Amazon faz mudanças em sua divisão de hardware após fracasso do Fire Phone

Por Redação | 06 de Janeiro de 2015 às 13h02

No início de dezembro, o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, afirmou ao site Business Insider que correr riscos e lançar produtos diferentes do usual faz parte da filosofia da empresa, e que apenas uma corporação grande como ela poderia aceitar tais condições. O executivo disse não se importar muito com o fracasso do Fire Phone, seu primeiro celular, mas isso também não significa que a situação não tenha servido de nada. De acordo com uma reportagem da revista Fast Company, o sucesso muito abaixo do esperado gerou mudanças significativas na empresa.

O foco da faxina foi o Lab126, departamento de pesquisa e desenvolvimento voltado justamente para a criação de novos produtos. Foi de lá que saiu não apenas o smartphone, mas também os tablets da linha Kindle e o Echo, um sistema de assistência por voz independente. O sucesso repentino dos e-readers da companhia subiu à cabeça da gerência, que inflou “inexplicavelmente” o setor e gerou a atual mudança organizacional. É isso o que afirmam fontes ligadas à entidade.

De apenas 100 funcionários há cinco anos, o Lab126 chegou a 2014 com quase 3.000. A cada novo projeto idealizado, a Amazon contratava um novo gerente que, por sua vez, fazia o mesmo para sua equipe. O resultado disso foi um desenvolvimento lento, muitos projetos deixados de lado e centenas de empregados sem muito o que fazer, além de um grande gargalo de dinheiro para a companhia.

Além disso, essa prática entrou no caminho de um dos grandes ideais da Amazon: a integração. Assim como faz a Apple, a empresa queria ver todos os seus produtos e desenvolvimentos atuando entre si de forma fácil e descomplicada. No entanto, a arquitetura do Lab126, baseada em diversos projetos funcionando como startups, também dificultou a comunicação entre as equipes de produção, impedindo que várias metas fossem atingidas.

A reorganização que vem ocorrendo já há alguns meses percebeu que, acima de tudo, o caráter confidencial das operações do setor – o que incluía também executivos da própria Amazon que não estavam por dentro do que acontecia por lá – foi o responsável pelos problemas. De um lado, estaria o incentivo do próprio Bezos à criação de novos produtos para o consumidor, enquanto de outro, e pesando muito mais, estão ideias inovadoras que não funcionaram na prática e uma falta de cuidado gerencial que acabou tornando tudo muito mais difícil.

Amazon Lab126

Para o CEO, um investimento desse tipo seria a melhor maneira de bater de frente com aquelas que Bezos enxerga como suas grandes rivais: Google e Apple. Contudo, o que se vê agora é a saída de muitos cabeças desse esforço tecnológico e a demissão de funcionários, de forma que o Lab126 volte a seus tempos de glória e funcione com sinergia não apenas com o restante da companhia, mas também com os consumidores para os quais desenvolvem suas soluções.

Malacy Moynihan, vice-presidente de produtos digitais e líder dos projetos Echo e Fire TV, foi um dos primeiros a deixar a empresa, seguido por Ian Freed, diretor de dispositivos, que resolveu tirar um ano sabático após o lançamento do Fire Phone. Apesar das saídas, Gregg Zehr, presidente do Lab126, continua no comando do setor e lidera ao lado de executivos das mais diversas áreas da Amazon esse processo de reorganização.

Apoio principal

De acordo com a reportagem da Fast Company, a moral dos funcionários do Lab126 segue duas tendências. Enquanto alguns empregados acreditam que Bezos está culpando o setor diretamente pelo fracasso do Fire Phone, e, por isso, permitiu a saída de tantos executivos importantes, outros aceitaram as palavras de incentivo do CEO. Antes do final do ano, ele se pronunciou aos trabalhadores pedindo que eles não se sintam mal com as baixas vendas do smartphone e que o caso serviu para ensinar boas lições à Amazon.

Oficialmente, Bezos alega que o departamento de pesquisa e desenvolvimento continua como sua menina dos olhos, afirmando que confia na capacidade dos envolvidos de entregarem em poucos meses aparelhos criados a partir de conceitos e imaginação. Só que na prática funciona bem assim, e as declarações colhidas pela Fast Company são a prova de que apenas sonhos e boas intenções não levam uma divisão desse tipo adiante.

Agora, a estrutura funciona de maneira mais vertical e com líderes claros para cada projeto. Existem times dedicados à criação de novos produtos, enquanto outros trabalham em soluções já existentes, com atualizações e novas funções. As equipes não são mais separadas e trabalham em um mesmo espaço, apesar de cada pessoa estar envolvida em um projeto diferente.

A impressão final da reportagem é que a reorganização não acontece devido ao fracasso do Fire Phone. Apesar de Bezos não ter enxergado isso, outros executivos da empresa viram que a situação estava complicada, e decidiram tomar atitudes já há alguns meses. No fim das contas, o pouco sucesso do smartphone não foi o gerador das mudanças, mas sim a prova final necessária para comprovar que os antigos sistemas realmente não funcionavam mais.

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