 e suportará 400 Gbps por slot e 6,4 Tbits por chassis. Ele também suportará aplicações OTN, WDM, SONET e Ethernet. Os três sistemas conversam entre si e trocam as informações como se fossem um só ambiente, permitindo que tudo seja gerenciado como um sistema único.

Segundo a Cisco, o NCS também é hoje o único sistema desenvolvido para operar em até 1,6 petabits, capaz de suportar trilhões de eventos ao mesmo tempo. Segundo a empresa, é possível transportar toda a biblioteca de vídeos do NetFlix em menos de um segundo. O sistema também é programável para capacidades de virtualização avançadas, além de reduzir o custo de energia em 60% e de propriedade em 45%.

Resultados recentes de pesquisas sobre tendências da tecnologia promovidas anualmente pela Cisco apontam que a quantidade de dados móveis que produzimos deve aumentar 13 vezes até 2017. Só na área de Cloud, o tráfego deve atingir 4,3 Zetabytes.

Neste cenário, a interação M2M (máquina para máquina), uma das principais características da tendência da IoT, deve dar um salto, crescendo seis vezes mais rápido do que dispositivos móveis nos próximos quatro anos. A expectativa é que, até 2017, 22% de todos os eventos de rede aconteçam no modelo M2M.

Com a tendência, o número de eventos conectados deve se multiplicar e acontecer a qualquer momento e de forma distribuída, sem que pessoas tenham que se envolver e não mais apenas entre usuário e dispositivo. "Eu começo a ter pessoas falando com coisas e coisas falando com coisas. Isso faz com que mude a arquitetura de rede, antes era muito mais determinada e centralizada. Agora eu começo a ter uma descentralização", explica. "Isso contribui não apenas com o evento tráfego de dados e necessidade de performance, mas a necessidade de adaptação da rede e tratar eventos que podem surgir de qualquer lugar". De acordo com a empresa, até 2020 deveremos chegar a 50 bilhões de "coisas" conectadas.

Além de mudanças no nosso dia-a-dia, a IoT deve trazer uma revolução em modelos de negócios, e exigirá novas infraestruturas de banda diferentes dos atuais provedores de serviços. Segundo a Cisco, setores como o da saúde, indústria e residencial devem ver crescimentos de até US$ 120 bilhões por ano com novas oportunidades de negócio. É nesse tipo de mercado que a Cisco deve apostar sua nova tecnologia.

A nova família NCS já está sendo utilizada em alguns projetos ao redor do mundo, mas a Cisco não revela todos eles. Entre os já divulgados estão iniciativas da operadora de televisão britânica Sky para transmissão de vídeos em 4K, da operadora de telefonia japonesa KDDI e da australiana Telstra. Ainda não há informações sobre uso da plataforma no Brasil, país que, na avaliação de André, já está atrasado no desenvolvimento de infraestrutura para suportar tecnologias na IoT. A Cisco também não divulgou os preços das soluções.

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