Cientistas conseguem remover o cromossomo causador da síndrome de Down

Por Redação | 17.11.2012 às 13:29

A síndrome de Down ocorre devido a uma anomalia genética, na qual um cromossomo 21 extra participa da cadeia genética dos portadores, ao invés dos dois pares usuais destes cromossomos. É então caracterizada por uma tríade de cromossomos 21, fato que é chamado cientificamente de trissomia do 21.

A síndrome de Down foi estudada mais a fundo pela equipe do Dr. Li B. Li, do Departamento de Medicina da Universidade de Washington. O objetivo da pesquisa era remover o cromossomo excedente, o que poderia trazer novas aplicações clínicas e laboratoriais. Saiu na MedicalXpress.

Em nascimentos de bebês com vida, a síndrome de Down é tida como a mais frequente das trissomias. A condição faz com que o paciente desenvolva uma fisionomia característica, com olhos puxados, face arredondada, mãos e dedos curtos e vários problemas sistêmicos, como anomalias cardíacas, intelecto subdesenvolvido, envelhecimento precoce, demência e até mesmo casos de leucemia.

"Certamente, não estamos propondo que o método que descrevemos possa levar ao tratamento da síndrome de Down", disse o Dr. Russell, um dos principais pesquisadores do projeto. "O que estamos fazendo é procurar por uma possibilidade para que cientistas médicos possam criar terapias para alguns distúrbios de formação sanguínea que acompanham a síndrome de Down".

E o doutor cita um exemplo: algum dia, pacientes portadores da síndrome e de leucemia poderão fornecer células tronco derivadas de suas próprias células comuns, e assim conseguirem a trissomia corrigida em culturas de células, em laboratório. Eles poderiam então receber um transplante de seu próprio sistema celular - menos o cromossomo extra - ou de hemácias sadias, criadas a partir de células tronco modificadas, para assim cessar a evolução da leucemia, como parte do tratamento contra o câncer.

O doutor acrescenta que a possibilidade de gerar células tronco com e sem a trissomia do 21 a partir de um mesmo paciente poderia levar a um melhor entendimento de como os problemas ligados à síndrome de Down se originam. As linhas celulares seriam geneticamente idênticas, a não ser pelo cromossomo extra.

Assim, os cientistas poderiam pesquisar, por exemplo, o desenvolvimento de neurônios com a trissomia do 21, o que poderia ajudar a esclarecer a existência de danos cognitivos que surgem ao longo da vida destes pacientes e que tendem a piorar na idade adulta. Abordagens comparativas semelhantes poderiam buscar pelas origens, causas e possíveis tratamentos do envelhecimento precoce e das desordens cardíacas em portadores da síndrome.

A formação de trissomias também é um problema constante em pesquisas na área da medicina regenerativa, que utiliza células tronco. Russell e sua equipe observaram que sua abordagem poderia também ser usada para reverter trissomias que frequentemente surgem na criação de culturas de células tronco.

E como explicou Russell: a vantagem é que, uma vez eliminado o cromossomo, nenhum rastro é deixado. É preciso ter cuidado, no entanto, para que a remoção de um cromossomo não quebre ou desorganize a cadeia genética.