Apple vai contra conselho de Obama e concorda com regras impostas pela China

Por Redação | 05 de Março de 2015 às 11h43
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Uma lei antiterrorista do governo chinês visa forçar todas as empresas estrangeiras de tecnologia que atuam no país a fornecer chaves de encriptação e código fonte para a inspeção governamental e, de quebra, instalar backdoors para permitir o acesso de vigilância aos seus sistemas.

Barack Obama se mostrou totalmente contra a regulamentação chinesa. Durante uma entrevista concedida à agência de notícias Reuters, o presidente norte-americano disse que já levantou a questão diretamente com o presidente da China.

"Estou preocupado. Isso é algo que eu tenho levantado diretamente com o presidente Xi e toda a minha equipe de política externa, bem como pessoas como o secretário do Tesouro, Jack Lew, e o secretário de Comércio, Penny Pritzker", disse Obama. "Eu acho que esse tipo de prática restritiva seria, ironicamente, prejudicial à economia chinesa a longo prazo", completou.

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Mas o site de notícias Quartz ressalta que, apesar dessa forte retórica, a empresa de tecnologia mais valiosa dos Estados Unidos, a Apple, já concordou com, pelo menos, algumas verificações de segurança impostas pela China.

Em meados de janeiro, a Maçã concordou em permitir que as autoridades chinesas conduzam "auditorias de segurança" em seus produtos para garantir que não estão compartilhando os dados dos usuários com o governo norte-americano. A informação também foi confirmada pela mídia estatal chinesa, que afirmou que "a Apple concordou em aceitar verificações de segurança da China", mas não esclareceu exatamente o que isso implica. A empresa de Cupertino ainda não se manifestou oficialmente a respeito do assunto.

Apesar dos contras em relação à política chinesa, a Apple não tem muita escolha a não ser concordar, caso queira permanecer atuando no país. As leis propostas pelo governo têm sido alvo de críticos que dizem tratar-se de protecionismo e que elas se destinam a fortalecer a indústria tecnológica nacional.

Enquanto isso, os concorrentes chineses da Apple, como a Xiaomi, estão indo de vento em popa. A fatia de mercado da fabricante local mais do que dobrou (foi de 5,3% para 12,5%) em 2014, fazendo a marca ultrapassar a gigante Samsung e se tornar a maior vendedora de smartphones da China no ano passado.

Porém, um analista da Quartz descreveu as decisões da Apple como "constrangedoras". "É uma das maiores empresas de tecnologia do mundo e parece que está disposta a abrir as suas portas em troca de acesso ao mercado. Isso definitivamente poderia tornar mais difícil para o governo (norte-americano) discutir efetivamente que as empresas não estão dispostas a admitir exigências do governo chinês".

Fato é que a atitude da Apple vai completamente contra o que disse Barack Obama: "Eu não acho que exista qualquer empresa norte-americana ou europeia, qualquer empresa internacional, com credibilidade que poderia entregar indiscriminadamente dados pessoais a um governo. E assim nós deixamos muito claro para eles (autoridades chinesas) que isso é algo que eles vão ter que mudar se esperam fazer negócios com os Estados Unidos".

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