Apple e Google criticam rejeição de acordo de US$ 324 milhões sobre contratações

Por Redação | 05.09.2014 às 16:25
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Já reparou que são pouquíssimos os casos em que funcionários de grandes empresas de tecnologia acabam indo trabalhar na concorrente? Isso seria estranho, não fosse por um acordo milionário fechado entre as próprias companhias, que barram a entrada de profissionais que já integraram o time das rivais.

Tal prática motivou uma juíza norte-americana a rejeitar uma oferta de US$ 324,5 milhões dessas entidades para manter o acordo. Como informa a Reuters, alguns trabalhadores acusaram quatro empresas do setor tecnológico – Apple, Google, Intel e Adobe – em um processo de 2011 de conspirar para evitar que contratassem os funcionários das outras. A justificativa dos empregados é que a conspiração limitou sua mobilidade de trabalho e, como resultado, restringiu seus salários.

No mês passado, a juíza distrital Lucy Koh, em San José, na Califórnia, rejeitou a proposta dessas corporações, afirmando que a quantia era muito baixa.

Em um documento entregue às autoridades nesta quinta-feira (4), as companhias pedem que o 9º Tribunal de Recursos do Circuito dos Estados Unidos anule a decisão de Koh. Segundo as empresas, Koh "cometeu um claro erro legal" e "substituiu de maneira inadmissível a avaliação do tribunal sobre o valor do caso pelo valor das partes, que têm disputado por conta do caso por mais de três anos". A Adobe se recusou a comentar, assim como um advogado dos trabalhadores. Representantes das três outras empresas não puderam ser encontrados imediatamente.

O acordo que impede a contratação de funcionários por empresas concorrentes ganhou ainda mais evidência neste ano, quando e-mails trocados entre Sergey Brin e Eric Schmidt, cofundador e atual diretor do Google, respectivamente, e Steve Jobs, ex-CEO da Apple, foram vazados. Eles escreveram entre si sobre acordos explícitos para não contratar ou recrutar os serviços dos profissionais que trabalham para a rival. De acordo com as mensagens, a medida poderia expor os planos de negócios de cada entidade e causar de propósito um prejuízo na concorrente quando esta fosse fabricar um produto na mesma área de mercado.

Os mesmos e-mails também apontavam que "outras dezenas de empresas de tecnologia" fazem parte do acordo, incluindo Dell, IBM, eBay, Microsoft, Comcast, Clear Channel e o estúdio Dreamworks. Mais de um milhão de empregados estaria envolvido na estratégia.