Amazon vai começar a testar drones para entregas nos EUA

Por Redação | 20.03.2015 às 15:56

Na mesma semana em que o Google anunciou o reinício de seu Project Flight após um protótipo que não deu muito certo, a Amazon recebeu a autorização necessária para começar os testes com seus drones a céu aberto. A empresa recebeu permissão da Federal Aviation Administration, o equivalente americano da ANAC, para realizar experimentos sobre uma área privada localizada no interior do estado de Washington.

Apesar de ser mais um passo rumo a seu ideal de realizar entrega com os robôs voadores, a gigante do e-commerce ainda precisa seguir uma série de normas. As aeronaves precisam estar sendo guiadas manualmente durante todo o tempo e os voos devem acontecer apenas durante o dia. Além disso, os drones não podem atingir uma altura superior a 400 pés, cerca de 122 metros.

É um começo, mas ainda longe do objetivo final da Amazon, que ainda deve levar alguns anos para ser atingido. Como demonstrou em um vídeo experimental divulgado no ano passado, a ideia do serviço batizado de Prime Air é que moradores de regiões próximas aos centros de distribuição da companhia recebem suas mercadorias em apenas alguns minutos ou, no máximo, horas depois da compra, com os robôs realizando o trabalho de traçar rotas e voar até a localização do cliente.

Apesar de ter dado autorização para os testes da Amazon, porém, a FAA permanece calada quanto às legislações relacionadas ao uso de drones no espaço aéreo dos Estados Unidos. Oficialmente, a utilização de aeronaves não tripuladas está proibida para utilização comercial, mas o governo vem recebendo cada vez mais pressão de empresas dos mais diversos setores para que os robôs possam ser utilizados desta maneira.

Jeff Bezos, inclusive, tem sido um dos grandes advogados dessa causa, já tendo reclamado mais de uma vez da inação do governo. A Amazon já teve que, por exemplo, construir um galpão dedicado apenas aos testes com drones e começa a, cada vez mais, levar seus testes para fora dos Estados Unidos, até países com legislações mais frouxas nesse sentido. E alerta que os negócios com drones devem deixar de vez os EUA caso nenhuma atitude seja tomada.

O tipo de aprovação recebido pela Amazon é o mesmo dada a companhias que desenvolvem drones, de forma que elas possam testar tecnologias novas. Ou seja, ainda está longe das necessidades da companhia, que gostaria de ver seus robôs sobrevoando grandes distâncias e carregando pacotes, além de serem submetidos a diversas condições climáticas que possam gerar dados sobre a segurança de seu voo.

Foi o que fez o Google, por exemplo, no interior da Austrália, em testes que levaram ao recomeço de seu Project Flight. Para experimentar o funcionamento de drones de entrega, a empresa trabalhou ao lado de fazendeiros e povoados isolados na entrega de rádios de comunicação, água e mantimentos, percebendo que suas aeronaves não voavam bem em condições de muito vento devido a uma arquitetura de asa única.

Mesmo tendo recebido a aprovação e afirmando que fará uso dela, a Amazon informou que vai continuar em negociações com a FAA para receber os documentos adequados para o tipo de teste que deseja realizar. A companhia argumenta que estúdios de Hollywood e outras organizações já receberam esse tipo de aval, e diz ainda estar sendo tratada de forma diferente pelo governo.

Com informações do New York Times.