A evolução dos softwares fiscais

Por Colaborador externo | 10 de Março de 2015 às 16h30

por Alex Marin Silva*

Outro dia me peguei em uma discussão pautada no tema que sistemas fiscais nunca passaram por revoluções tecnológicas ao ponto de trazerem mudanças significativas para a vida dos usuários. Estas soluções, muitas vezes, são desprezados pelas empresas e fornecedores de software, pois criou-se o mito de que elas não trazem nenhum tipo de diferencial competitivo aos negócios dada a complexidade do sistema tributário brasileiro.

Todavia, já presenciamos sim grandes inovações disruptivas que mudaram a forma de muitos usuários trabalharem, cada qual ao seu tempo, seja por necessidade de adequação ou por evolução natural.

Os sistemas de grande porte, geralmente em Cobol, restringiam a sua operação aos CPDs (Centro de Processamento de Dados) das empresas e entregavam aos usuários em forma de relatórios de 80 ou 132 colunas dos então Livros Fiscais.

Este processo evoluiu nos anos 90 para os sistemas comerciais integrados, em sua grande maioria desenvolvidos em Clipper, levando os PCs para dentro das áreas fiscais e, apesar da interface de 80 colunas por 25 linhas em monitores fósforo e verde, cumpriam o seu papel com relatórios, arquivos texto, relatórios de críticas e conferências que apoiavam os usuários.

O início dos anos 2000 trouxe a necessidade uma outra revolução. Além de resolver questões relacionadas ao bug do milênio, veio também a necessidade de uma maior integração com os sistemas, porém os principais fabricantes estrangeiros negligenciaram o atendimento à legislação brasileira, surgindo assim os software complementares aos sistemas de gestão empresariais. Este foi um grande nicho para muitos que souberam navegar nesta onda.

De acordo com a cronologia acima, cada ciclo de mudança vem diminuindo sensivelmente. O mundo e os negócios vêm exigindo da tecnologia soluções que tragam agilidade para que os usuários ocupem o seu tempo com atividades mais nobres.

O Fisco, por sua vez, contribuiu trazendo algumas inovações timidamente iniciada pelo Sintegra (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços) e chegando ao moderno e aclamado modelo da Nota Fiscal Eletrônica, que faz parte de um projeto muito maior denominado projeto SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Este prevê a digitalização da forma de prestar contas com os órgãos do governo e vem mudando a forma das empresas trabalharem.

Porém, atualmente, nos deparamos com uma nova fase de ruptura, na qual é necessário, além da preocupação com a correta prestação de contas ao Fisco, o uso de sistemas que tenham a capacidade de processar grandes volumes de dados e sejam facilmente adaptáveis às centenas de mudanças promovidas anualmente, seja por requerimento legal ou de negócio ou ainda tecnicamente aderente às tendências, como nuvem e mobilidade. Esses softwares devem ser de fácil utilização e, principalmente, trazer uma experiência de uso mais agradável ao usuário, porque de difícil já basta a interpretação da legislação.

* Alex Marin Silva* é Innovation Manager da Sonda IT, maior integradora latino-americana de Tecnologia da Informação

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!