Cartuchos irregulares ou piratas no Brasil são o dobro da média mundial, diz HP

Por Rafael Romer | 10 de Setembro de 2014 às 11h34

A pirataria é um problema sério para o setor de impressão. Globalmente, esse mercado chega a perder anualmente US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 8 bilhões) com o comércio de produtos piratas. Aproximadamente 5,7% do mercado de tonners global é composto por produtos falsos e, na avaliação da HP, esse percentual deve aumentar em 2014.

Os dados foram divulgados pela própria HP, que promoveu um encontro na noite desta terça-feira (09) para discutir o problema enfrentado por ela e outros setores da economia brasileira quando o assunto é a pirataria no país.

O Brasil é considerado hoje um dos principais "hubs" de produção e distribuição de produtos pirateados nas Américas, ao lado de países como o Paraguai e a Colômbia. Impressoras HP lançadas nos últimos dois anos passaram a integrar um sistema de identificação automático de cartuchos falsificados e cartuchos recarregados. Por aqui, de cada 100 verificações, 14 apontam algum tipo de irregularidade – o dobro da média mundial.

De acordo com números de uma pesquisa realizada pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP) em 2012 com 13 dos 30 setores da economia brasileira que o compõe, um total de R$ 24 bilhões foram perdidos por essas indústrias no país por causa da pirataria. "Nós vamos apresentar uma nova pesquisa neste ano, em relação à 2013, acrescentando novos setores e com certeza vamos passar de R$ 30 bilhões", afirmou Edson Vismona, presidente do FNCP.

As dinâmicas dos produtores piratas são consideradas extremamente complexas na região, o que dificulta a descoberta dos locais ou pessoas envolvidas na operação, como explica Márcio Furrier, gerente de desenvolvimento de negócios de suprimentos da HP Brasil.

No Brasil, é comum que cartuchos falsos venham da China; embalagens falsificadas, do Paraguai; e material impresso, da Colômbia. Com todos os materiais em território nacional, "integradores" agem para fazer junção dos componentes e distribuição para revendas.

As revendas, por sua vez, podem agir de duas formas. Parte delas acaba recebendo e vendendo produtos piratas sem ter o conhecimento de sua origem criminosa, dada a "profissionalização" de grande parte desse mercado, enquanto outra parte os vende ativamente mesmo sabendo que são falsos.

"O que a gente está vendo no mercado hoje é que parte dos grandes falsificadores do país está se concentrando em grandes contas e governo", explicou Marcio Furrier, gerente de desenvolvimento de negócios de suprimentos da HP Brasil. "É muito comum o fornecedor mal-intencionado entregar um lote misturado. Em um lote de 100 peças, você vai ter 70 falsificadas e 30 peças boas, que vão ser distribuídas entre vários órgãos ou filiais e vai ser difícil determinar o problema porque os índices de defeito acabam sendo distribuídos".

Como parte do esforço de tentar coibir a ação de grupos que manufaturam produtos pirateados, a HP mantém há alguns anos um site que permite a usuários deixarem denúncias anônimas sobre estabelecimentos ou empresas que possam estar vendendo os produtos falsificados.

Com as informações em mãos, a HP trabalha em conjunto com polícias locais para buscar e apreender pontos de fabricação desses produtos pirateados. Nos últimos doze meses, a norte-americana apreendeu cerca de US$ 23 milhões (cerca de R$ 52 milhões) em componentes e produtos falsificados. Destes, US$ 16 milhões (R$ 36 milhões) foram no Brasil.

A última grande apreensão de produtos da HP foi realizada em abril deste ano, em Maringá, no Paraná. A ação foi considerada a maior de todas as Américas neste ano e foi resultado de uma investigação de seis meses iniciada a partir de uma denúncia no site da HP. No local, foi encontrado inclusive uma prensa para criação das embalagens falsas que foi avaliada em R$ 800 mil.

Segundo a HP, cartuchos piratas não levam em consideração os processos de garantia de qualidade da empresa, o que pode danificar e até inutilizar uma impressora. O seu uso também anula a garantia dos produtos.

A principal característica que o consumidor pode observar em uma embalagem de cartucho para garantir que o produto é original é o selo com uma holografia da HP na lateral direita, que geralmente é de baixa qualidade em cartuchos falsos. Além disso, Marcio recomenda prestar atenção nas cores da embalagens, que geralmente são "lavadas" nos piratas, além da cola de baixa qualidade que lacra as embalagem piratas.

HP

Em cartuchos falsos (à esquerda), efeito da holografia no selo da HP fica ausente (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Há dois anos, a HP começou a implementar globalmente um sistema de identificação de cartuchos originais através de QR codes impressos na embalagem dos produtos. O QR code também é acompanhado por um código numérico que pode ser digitado no site da empresa para se fazer a mesma confirmação. Ambos os sistemas foram implantados no Brasil.

Vale lembrar que os dados apresentados pela empresa não incluem os cartuchos regarregados de impressão, já que a prática não é considerada ilegal.

Ainda assim, a HP afirma que possui um trabalho de conscientização dos usuários sobre os possíveis efeitos nocivos de cartuchos reciclados e, apesar de não revelar números, afirma que a prática tem encolhido nos últimos anos.

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