Apple se diz “profundamente ofendida” por denúncias da BBC

Por Redação | 19 de Dezembro de 2014 às 17h51

Após uma reportagem no programa “Panorama” da BBC ir ao ar denunciando condições precárias de trabalho de funcionários da Apple na China, a empresa afirmou que está “profundamente ofendida” pelas alegações da BBC. As informações são do Business Insider.

Jeff Williams, vice-presidente para a área operacional, mandou um e-mail aos cerca de 5 mil funcionários da Apple no Reino Unido para falar em nome dele e de Tim Cook, CEO da empresa. No e-mail, ele afirmou que a companhia está “profundamente ofendida com a sugestão de que a Apple quebraria uma promessa feita aos trabalhadores da sua cadeia de fornecedores ou enganaria os seus clientes de alguma forma”.

As denúncias afirmam que trabalhadores de fábricas na China, responsáveis pela produção de iPhones e iPads, teriam condições de trabalho precárias. A BBC mandou um repórter se passar por empregado da fábrica, onde este constatou que muitos são obrigados a trabalhar por longos períodos sem folga e que operários chegaram a trabalhar 18 dias seguidos sem receber nenhum dia de descanso. A rede ainda afirmou que alguns eram forçados a trabalhar 12 horas seguidas na linha de produção do iPhone 6.

Mais informações: Apple é novamente investigada por más condições de trabalho na China

Williams destacou explicitamente a reportagem da BBC, que afirmou que a empresa não tem caminhado no sentido de melhorar as condições dos trabalhadores. “A investigação do Panorama alega que a Apple não está melhorando as condições de trabalho [nessas fábricas]. Deixem-me dizer o seguinte: nada poderia estar mais longe da verdade”, afirmou ele. O executivo ainda afirmou que a Apple não concedeu uma entrevista à BBC, mas por meio de um comunicado reafirmou “fatos e perspectivas”, conteúdo que, segundo ele, “claramente estavam ausentes do programa”.

A Apple assumiu que ainda pode melhorar mais suas condições de trabalho e o número de horas trabalhadas, mas destacou o empenho neste sentido. “Não temos conhecimento de nenhuma outra empresa que se empenhe tanto para garantir condições de trabalho justas e seguras, para descobrir e investigar problemas, para corrigir e resolver esses problemas, quando surgem, e para garantir a transparência nas operações dos nossos fornecedores”, disse Williams no e-mail.

A Apple emprega aproximadamente 1.400 trabalhadores em fábricas chinesas e segundo Williams eles contam com “engenheiros talentosos e gestores, que também são pessoas com compaixão, treinados para relatar quando veem riscos ou abusos”.

A Apple ainda foi acusada, na mesma reportagem, de ter consciência que fornecedores da ilha de Bangka, na Indonésia, utilizam mão de obra infantil e que colocam crianças em “condições de perigo iminente”. Neste caso, Williams assumiu que a Apple utiliza estanho oriundo de ilhas indonésias e que “algum desse estanho, provavelmente, pode vir de minas ilegais”.

O executivo afirmou que o governo da Indonésia não tem abordado a questão, mas existe uma “corrupção generalizada na cadeia de abastecimento” de estanho no país, onde garimpeiros vendem o produto por meio de intermediários para que as situações ilegais de trabalho não sejam identificadas.

“A Apple tem duas opções: nós poderíamos ter a certeza de que todos os nossos fornecedores compram estanho de fundições de fora da Indonésia, o que provavelmente seria a coisa mais fácil a fazer – e proteger-nos-ia, certamente, destas críticas. Mas isso seria o caminho preguiçoso e covarde, porque não faria nada para melhorar a situação dos trabalhadores indonésios ou o ambiente (…). Nós escolhemos o segundo caminho: comprometemo-nos e vamos tentar encontrar uma solução coletiva”, justificou Williams.

O vice-presidente da área operacional ainda destacou que a empresa liderou a criação de um grupo que envolve outras empresas de tecnologia e que tem como objetivo buscar a implementação de um sistema de fundição responsável do estanho na Indonésia. Ele destacou que ainda há muito trabalho a ser feito no sentido de melhorar as condições dos trabalhadores de regiões como asiáticas. “Não descansaremos até que cada pessoa, em cada cadeia de fornecimento, seja tratada com o respeito e a dignidade que merece”, ressaltou Williams.

Fonte: http://www.businessinsider.com/tim-cook-speaks-out-about-horrifying-documentary-showing-apple-working-conditions-in-china-2014-12?utm_content=bufferd8867&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

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