Apple faz acordo com fabricante de sapphire glass

Por Redação | 07.05.2014 às 18:02

A Apple fechou um acordo com a GT Advanced Technologies que vai facilitar e muito a produção do iPhone 6 e gerações seguintes de praticamente todos os seus produtos. Agora, a Maçã está trabalhando lado a lado com uma das principais expoentes da tecnologia sapphire glass, que promete criar telas mais resistentes a quedas e arranhões, além de ter uma durabilidade maior.

Em vez de seguir o caminho mais óbvio, terceirizando a produção de componentes custosos como esse, a Apple está seguindo o caminho inverso. Cada vez mais, a empresa mostra uma tendência a trabalhar diretamente com fornecedores das tecnologias inovadoras de seus aparelhos, como uma maneira de tornar tais novidades exclusivas por mais tempo.

Daqui em diante, a empresa de Cupertino estaria disposta a tomar atitudes diferentes das atuais. Em vez de se posicionar como uma das líderes do mercado e puxar o trem quando o assunto são mudanças de design e componentes, a Apple deseja tornar tais fatores os verdadeiros diferenciais de seus produtos, impedindo que os concorrentes se apropriem deles tão cedo.

É o que está acontecendo, por exemplo, com a GT Advanced Technologies. Segundo reportagem do site The Verge, as duas empresas estão trabalhando juntas, ao lado de cientistas e universidades, para garantir que o sapphire glass dê a tônica do mercado mobile. Só que, desta vez, quem quiser a tela resistente deverá permanecer com a Apple.

Ideias que se tornaram comuns

A Maçã já está acostumada com esse tipo de coisa. No passado, ela foi a grande responsável por adicionar mais cor ao mercado de computadores de mesa e, quase ao mesmo tempo, fazer nascer toda uma linha de aparelhos feitos de plástico transparente, através dos quais era possível ver todos os componentes internos. Foi assim com o alumínio, que apareceu nos iPhones, iPads e MacBooks e, hoje, está presente em diversos outros dispositivos.

A Apple parece ter aprendido bastante com esse movimento. Apesar do metal estar presente em cerca de 8% da crosta terrestre, sua extração não era simples, menos ainda o trabalho detalhado necessário para sua colocação em aparelhos como celulares. A companhia de Cupertino, então, contribuiu para que a “fabricação” do elemento se tornasse barata e simples. E isso significou que outras empresas também puderam passar a usá-lo em seus produtos.

Hoje, a safira já é utilizada em janelas de alta resistência, com resultados bastante elogiados. Mas especialistas ouvidos pelo The Verge parecem céticos sobre a aplicação do material também nas telas de celulares. Segundo Hutch Hutchinson, da Vertu, as características que tornam o material tão interessante para a indústria de celulares são as mesmas que tornam o trabalho com ele tão complicado.

A dureza e resistência da safira, então, dificultaria muito o trabalho de corte e aplicação bastante delicados envolvidos na fabricação de um iPhone, por exemplo. Hoje, o uso de uma tela sapphire glass pode custar para as fabricantes de celular até dez vezes mais que a fabricação de uma Gorilla Glass. E esse fator financeiro é exatamente aquele que pode dificultar a aplicação em grande escala da novidade.

E é justamente nisso que a Apple está trabalhando. A GT Advanced Technologies anunciou nesta semana as primeiras máquinas capazes de gerar esferas de safira em escala industrial, que devem começar a abastecer o mercado no terceiro trimestre de 2014. O período é o mesmo em que se especula o lançamento do iPhone 6 que, para muitos, pode ser o primeiro aparelho da marca a chegar ao mercado com a sapphire glass.

Para outros, porém, a especulação se baseia em elementos menores. Há quem acredite que as telas super-resistentes estarão presentes apenas no tão falado iWatch, um produto que requer mesmo uma proteção maior a pancadas. Para outros, a Apple pode começar a usar o sapphire glass em pequenos componentes do iPhone, como a lente das câmeras ou o botão / sensor biométrico dos aparelhos.

Por enquanto, porém, a empresa não se pronunciou exatamente sobre como utilizará o material. Mas, com seus acordos recentes, deixa claro que está partindo para a briga com os rivais em outras frentes que não as prateleiras. Agora, a guerra do mundo mobile começa antes mesmo dos celulares ficarem prontos para o uso.