'Apple nunca foi adepta da publicidade convencional', afirma ex-executiva

Por Redação | 19 de Março de 2014 às 11h02
photo_camera Divulgação

Em uma entrevista reveladora sobre os bastidores da Apple, a ex-vice-presidente de marketing da empresa, Allison Johnson, afirma que a empresa nunca foi muito adepta do marketing direto, preferindo investir em outras maneiras de vender seus produtos. Essa é uma visão que vem diretamente de Steve Jobs, que preferia agir de maneira diferente.

Segundo ela, o fundador da Maçã acreditava que uma abordagem educacional era a melhor tática de publicidade. Sendo assim, ele preferia explicar a seus futuros consumidores qual a razão de existir de cada produto, como eles funcionavam e, acima de tudo, como aquele equipamento poderia facilitar ou melhorar a vida das pessoas. Para ele, isso faria com que as novidades se vendessem sozinhas e com mais sucesso que simples propagandas ou campanhas de marketing.

É justamente essa tradição, presente até hoje, que está por trás de uma série de atitudes tomadas pela empresa. É o caso, por exemplo, do segredo absoluto sobre qualquer tipo de produto inédito, por mais que a imprensa esteja recheada de boatos, muitos deles certeiros. As novidades são anunciadas apenas no momento oportuno e, para Jobs, a hora correta era aquela em que o equipamento em questão estava pronto para ser usado pelos consumidores.

Ela pondera que, por mais que essa abordagem seja benéfica e gere uma confiança junto à base de clientes, ela também tem suas falhas. O segredo absoluto impede uma experiência real junto ao consumidor, enquanto lançamentos Beta, como o do Google Glass, por exemplo, são capazes de trazer elementos e interações aos olhares dos desenvolvedores de uma maneira que nenhum teste fechado jamais seria capaz.

O rosto dos anúncios

Steve Jobs também fazia questão de anunciar pessoalmente os novos produtos da companhia. E isso, para ele, era outro fator que geraria confiança nos consumidores, já que eles veriam sempre a mesma pessoa no palco e, assim, saberiam que algo grande e de qualidade estava sendo exibido ali.

Para Johnson, existiam maneiras mais fáceis de se passar a mensagem aos usuários e imprensa. Para a Apple, basta uma atualização no site oficial ou uma pequena mudança aqui e ali para que a internet exploda de textos comentando as novidades e especulando o que mais está por vir. Esse é um luxo com o qual muitas companhias não podem contar, mas Jobs preferia não utilizá-lo.

Ecoando as palavras de diversos outros ex-companheiros de trabalho do cofundador da Apple, Johnson afirma que chegou a vê-lo chorando no trabalho por pelo menos duas vezes. Na primeira, tratava-se de alegria. Na segunda, era puro stress.

Ela volta ao ano de 2010, quando a longa batalha judicial entre a Apple e a Apple Records, gravadora dos Beatles, finalmente chegou ao fim. Essa era uma saga especialmente importante para Jobs, que era fã da banda e queria ver o portfólio dela disponibilizado no iTunes.

Um time de publicidade da Apple foi até Londres e retornou com uma série de fotos nunca antes vistas. Elas foram espalhadas em uma grande mesa e deveriam ser selecionadas por Steve Jobs para compor um anúncio que divulgaria a chegada das canções ao serviço. O fundador da Apple fez isso com lágrimas nos olhos e, para Johnson, aquilo representava para ele o cumprimento de um objetivo de longo prazo.

A segunda vez, porém, não foi nada feliz. Steve Jobs socava a mesa de uma sala de reuniões da Apple, onde estava reunido com líderes das equipes de marketing e desenvolvimento de produto. O motivo era o Antennagate, a falha de recepção que havia atingido o iPhone 4 logo após seu lançamento e a cobertura negativa que estava sendo feita pela imprensa sobre o caso. Para ele, essa não era a companhia que ele tanto trabalhara para construir nem a maneira pela qual a marca deveria ser vista pelo público.

A conversa com Ashley Johnson, que trabalhou na Apple de 2005 a 2011 e, sendo assim, participou dos lançamentos do iPhone e iPad, pode ser vista no vídeo acima, na íntegra. Ela aconteceu durante a 99U Conference, evento realizado pela Behance com o objetivo de transformar ideias em realidade e incentivar empreendedores a partir das experiências de figurões da indústria.

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