Trabalho infantil é encontrado em fornecedores asiáticos da Apple

Por Luciana Zaramela | 25.01.2013 às 16:47

A Apple iniciou no ano passado uma investigação para fiscalizar as fábricas de seus fornecedores na Ásia, e acabou encontrando pessoas trabalhando em condições desumanas, exploração trabalhista, problemas com pagamentos de funcionários e até trabalho infantil. As informações são da Reuters.

Foram realizadas 393 auditorias no ano passado, o que representou um aumento de 72% em relação às fiscalizações de 2011. Mais de 1,5 milhão de trabalhadores estão ativos nas linhas de produção de componentes para iPhones e iPads em fábricas parceiras, como a taiwanesa Foxconn, do grupo Hon Hai. Sozinho, o grupo emprega 1,2 milhão de funcionários em várias localidades da China.

O grande problema começou com acusações de que a Apple lucrava às custas de trabalhadores explorados na Ásia. Depois que uma onda de suicídios ocorreu em uma fábrica da Foxconn na China em 2010, a situação tomou proporções assustadoras. Os funcionários trabalhavam por longas horas e recebiam salários irrisórios, além de serem vítimas de maus tratos e viverem em condições precárias em alojamentos abarrotados.

Ao assumir o comando da empresa após a morte de Steve Jobs, Tim Cook decidiu realizar auditorias frequentes e minuciosas em sua cadeia de fornecedores, a fim de monitorar as condições de trabalho e a situação dos funcionários. Em entrevista na última quinta-feira (24), Jeff Williams, vice-presidente operacional da Apple, disse que o objetivo principal da empresa é resolver duas graves questões: as exorbitantes jornadas de trabalho (que ultrapassam as 60 horas semanais) e o uso de trabalho infantil nas fábricas de fornecedores.

Crianças e adolescentes representam uma pequena parcela da força de trabalho destas empresas, no entanto, a Maçã alega estar investigando também os fornecedores secundários — aqueles que produzem peças para os fornecedores maiores —, suspendendo contratos em alguns casos.

"Vamos fundo na cadeia de fornecimento para encontrar (condições sub-humanas de trabalho)", afirmou Williams. "E quando encontrarmos, garantimos que os trabalhadores menores receberão amparo, e que os fornecedores serão responsabilizados".