Autoteste para detectar vírus da Aids é bem aceito pelas pessoas, aponta estudo

Por Redação | 03.04.2013 às 17:40

Falta de privacidade, discriminação e às vezes longos períodos de espera podem ser alguns fatores capazes de explicar porque seis em cada dez pessoas que vivem com o HIV não se dirigem até centros especializados para realizar testes. Os dados são da revista especializada PLoS Medicine.

Recentemente, os Estados Unidos aprovaram um tipo de teste para o vírus da Aids que pode ser comprado na farmácia e feito em casa, pelo próprio paciente, por meio da saliva. Para entender como foi a aceitação das pessoas em relação à novidade, pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, fizeram um estudo baseado em 21 pesquisas anteriores, que avaliaram a adoção do autoteste em sete países, totalizando 12.402 indivíduos pesquisados.

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Eles descobriram que a aceitabilidade desse tipo de teste caseiro foi realmente alta, variando entre 74% e 96%, em duas estratégias de estudos: não supervisionados e supervisionados, respectivamente. Para cada estratégia, cerca de 61% e 91% dos pesquisados alegaram preferir realizar o autoteste em vez de se dirigir até uma unidade de saúde para fazê-lo. Outro dado muito importante é que 80% e 97% dos entrevistados de cada estratégia de estudo disseram que as chances do seu parceiro(a) também realizar o autoteste era grande.

Os autotestes são baseados nos anticorpos presentes no corpo humano, não requerem instalações laboratoriais e podem proporcionar um resultado preliminar sobre o estado do indivíduo em 20 minutos, por meio da sua saliva ou amostra de sangue de uma pequena picada no dedo. Mas é importante ressaltar que esses resultados são apenas preliminares, e em caso de suspeitas ou resultado positivo devem ser confirmados em um laboratório.

O Brasil não permite o uso desse tipo de teste caseiro para detecção de HIV, mas para a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids-SP, Maria Clara Gianna, ele deveria ser testado no país. "Hoje, identificamos como principal estratégia a realização de testes nos serviços de saúde, com acolhimento e orientação", disse Maria Clara ao jornal O Estado de S. Paulo.

Cerca de 34 milhões de pessoas (a maioria em países com recursos limitados) estão infectadas atualmente com o vírus causador da Aids, e cerca de 2,5 milhões de pessoas são infectadas com o HIV a cada ano. No entanto, apenas metade das pessoas que vivem com o HIV sabe do seu estado, algo que aumenta a possibilidade de transmissão para seus parceiros e até mesmo filhos. Os resultados do estudo realizado pelos pesquisadores canadenses sugere que é viável implementar autotestes para tentar diminuir esses números.