Centenas de escritores se unem contra monopólio literário da Amazon

Por Redação | 30 de Setembro de 2014 às 08h54
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Os livros digitais, comparados aos títulos em papel, ainda são minoria aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos a coisa é bem diferente. Por lá, as vendas no formato digital são bem expressivas, especialmente depois da chegada dos tablets, e-readers e da expansão da Amazon, líder em comercialização de obras no formato.

Contudo, a empresa de Jeff Bezos tem enfrentado críticas por parte tanto de editoras - principalmente a francesa Hachette - quanto de autores, que acusam a companhia de monopolizar o mercado literário. E isso não se limita apenas aos EUA, já que o conflito chegou também ao Reino Unido e Alemanha. Agora, centenas de outros autores estão se unindo contra a gigante americana do varejo e, para isso, querem que o Departamento de Justiça dos Estados Undidos investigue a companhia por supostas táticas ilegais de monopólio.

Ursula K. LeGuin ("Ciclo de Terramar") é uma das escritoras que critica as políticas adotadas pela Amazon. Em entrevista ao jornal The New York Times, LeGuin disse que a companhia "está se apoiando na censura para obter o controle total do mercado e, assim, determinar o que as editoras podem publicar, o que os autores podem escrever, o que os leitores podem comprar". "Isso é mais do que injustificável. É intolerável", destacou a autora.

A guerra comercial entre a Amazon e as editoras literárias se intensificou graças ao conflito com a Hachette, que não aceitou a divisão das porcentagens entre o vendedor e o editor dos livros. Sem um acordo, a Amazon tomou medidas que, de certa forma, prejudicaram a Hachette, como atrasar o envio de um livro, subir o preço ou não disponibilizá-los para pré-venda. A decisão afetou diversos autores, incluindo J.K. Rowling ("Harry Potter") sob seu pseudônimo de Robert Galbraith ("The Silkworm").

Já no Reino Unido, a briga chegou no fim de junho de 2014, só que afetou uma parcela menor de editores. Neste caso, as mais desfavorecidas são as editoras independentes: se elas não enviassem cópias de um determinado título, a Amazon poderia optar por imprimi-lo por meio de outro comprador através de um sistema por demanda.

No começo de agosto, um grupo com mais de 900 escritores, entre eles John Grisham, Nora Roberts e Stephen King, entrou com um apelo contra as práticas abusivas da empresa de Bezos. O pedido mencionava não apenas as medidas repressoras contra as editoras que não acatarem a decisão da varejista, mas também os preços altamente competitivos nos livros digitais, que impactaram as vendas de livros em papel. Cerca de 60% do mercado de livros impressos nos EUA é controlado pela Amazon e, no caso dos títulos eletrônicos, o domínio é de 65%.

No Brasil

Em território nacional, a Amazon vende livros nos formatos digital e físico. Este último chegou ao país no final de agosto e já fez com que as editoras brasileiras ficassem atentas ao que poderá acontecer com a expansão da varejista. Para tal, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a Liga Brasileira de Editoras (Libre) e a Associação Nacional de Livrarias (ANL) disseram que planejam enviar uma carta aos candidatos à Presidência da República para regulamentar o mercado editorial brasileiro.

Um dos destaques que mais chamam a atenção é a adoção de uma lei de preço fixo para livros inéditos durante um certo período – método semelhante ao que já ocorre na França. O que teria motivado essas empresas a formular a nova lei seria justamente o lançamento de livros em papel na Amazon Brasil. A companhia oferece 150 mil títulos em português de mais de 2,1 mil editoras - alguns podem custar até 77% mais barato na Amazon se comparados a outras livrarias nacionais.

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