A revolução do OpenFlow

Por Colaborador externo | 20 de Junho de 2014 às 16h25

por Douglas Falsarella*

Há tempos alguns fabricantes de equipamentos de telecomunicações têm trabalhado no desenvolvimento de produtos e tecnologia para as redes definidas por software. E, sem dúvidas, uma das inovações que, definitivamente, podem revolucionar a indústria, é o OpenFlow – a grosso modo, um tipo de programação muito mais simples dos tradicionais dispositivos de rede, por meio de uma interface padrão a todos. Sim, você leu corretamente: isso significa controlar seus switches, roteadores físicos e virtuais, de vários fornecedores, por meio de uma única ferramenta.

O que mais isso significa? Isso possibilita programar uma rede da mesma formacomo se programa um conjunto de computadores. A rede é manipulada na camada do software e isso pode, a médio e longo prazos, permitir que você atualize a sua tecnologia de rede sem precisar investir alguns milhares de reais na troca de equipamentos. O impacto para a indústria é enorme.

Na prática, o OpenFlow é plataforma aberta com uma arquitetura igualmente aberta, que possibilita mais flexibilidade às redes, e tornado-as mais responsivas quando se trata de adaptar-se a mudanças. Em uma rede OpenFlow, os switches fazem o roteamento do tráfego de rede de acordo com as regras que são configuradas no switch. Essa é uma mudança enorme de paradigmas, se pensarmos que, até então, qualquer mudança na rede acontecia, quase sempre, na camadafísica.

Essencialmente, o OpenFlow separa a camada de controle da camada de dados em um equipamento de rede – e última é que será a mais importante. Se o equipamento receber um pacote de informações para o qual ele não tem nenhuma regra de entrega, o pacote será devolvido a um controle central, que determina a ação a ser tomada. Então, o controle central é que adiciona um comando específico para que, por exemplo, o equipamento entregue os dados para o destinatário correto no futuro.

E essas instruções ao equipamento, enviadas pelo controle central, podem variar. Por exemplo, é possível estabelecer uma regra de mudança dos headers dos pacotes para que eles sejam enviados a uma determinada porta. É possível fazer o balanceamento de carga sem afetar a disponibilidade, este é um outro exemplo interessante. Tudo isso pode ser feito em um switch que não funciona com umsistema operacional proprietário, e cuja única instrução é acessar o controle central para administrar a entrega dos pacotes de dados.

O conceito, naturalmente, desafia o conceito tradicional de redes – cujas dificuldades em lidar com as novas tecnologias, como virtualização, por exemplo, têm se tornado um entrave para as empresas, que estão procurando novas alternativas a tecnologias com plataformas fechadas e sistemas operacionais que não se intercomunicam.

Com tantas mudanças no mercado de redes –e isso inclui também a chegada da SDN- é evidente que o padrão estabelecido até agora, que inclui redes definidas nohardware e sistemas operacionais proprietários, tendem a ser abandonados a médio prazo. Afinal, as mudanças não trazem somente uma atualização tecnológica, mas alteram radicalmente o uso da tecnologia. Agora, é só esperar pelos próximos capítulos.

*Douglas Falsarella é gerente de redes da Broadtec.

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