Alibaba prepara "invasão ocidental" na próxima semana

Por Redação | 16 de Setembro de 2014 às 09h54

No ocidente, muita gente sequer sabe que existe uma grande empresa de e-commerce chinesa denominada Alibaba. A história é diferente para quem mora lá do outro lado do mundo e os especialistas em tecnologia já conhecem a gigante asiática há algum tempo. E não é para menos: sua estreia na Bolsa de Valores dos Estados Unidos deve ser uma das mais rentáveis da história.

O primeiro negócio da empresa foi com o site alibaba.com, criado pelo seu excêntrico fundador Jack Ma em 1999. Na ocasião, suas operações se limitavam a facilitar importação e exportação da China para outras localidades. De acordo com a BBC, em pouco tempo, os serviços da chinesa já estavam em mais de 190 países em todo o mundo.

Aos poucos, a Alibaba também foi crescendo em outras frentes: dominou o comércio eletrônico na China ao comprar o maior site de e-commerce do país, o taobao.com, e o tmall.com, que oferece produtos para a classe emergente. Em seguida, foi a vez da empresa conquistar o uso de pagamento digital na China, com o alipay.com, semelhante ao PayPal. Depois foi a vez do Sina Weibo, a versão chinesa do Twitter, e o Youku Tudou, similar ao YouTube.

Atualmente, além desses serviços, a Alibaba também fornece marketing online, computação em nuvem e operação de logística. Ou seja, a agora gigante chinesa executa e oferece serviços à altura de companhias como Amazon, eBay e Facebook, tudo numa só empresa. Eles também investem no futebol e detêm 50% do time mais bem-sucedido da China, o Guangzhou Evergrande. Agora, os planos incluem uma incursão pelo mercado de bancos.

Com essa força toda na Ásia, era questão de tempo para que a companhia começasse a expandir seus horizontes, principalmente no Ocidente e, claro, nos Estados Unidos.

"O eBay é um tubarão no oceano. Nós somos um crocodilo no Rio Yangtze. Se lutarmos no oceano, vamos perder. Mas se lutarmos no rio, nós venceremos". É com essa mentalidade que o criador da companhia planeja sua "invasão ocidental". Ou seja, trazendo a "briga" para seu modelo de negócio.

Para compreender melhor como se aplicam os modelos de negócios da Alibaba, é necessário entender o contexto no qual a empresa cresceu. Quando nasceu, em 1999, contava com apenas 18 pessoas empregadas. Hoje, soma mais de 22 mil.

A maior causa desse crescimento foi a exploração do mercado digital na China, que possui mais de 600 milhões de usuários de internet e população superior a 1,3 bilhão de habitantes. Em termos de comparação, os Estados Unidos têm 277 milhões de usuários de internet e toda a Europa chega a 546 milhões.

A China tem grande participação no comércio da Ásia, assim como a Alibaba. A especialista em pesquisas de mercado Forrester indica que, na Ásia, os gastos via varejo online devem chegar a US$ 489,7 bilhões até 2019. Nos Estados Unidos, esses números chegam a US$ 293,9 bilhões e em toda a Europa a US$ 209,7 bilhões (veja gráfico).

Alibaba

A Alibaba não só acompanhou o desenvolvimento do comércio digital, setor que domina 80% na China, como também fez parte do desenvolvimento de tecnologia de smartphones no país.

A expectativa das pesquisas da Forrester é que o número de celulares inteligentes chegue a 740 milhões na China em 2017. Isso é ainda mais animador para a Alibaba, que também já oferece facilidades para pagamento móvel. A Socidedade da Internet da China prevê que as transações desse tipo superem a marca de US$ 1,45 trilhão em 2015.

Com um mercado consumidor ativo tão amplo e vasto, a Alibaba pode ganhar receita de uma forma diferente de concorrentes como o eBay, por exemplo. Ao invés de cobrar uma taxa, proveniente de transações, a chinesa explora os anúncios em diversos sites.

Segundo números apresentados aos reguladores norte-americanos, 279 milhões de compradores ativos e 8,5 milhões de vendedores ativos usam serviços online Alibaba a cada ano e 14,5 bilhões de encomendas anuais são realizadas pelo serviço chinês.

Essa grande movimentação seduz grande parte dos anunciantes. Por outro lado, como a Alibaba cobra uma pequena comissão para conectar clientes e empresas, não precisa de grande infra-estrutura para fazer seu sistema funcionar. O que mais atrai os investidores nesse momento de abertura de capital na Bolsa de Valores é sua margem operacional, o quanto de suas receitas líquidas provenientes de vendas e serviços veio de suas atividades operacionais.

Em comparação com o eBay e a Amazon, a Alibaba ainda fica bem atrás nos lucros de vendas no varejo, onde as duas outras gigantes aumentam o capital com taxas e porcentagem pagas em cada venda (veja o gráfico).

Alibaba

Porém, a Alibaba fica bem à frente das concorrentes quando o assunto é Volume de Mercadoria Bruta (ou Gross Merchandise Volume - GMV), referente ao total das mercadorias vendidas durante um certo período de tempo, sem dedução de taxas ou despesas.

Enquanto a Alibaba conquistou cerca de US$ 296 bilhões no período de um ano, com vencimento em 30 de junho de 2014, o eBay faturou quatro vezes menos, US$ 76,5 bilhões. A Amazon, que não publica esses números, teria faturado US$ 100 bilhões nesse mesmo tempo, segundo estimativas da indústria (veja o gráfico).

Alibaba

A margem de operação, que mede a eficiência de seu serviço, está bem acima dos concorrentes e é por isso que os investidores estão tão animados para a estreia da empresa na Bolsa de Valores dos Estados Unidos na próxima semana (veja gráfico).

alibaba

O senhor Ma, que comemorou os dez anos da empresa de moicano e cantando música de Elton John, é uma figura querida na companhia e agora também celebra o sucesso: com os US$ 60 mil que emprestou dos amigos para criar a Alibaba, construiu um império e detém 7,3% das ações da empresa, cujo valor, segundo estimativas da Bloomberg, é de US$ 22 bilhões.

Fonte: http://www.bbc.com/news/business-29077495

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