AWS discute privacidade na nuvem e sinaliza interesse em atuar com governo

Por Rafael Romer | 31 de Julho de 2013 às 11h57

Apesar da grande adesão de empresas e migração recente de dados em direção à computação em nuvem, parte do mercado, principalmente áreas mais "conservadoras", como a financeira, ainda hesitam um pouco quando forçadas a modificar suas estruturas. "Nós queremos mover para longe dessa ideia de que a nuvem é um serviço amorfo, que quando você coloca seus dados você perde algum controle sobre quem tem acesso a eles ou onde são armazenados", afirmou o líder de Ciência de Dados da Amazon Web Services (AWS), Matt Wood, em entrevista coletiva nesta terça-feira (31) durante a AWS Summit 2013.

A preocupação costuma retornar em momentos de tensão na área da segurança da informação, como as recentes denúncias de que o Brasil teria sido alvo de espionagem por parte de agências norte-americanas de inteligência. Questionado sobre as opções de segurança do serviço de armazenamento de dados AWS, Wood esclarece que são sempre os próprios clientes quem escolhem em qual das regiões geográficas de operação da AWS serão armazenados todos os objetos da empresa. 

O AWS possui hoje nove regiões geográficas de operação ao redor do mundo, cada qual com uma ou mais "zonas de disponibilidade" que são operadas dentro de um mesmo país. Atualmente, o Brasil possui duas zonas deste tipo, ambas localizadas no estado de São Paulo. "Nós podemos espelhar dados para propósitos de disponibilidade ou redundância entre data centers dentro de uma mesma zona geográfica, mas nós não espelhamos dados para fora dessas regiões", esclarece Matt.

Em termos de privacidade, Wood afirma que assim como qualquer empresa baseada nos Estados Unidos, a AWS está sujeita à ação de regulamentações locais de segurança, como o Patriot Act – que, entre outras ações, facilitou a obtenção de informações por agências de inteligência norte-americanas sobre indivíduos ou empresas. Entretanto, para o executivo, a questão é uma pequena "falácia" que tira a atenção do assunto principal:  "Normalmente existem políticas locais semelhantes [às norte-americanas] nos outros países, com abordagens e implicações similares", afirma. Por isso, Matt destaca a importância de que os proprios clientes investiguem as legislações locais sobre o tipo de dado que eles desejam criptografar no serviço.

Para o Diretor de Marketing da AWS, Juliano Tubino, ainda é necessária uma desmistificação e educação de pessoas sobre serviços em nuvem para diminuir as inseguranças de algumas delas com o fenômeno. "O trabalho que a gente tem feito são conversas mais maduras. Menos 'cloud é seguro' versus 'o que eu preciso fazer para ter minha segurança e controle do meu ambiente'", explica. "No nosso caso, a gente é responsável por essas camadas básicas de computação, de armazenamento, de networking e distribuição, não sobre o dado específico. A gente não tem controle e acesso ao dado, a gente tem controle do que sustenta aquele dado".

Expansão na América Latina

Apesar de afirmar que a capacidade dos serviços atuais dá conta da demanda local, a empresa tem planos de crescimento. Segundo Nilo, a Amazon trabalha com modelos de expansão no mercado latino-americano baseados em análises próprias de demanda. Neste mês a AWS já anunciou a abertura de um novo escritório no México.

A Amazon já aponta, inclusive, na direção de oferecer serviços para o governo brasileiro em momentos de pico de demanda por aplicações de baixa latência, como as eleições e a entrega do Imposto de Renda, por exemplo. "O que a gente tem hoje, com nossas zonas de disponibilidade, entregaria uma performance, uma segurança e uma disponibilidade acima do que a necessidade", explica Tubino.

Lançado em 2006, o Amazon Web Services é uma plataforma em nuvem da Amazon que oferece um conjunto de serviços de computação, soluções e infraestruturas para empresas de diferentes portes e áreas de atuação.  Entre os serviços mais vendidos está o Amazon S3 (Simple Storage Service), primeiro dos produtos da AWS, que oferece armazenamento de dados a baixo custo. Atualmente, o S3 já possui mais de 2 trilhões de objetos armazenados e recebe cerca de 11 milhões de requests por segundo, de acordo com a empresa.

Desde 2011 no Brasil, o Amazon Web Services já possui 385 clientes no país de áreas como varejo, finanças, mídia, e-commerce, energia, entre outras, além de outros 195 parceiros na América Latina.

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