Brasileiro precisa trabalhar, em média, 106 horas para comprar um iPhone

Por Redação | 25 de Julho de 2013 às 15h00

Os brasileiros estão cansados de saber que o custo de vida no país está em total discrepância com a qualidade do que é oferecido pelas empresas e pelo governo. Isso sem contar com o problema dos impostos surreais. Dessa vez, quem resolveu destrinchar o assunto foi o jornal norte-americano The New York Times.

Dentre uma série de exemplos citados, destaque para o fato de um morador de São Paulo precisar trabalhar em média 106 horas para comprar um iPhone, ao passo que em Bruxelas ele trabalha 54 horas para adquirir o mesmo produto, de acordo com estudo global de salários feito pelo banco UBS.

"O Brasil está à beira da recessão agora que o boom das commodities acabou. É impossível ignorar a alta dos preços que aflige o brasileiro, especialmente para quem não pode viajar ao exterior e comprar produtos mais baratos", disse Luciano Sobral, economista e sócio de uma empresa de administração de ativos em São Paulo, que mantém um blog de economia irreverente intitulado The Drunkeynesian.

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Por que tão caro?

Existe uma série de fatores responsáveis pelos altos preços praticados no Brasil – que não se restringe apenas a impostos. Engarrafamentos que encarecem a distribuição de produtos para os consumidores, políticas protecionistas que blindam as fábricas brasileiras contra a concorrência e um legado de consumidores de certa maneira habituados à inflação alta praticada entre os anos 80 e o início dos anos 90, são apenas alguns desses fatores "bônus" para o encarecimento dos produtos e serviços no país.

O The New York Times destaca ainda que, para os economistas, grande parte da culpa dos preços espantosamente altos deve-se a um sistema tributário disfuncional que dá prioridade aos impostos sobre o consumo. Alexandre Versignassi, escritor especializado em decifrar o código tributário brasileiro, diz que as empresas têm de pagar 88 impostos municipais, estaduais e federais, inúmeros deles cobrados diretamente dos consumidores.

No final do ano passado, uma pesquisa mostrou que a tributação indireta pode representar taxas absurdas, como, por exemplo, de 12% (conta de gás) a 93% (vinho importado). No caso da tributação indireta, a cobrança não fica clara para o consumidor, pois esses impostos não são destacados no preço da mercadoria. Para tentar facilitar a vida dos consumidores brasileiros, que têm o direito de saber a participação exata dos impostos no valor das mercadorias que adquirem, uma lei federal foi criada. Ela entrou em vigor no dia 10 de junho e obriga as empresas a fornecer aos clientes detalhes dos impostos incidentes sobre os produtos e serviços vendidos.

"O objetivo da lei é nobre, mas a complexidade do sistema tributário brasileiro não permite que se explicite de maneira minimamente confiável a carga tributária embutida no preço", disse o consultor Clóvis Panzarini, ex-coordenador da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Para discutir o caso específico dos preços absurdos dos smartphones no país, o Canaltech fez uma matéria explicando o que acontece para que um aparelho lançado nos Estados Unidos por US$ 699 chegue ao Brasil custando R$ 2.899 – como no caso do iPhone 5.

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