Análises comprovam que chip A7 do iPhone 5S é tão poderoso quanto um Ivy Bridge

Por Redação | 01 de Abril de 2014 às 18h10
photo_camera Reprodução

Há seis meses a Apple anunciava a chegada do iPhone 5S equipado com o espantoso chip SoC A7 de 64-bit. Como de costume, a Maçã não forneceu detalhes sobre o chip e limitou-se a afirmar que ele estava no mesmo patamar dos chips processadores utilizados em computadores de mesa. À época, muitos disseram que a declaração da companhia não passava de uma jogada de marketing ou de uma desculpa barata para fazer os fãs da marca trocarem seus iPhones 5 para a nova versão do smartphone.

Anand Chandrasekher, chefe do setor de marketing da Qualcomm, foi um dos que criticaram a Apple publicamente. Pouco tempo depois, no entanto, a empresa recuou, pediu desculpas e seus funcionários reconheceram o poder do novo chip de 64-bit empregado pela Maçã no novo gadget. "Todos nós fomos surpreendidos e ficamos atordoados com nossos queixos caídos", comentou um dos funcionários da empresa taiuanesa em entrevista a Dan Lyons em dezembro do ano passado. "Fomos atingidos no estômago por essa novidade", concluiu.

Apesar do reconhecimento recebido pela indústria e mídia especializada, o A7, suas especificações e capacidade continuaram sendo um grande mistério para o público. Passados seis longos meses, a Apple finalmente detalhou a microarquitetura "Cyclone" do A7. Os dados e informações foram analisados por Anand Shimpi, do AnandTech.

Phil Schiller apresenta o novo microchip A7 que equipa o iPhone 5S

Poucos acreditaram em Phil Schiller e na Apple quando eles anunciaram o poder de processamento do chip A7 de 64-bit (Imagem: Reprodução/Forbes).

Segundo o analista, o chip não é apenas uma evolução natural do seu predecessor, o A6, mas uma verdadeira "besta" capaz de competir com o Ivy Bridge da Intel e com a microarquitetura Haswell. "A Apple não construiu um competidor para as arquiteturas Krait ou Silvermont; ela construiu algo muito próximo dos grandes chips da Intel", disse Shimpi se referindo às microarquiteturas da Intel e da Qualcomm para dispositivos móveis. "No lançamento do iPhone 5S a Apple se referiu ao A7 como um chip de 'nível de desktop', e ela não estava errada", concluiu o analista.

Os documentos, que foram fornecidos pela Apple graças a um acordo que a companhia tem com o projeto do LLVM Compiler, revelam que o processador do chip é capaz de lidar com até seis instruções por ciclo de clock de processamento, a mesma capacidade dos chips Ivy Bridge encontrados na última geraçao de laptops da Apple e o dobro das arquiteturas da Intel e da Qualcomm para dispositivos móveis. Tamanho poder de fogo é importante porque define com quantas instruções o processador é capaz de lidar concorrentemente.

Além disso, a Cyclone possui 192 entradas de reorganização de buffer (re-order buffer, ou ROB), o que a equipara à arquitetura Haswell da Intel, que possui a mesma quantidade. A grande quantidade de entradas abre espaço para o processador definir qual a maneira mais eficiente de lidar com suas tarefas e completá-las.

A verdade é que análises mostraram que o chip é tão poderoso que pode ser comparado a processadores Ivy Bridge de mesa.

A verdade é que, após seis meses, análises mostraram que o chip é tão poderoso que pode ser comparado a processadores Ivy Bridge de mesa. O poder é tamanho que o clock do A7 precisa ser diminuído para não drenar a bateria dos iGadgets (Imagem: Reprodução)

Para Shimpi, o A7 foi desenvolvido pensando no futuro e no desempenho dos dispositivos da Apple. "A Cyclone é enorme! Não há nada parecido com isso equipando qualquer dispositivo móvel aí fora", disse o analista. Tanto poder, no entanto, parece não estar sendo utilizado nem pelo iPhone 5S nem pelo iPad Air por várias questões. Shimpi diz que pouco do potencial do chip está sendo aproveitado e há grandes chances de ele nunca atingir o seu máximo.

"O chip é controlado a rédeas curtas por causa das atuais baterias", declara. Além das baterias, que ainda não têm a capacidade necessária para lidar com tanto poder de processamento, a memória RAM é outra preocupação que faz com que os dispositivos iOS não consigam aproveitar o A7 em sua plenitude. "Antes mesmo do processador atingir seu pico, o sistema ficará sem memória RAM", disse o especialista em seu relatório.

Embora essas limitações joguem um balde de água fria nos mais entusiasmados, o analista da AnandTech ainda acredita que a Apple seguirá adiante e apresentará o A8 no anúncio da próxima geração do iPhone. Para ele, o novo chip terá 20 nm, será mais veloz e apresentará melhor desempenho que a geração atual de microchips. Se as predições se confirmarem, é muito provável que a Apple adote a mesma estratégia do A7 e diminua o poder de fogo do processador para compensar a aparente ineficiência da bateria do gadget.

O iPhone 6 está envolto em fortes especulações que apontam que o dispositivo virá em duas versões com tamanhos de tela distintos. Nenhuma informação foi confirmada oficialmente pela Apple ou qualquer um dos seus fornecedores, mas a expectativa é que o dispositivo foque na área da saúde com a chegada do app Healthbook, previsto para ser lançado com a nova versão do iOS. A expectativa é que o anúncio da nova geração do smartphone da companhia ocorra em algum momento do segundo semestre deste ano.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.