Apple x Samsung: quem registrou primeiro?

Por Colaborador externo | 19.03.2015 às 16:30

Por Mônica Santos*

Recentemente foi concedida para a Apple uma nova patente pelo escritório responsável nos Estados Unidos sobre uma tecnologia para um display flexível que abraça as laterais do smartphone. Uma inovação e tanto.

A patente causou um alvoroço porque em muito se assemelha ao modelo visto no Galaxy S6 Edge, da Samsung, principal concorrente da “maçã”. A diferença é que esta funcionalidade nas laterais do aparelho da Apple seria usada principalmente para substituir botões, como o de volume.

Enquanto isso, a Samsung já pensa em um celular totalmente flexível, incluindo a tela e toda a carcaça. É o que revela um documento de outro escritório de patentes dos Estados Unidos. O documento traz imagens e uma descrição do que o aparelho poderia fazer, com tela e armação capazes de se flexionar. Mas por que será que essas empresas registram tantas patentes?

Quando alguém inventa um produto, não importa sua finalidade, ele precisa ser registrado. Isso evita que a invenção seja plagiada ou copiada. Imagina só, depois de muita pesquisa e trabalho você criar um novo modelo de fone de ouvido que tem um design inovador e não agride a audição. Uma invenção que poderia lhe transformar no novo Tim Cook, o CEO da Apple. Mas, caso você não registre a ideia e seu concorrente o faça, você não terá direito nenhum sobre aquela descoberta.

Uma patente é algo bem específico. Vamos voltar ao exemplo da Apple e da Samsung. Embora os modelos de celulares sejam bem parecidos, o patenteado pela Apple tem as laterais completamente tomadas pelo display flexível - enquanto a borda do modelo da concorrente tem outra funcionalidade para o aparelho. Isso explica a autorização concedida para as duas gigantes da tecnologia. Não há possibilidade de haver cópia de patentes. O objetivo da patente é exatamente proibir a duplicidade.

O debate sobre quem copiou quem deve ficar apenas entre os “fanboys” da Apple ou Samsung. Para a justiça, o que realmente importa é quem registrou primeiro. E quem sai ganhando somos nós, consumidores, que temos a cada dia um modelo novo de celular no mercado.

*Mônica Santos é sócia-fundadora da AMB - Associação de Marcas no Brasil.