Apple: a empresa da criação e da destruição

Por Gabriel Tonobohn | 09.09.2013 às 16:10 - atualizado em 18.09.2013 às 10:43

Amanhã, dia 10 de setembro, a Apple revelará seus novos iPhones. A expectativa é talvez mais alta do que em qualquer outra lançamento da Apple. Os acionistas esperam por novidades que possam tornar a empresa mais lucrativa, como o iPhone 5C de baixo-custo, enquanto os consumidores esperam por novas funções e querem ser surpreendidos.

Já parece bastante confirmado através dos inúmeros rumores que a Apple revelará um iPhone mais barato para mercados emergentes. Ele deve chegar em várias cores, como amarelo, azul e até rosa, para atrair o público jovem. Já o modelo mais parrudo, sucessor do iPhone 5, terá versões nas cores dourado e grafite, dando um toque mais refinado ao visual.

Por que a Apple precisa disso

A Apple vem sendo pressionada a inovar e trazer novidades ao mercado. Se em 2007 a empresa surpreendeu o mundo com o lançamento do primeiro iPhone, desde então o smartphone continuou em uma zona de conforto, com poucas mudanças no design tanto do hardware quanto do software.

Além disso, o sistema da Apple viu o Android crescer como grande rival, não apenas com os dispositivos topo de linha, mas principalmente em modelos mais acessíveis e bem mais baratos que o iPhone. O ecossistema da Google vem dominando o mercado, e a Apple já não brilha mais como há poucos anos. É hora de surpreender de novo.

A empresa da criação, ou da destruição

De 2007 para cá, a Apple se tornou uma espécie de destruidora de outras empresas. O blog Bits do NYT compartilha dessa interessante visão. Ele nota que, ao mesmo tempo que inovou com a criação de novos mercados com o iPhone e o iPad, ela destruiu outros antigos. Veja, por exemplo, as câmeras digitais mais simples, para o usuário leigo, que hoje praticamente não existem mais, desde que a Apple introduziu a gravação de vídeo com o iPhone em 2008.

A Apple, não sozinha, ajudou a destruir até mesmo empresas que antes eram soberanas em suas áreas, como a Nokia, vendida à Microsoft, a BlackBerry, que busca compradores e a Nintendo, que sofre com a concorrência e não tem obtido sucesso com seus games portáteis.

Em 1942, Joseph Schumpeter cunhou a frase "destruição criativa" para falar sobre a maneira que o mercado livre leva ao progresso, da mesma forma que ainda vemos hoje. O telefone substituiu o telégrafo; o celular substituiu o telefone; e agora o smartphone vem substituindo o celular. Para que algo novo surja, outros tantos morrem.

O mercado de smartphones está "matando" não apenas os celulares, mas muitos outros. Quer um bloco de notas? Uma calculadora? Uma câmera? Um GPS? Um videogame? Está tudo aí, na palma a sua mão.

Mas por outro lado, sempre que temos a destruição, temos a possibilidade da transformação e da criação - algo que os hindus sabem muito bem. Com o iPhone, novas empresas surgiram. Não apenas aquelas que fabricam capas e acessórios, mas outras como a Rovio, desenvolvedora do Angry Birds, ou ainda a Foxconn, hoje uma gigante por fabricar tablets e smartphones para diversas empresas.

Com quase 1 milhão de apps em sua App Store, imagine quantas novas empresas não puderam surgir por causa do iPhone.

Ironicamente, a próxima empresa na mira desse ciclo de destruição e transformação é a própria Apple. Ela ainda tem uma enorme relevância no mercado e por isso os olhos do mundo estarão voltados para Cupertino amanhã, mas todos com um olhar de cobrança.

A Samsung já tomou o posto de maior fabricante de smartphones do mundo e empresas como a LG, Huawei, ZTE e Xiaomi estão apenas esperando a oportunidade certa para abocanhar sua parte. Se a Apple não voltar a criar e inovar, poderá ser ela a próxima no caminho do tornado que ela mesma criou.