Apple quer acabar com taxa cobrada de trabalhadores na China

Por Redação | 12 de Fevereiro de 2015 às 18h11

O conceito de “pagar para trabalhar” muitas vezes é levado às últimas consequências na China. O país asiático que é a raiz das plantas de produção para as indústrias de tecnologia também conta com leis trabalhistas bastante relaxadas, que permitem, entre outras coisas, a prática do “bonded servitude”, uma taxa cobrada por empresas de recrutamento dos trabalhadores que são alocados nas fábricas, principalmente durante os períodos de pico. É uma dinâmica contra a qual a Apple anunciou sua oposição formal.

A Maçã é um dos principais nomes do mercado mobile, com presença firme em território chinês. É de lá que vem a gigantesca quantidade de iPhones que são espalhados ao redor do mundo para venda. E nessa posição, a companhia de Cupertino acredita ser capaz de melhorar as condições dos trabalhadores do país e, em um esforço para acabar com a taxação, anunciou que assumirá ela mesma tais custos, de forma que eles não tenham que ser pagos pelos trabalhadores.

De acordo com Jeff Williams, que é vice-presidente de operações da Apple, a ideia é que todas as companhias sigam o mesmo exemplo. Em entrevista ao Bloomberg, ele repudiou a ideia de que os trabalhadores tenham que pagar do próprio bolso ao arrumarem um emprego e disse ainda que essa dinâmica contribui para a pobreza e a miséria de boa parte da população do país.

Essa, inclusive, não é a primeira vez que a empresa se opõe a essa prática. Desde o início do ano passado, a Maçã tem se manifestado contra a tarifa e diz ter conversado com agências de recrutamento para que ela seja deixada de lado, ou então, preferindo aquelas que não trabalham dessa forma para contratar funcionários temporários. Contudo, as negociações parecem ter sido infrutíferas, o que motivou a companhia a assumir ela mesma esses gastos.

A decisão da Apple vem na sequência de declarações semelhantes feitas pela Organização das Nações Unidas, que taxou o “bonded servitude” como uma forma moderna e legalizada de escravidão. De acordo com relatórios da instituição, as taxas muitas vezes chegam a se aproximar do total salarial recebido pelos trabalhadores. Além disso, eles teriam seus passaportes e outros documentos confiscados pelas agências de recrutamento como forma de garantir o pagamento das dívidas após o fim dos contratos de emprego temporários.

Segundo informações oficiais da Apple, 92% dos trabalhadores terceirizados em fábricas localizadas na China estão de acordo com as normas internas que fixa um teto máximo de 60 horas trabalhadas por semana. Agora, a companhia trabalha para que esse total chegue a 100%, de forma a garantir que o sucesso absoluto do iPhone gere não apenas dividendos para si, mas também bem-estar para todos os envolvidos na cadeia de produção.

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