Apple apagava músicas de serviços concorrentes dos iPods

Por Redação | 04.12.2014 às 10:49

Que a Apple trabalha com uma estratégia bastante agressiva todo mundo sabe, inclusive seus concorrentes. Mas um novo processo aberto por um grupo de usuários no estado americano da Califórnia levanta suspeitas de uma atividade antiética e acusa a empresa de ter deletado canções adquiridas em serviços rivais do iPod de seus clientes entre os anos de 2007 e 2009.

A ação aberta nesta quarta-feira (03) diz que a Maçã usou de artifícios para manter a hegemonia da iTunes Store e evitar que músicas baixadas a partir de outras fontes fossem usadas nos dispositivos. O processo afirma que, quando atualizações de sistema identificavam dados externos no disco rígido do aparelho, uma mensagem sobre corrupção de arquivos era exibida e o usuário deveria restaurar o iPod a suas configurações de fábrica, removendo todas as músicas contidas nele.

O procedimento é normal em casos como este, mas a diferença é que o backup realizado na sequência continha apenas as canções baixadas a partir da loja oficial da Apple. De acordo com o advogado do processo, Patrick Coughlin, funcionários da empresa foram instruídos a não falarem sobre o problema para os clientes nas lojas, forçando-os a adquirir músicas a partir do serviço e, no fim das contas, pagando mais por seus iPods.

Por isso, de acordo com as informações do Wall Street Journal, a ação pede indenizações no valor de US$ 350 milhões, um total que pode chegar a ser triplicado caso a justiça dos EUA considere que o caso se encaixa em leis antitruste. Nesse caso, a Apple pode ser acusada de trabalhar contra a livre concorrência, utilizando de práticas que levariam os consumidores a comprar músicas apenas em sua própria loja e não nos serviços rivais.

Em resposta, a Apple disse que, na época, estava paranoica com a segurança de seus dispositivos após ter sido alvo de uma série de ataques hackers. A empresa não negou que trabalhava contra a presença de arquivos externos nos iPods da época, mas afirmou que isso acontecia apenas quando as atualizações de sistema identificavam dados que poderiam ser maliciosos e levar à exploração de brechas de segurança nos dispositivos de seus clientes.

Além disso, de acordo com Augustin Farrugia, que é diretor de segurança da companhia, a questão como um todo não foi explicada para os clientes porque “eles não precisavam de tanta informação”. Na opinião dele, a revelação completa do que estava acontecendo apenas os deixaria mais confusos e poderia revelar as práticas de proteção da companhia para os hackers, levando-os a explorar ainda mais o sistema em busca de novas portas de entrada.

A iniciativa é até válida, apesar dos métodos não serem lá muito corretos. A principal questão, que pode inclusive acabar fortalecendo o processo, é uma fala antiga do fundador da Apple, Steve Jobs, que cita como hackers também os serviços de download ilegal de música. “Alguém está invadindo nossa casa”, disse ele em uma troca de e-mails com o diretor de software da empresa, Eddy Cue, também na época à qual o processo se refere.