Aquisição da Nest seria passo do Google rumo a um “mundo conectado”

Por Redação | 21 de Janeiro de 2014 às 14h40

A aquisição da Nest pelo Google foi vista como a entrada da companhia na Internet das Coisas e a validação do próprio conceito. Por outro lado, especialistas afirmam que o negócio representa apenas um passo em uma tendência muito maior, com a gigante das buscas caminhando para um “mundo conectado” ao redor de suas tecnologias e do sistema operacional Android.

É o que mostra, por exemplo, um artigo analítico publicado por Drew Hendricks na Forbes. Na visão do jornalista Drew Hendricks, especializado em empreendedorismo e tecnologia, a ideia do Google é fazer com que todo o cotidiano do usuário seja mais inteligente a partir de diversas tecnologias da empresa ou que contam com a participação dela.

Além da compra da Nest, ele chama a atenção para a criação da OAA, a Aliança Automotiva Aberta, na sigla em inglês. A ideia da organização é fomentar o uso do sistema operacional Android em veículos inteligentes, que sejam capazes de se conectar com celulares da marca e criem sistemas integrados, que poderiam aprender com o cotidiano do usuário.

É esse, justamente, o grande diferencial dos produtos produzidos pela Nest. Os termostatos e sensores inteligentes da empresa conhecem o dia-a-dia da casa onde estão instalados, alterando a temperatura automaticamente de acordo com o horário e tornando sua própria utilização mais intuitiva.

Com a chegada do Google também na Internet das Coisas, Hendricks imagina um cenário semelhante ao de um filme de ficção científica. A casa poderia começar a ser aquecida uma hora antes do residente acordar, com a cafeteira sendo ativada automaticamente pouco tempo depois. Enquanto o usuário se arruma, o carro já é ligado, tem a temperatura interna regulada e os vidros limpos, ficando pronto para a saída para o trabalho ao som dos podcasts ou músicas favoritas.

O jornalista cita também dois diferenciais de mercado resultantes da união entre Google e Nest. O primeiro é a entrada de designers e especialistas em tecnologia ao quadro de funcionários da empresa de tecnologia, incluindo ex-engenheiros da Apple e o criador do iPod, Tony Fadell. Já para a fabricante, é a garantia de vantagens estratégicas e a certeza de que projetos e inovações continuarão a acontecer, agora sob um guarda-chuva muito maior.

Todas as cartas na mão

Na outra ponta disso tudo, porém, há uma preocupação. A entrada do Google na Internet das Coisas significa também que a empresa terá acesso a uma grande quantidade de informação inédita sobre os hábitos de seus usuários. Hoje, ela conhece a rotina online de seus clientes, mas no futuro, terá acesso também ao cotidiano de cada um.

A empresa já respondeu a esses questionamentos, afirmando que não vai compartilhar nenhum dado obtido com ninguém. Ainda assim, Hendricks lembra a tendência do Google a aplicar novos serviços sem a autorização dos usuários, com os próprios tendo que tomar medidas para cancelar inscrições ou optar pela desativação de certas funções. Como tudo ficará quando tal método também se aplicar às residências?

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