Aplicativos da Samsung apresentam baixos índices de utilização

Por Redação | 28.04.2014 às 09:33

Quem utiliza smartphone sabe o problema que os aplicativos de operadoras e fabricantes constituem. Normalmente impossíveis de serem desinstalados, tais soluções ocupam espaço na memória dos aparelhos enquanto seus usuários procuram soluções mais populares criadas por terceiros, renegando as soluções pré-instaladas à inutilidade. Agora, uma pesquisa publicada pelo Wall Street Journal quantificou essa prática, pelo menos no caso da Samsung.

De acordo com os números publicados pelo jornal, as soluções proprietárias da fabricante são adotadas apenas por uma parcela mínima de seus usuários. Apps como os de lembretes de texto e voz S Memo e S Note, por exemplo, são usados por, respectivamente, 3,9 e 3,6 minutos por mês pelos proprietários de aparelhos da Samsung. E eles são os mais utilizados entre todos os avaliados.

Quando se fala dos apps de troca de mensagens, por exemplo, a situação fica bem clara. Enquanto os usuários de Samsung Galaxy S3 e S4, por exemplo, costumam passar cerca de 11 horas por mês usando soluções como o Facebook e o WhatsApp, o tempo de utilização do ChatON, a solução da própria Samsung para esse fim, não passa de 6 minutos. É o exemplo de disparidade mais gritante encontrado pela pesquisa, que foi realizada pela Newton.

Levando-se em conta todo o universo de aparelhos da marca, a maioria dos apps não chega nem mesmo à casa do primeiro minuto, demonstrando que, ao que parece, boa parte das pessoas está apenas os abrindo para verificar do que cada um se trata, abandonando-os na sequência. Enquanto isso, como já dá para imaginar, a utilização de soluções populares como Evernote, Instagram, Facebook e Twitter é cada vez maior. Até mesmo a busca do Google por meio de um navegador é usada com mais frequência.

Os números, porém, são vistos pela companhia como uma oportunidade de negócios. De acordo com o presidente do Samsung Media Solution Center, Wonpyo Hong, a empresa está investindo como nunca no desenvolvimento de software, com mais desenvolvedores focados nesse segmento do que engenheiros envolvidos na produção de novos aparelhos. As declarações foram feitas também ao The Wall Street Journal.

A ideia, claro, é entregar cada vez mais soluções proprietárias e de qualidade para os usuários, de forma que eles passem mais tempo utilizando o portfólio da própria Samsung. A presença maciça de aparelhos da marca em todo mundo, com a empresa sendo a maior fabricante e vendedora de celulares Android, é encarada como uma grande oportunidade para isso.

Mas isso não significa que a marca tem uma tarefa fácil pela frente. Dados da pesquisa apresentada pelo Wall Street Journal indicam que aparelhos como os Galaxy S4 e S5 têm, em média, 21 aplicativos proprietários a mais que a média do mercado. E os proprietários parecem não estar muito satisfeitos com isso, ao ponto de autoridades já terem criado normas para reger esse tipo de coisa.

Em seu país-sede, a Coreia do Sul, a Samsung e outras fabricantes foram obrigadas a liberar opções de desinstalação para seus usuários. Assim, eles podem remover os chamados “bloatwares” de seus celulares, limpando a memória e permanecendo apenas com os softwares que eles realmente desejam ter instalados no smartphone. Com isso, é grande a possibilidade que tais índices de adoção caiam ainda mais.