5 fatos que as gigantes da tecnologia não querem que você saiba

Por Redação | 01 de Outubro de 2015 às 09h17

O mundo da tecnologia é uma maravilha. Esta frase pode soar bastante verídica para você que lê este texto pela tela do computador, do smartphone ou do tablet, mas perde todo o sentido para pessoas envolvidas na cadeia de produção de um gadget no século 21.

Isso porque, em vários pontos, desde a extração de minérios em países africanos até a montagem dos equipamentos em fábricas espalhadas pelo Terceiro Mundo, muitos trabalhadores sobrevivem em condições tão degradantes que parecem ter vindo de relatos do século 19.

Alguns destes fatos são bastante conhecidos, mas outros ainda permanecem na penumbra glamourosa do mundo da tecnologia. Conheça agora algumas situações que as gigantes do setor provavelmente querem longe dos olhos do público.

1. A Foxconn ainda é uma fábrica de suicídios

Fatos sobre o mundo da tecnologia

Grades de proteção para evitar que trabalhadores se joguem pela janela. (Foto: Reprodução/Daily Mail)

A Foxconn é uma das principais montadoras de gadgets da atualidade, oferecendo esse tipo de serviço para inúmeras companhias, em especial para a Apple, mas também para Sony, Nokia, Nintendo, Motorola e Dell. A empresa é uma gigante, a maior empregadora privada de toda a China, mas a esmagadora maioria de seus funcionários não recebe tratamento digno.

O resultado deste tipo de situação é uma taxa considerável de suicídios entre os trabalhadores da companhia, com 14 mortes apenas em 2010 na fábrica instalada em Shenzhen. Para tentar conter a epidemia de operários colocando fim à própria vida, a empresa instalou redes de proteção nas janelas, tentando evitar que as pessoas se jogassem por elas.

Além disso, barras de ferro foram colocadas nas janelas dos dormitórios da empresa, lugares onde vivem de 300 a 400 mil pessoas. Apesar de tais medidas, os suicídios continuaram acontecendo — com sete mortes registradas entre 2010 e 2013 —, prova de que boas condições de trabalho talvez possam ser mais bem-vindas do que grades.

Ainda em 2010, as tentativas da companhia de impedir que o mal-estar de seus funcionários fosse tamanho a ponto deles tentarem suicídio, a companhia anunciou um aumento de US$ 9,7 por dia para cada um.

2. Operários da Foxconn precisariam trabalhar 967 mil anos para igualar fortuna do CEO

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Fábrica da Foxconn. (Foto: Reprodução/Daily Mail)

Você já parou para calcular quanto tempo precisaria trabalhar para acumular um patrimônio equivalente ao do seu chefe? Caso você seja funcionário da Foxconn, nós indicamos qual a fórmula: trabalhe, sem parar, por 967 mil anos (ou cerca 353 milhões de dias) e isso será possível.

Atualmente, um funcionário da maior empregadora privada da China recebe, em média, US$ 17 por dia. No topo da pirâmide, o presidente da empresa, Terry Gou, tem um patrimônio estimado pela revista Forbes de US$ 6 bilhões. E vale lembrar que os trabalhadores da Foxconn desempenham suas funções, em média, 70 horas por semana em condições nada convidativas.

E isso em uma rotina que lembra quase a de um campo de concentração, com disciplina militar e em um lugar onde o mandamento geral é: obedeça. Em 2012, uma agência de notícias chinesa enviou um repórter disfarçado para tentar uma vaga na linha de produção da Foxconn. Ele conseguiu, passou oito dias lá dentro e descreveu um cenário de terror.

Jornadas de trabalho extenuantes de 10h a 14h, volume excessivo de trabalho, até 160 horas extras mensais, comida ruim e condições de vida indignas são os componentes básicos dessa receita.

3. Muitas crianças trabalham na extração de minérios usados na indústria de tecnologia

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Crianças trabalhando em minas do Congo. (Foto: Reprodução/Newsweek)

A exploração do trabalho infantil ainda é uma triste realidade que existe no Brasil e em outras partes do mundo. Na cadeia de produção relacionada ao mundo da tecnologia, muitas crianças gastam suas vidas extraindo minérios. O Congo, país de onde vem boa parte do minério empregado na produção de gadgets, viu um aumento do trabalho infantil na última década.

De acordo com Department of Labor, dos Estados Unidos, 16,9% das crianças congolesas entre 5 e 14 anos trabalham na extração de minérios. De acordo com a organização BMS World Mission, 40% dos cerca de 100 mil mineradores congoleses são menores de 18 anos de idade — ou seja, 40.000 crianças e adolescentes perdendo suas vidas em trabalhos degradantes.

De cada 100 crianças operárias nas minas do Congo, 66 delas não terminam a escola e 77 fazem apenas uma refeição por dia. Além disso, elas recebem, em média, de US$ 1 a U$ 5 por dia de trabalho. E o exército congolês é um dos principais responsáveis por recrutar menores de idade. Além de estimular o trabalho infantil, o exército comete outro tipo fraude: controla cerca de 50% das minas em um país que proíbe o envolvimento das forças armadas neste tipo de negócio.

4. Milícias entre os fornecedores de minérios para a indústria

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Mina em Ruanda. (Foto: Marcus Bleasdale/National Geographic)

A maior parte do minério fornecido para as gigantes de tecnologia a partir da África (cerca de 80%) vem do Congo. Parte do restante, contudo, vem de países como Uganda, Burundi e Ruanda, país que viveu uma guerra civil intensa durante os anos 90 e que resultou no massacre de 800 mil pessoas em 1994.

Grupo responsável pelo massacre, a milícia conhecida como Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda atualmente controla diversas minas de extração naquele país, figurando entre os fornecedores da cadeia de produção de smartphones, tablets e laptops para as maiores empresas do ramo.

Em outros países africanos, os conflitos pelo controle das minas são também muito comuns, o que levou a ONU a propor um pacto com as companhias para intensificar a aquisição de minérios "livres de conflito". Organizações não governamentais como a Raise Hope for Congo auxiliam no monitoramento deste tipo de medida.

5. Extração mineral produz grande quantidade de lixo tóxico

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Lagoa de lixo tóxico na Mongólia. (Foto: ChinaFotoPress/Getty Images)

A Mongólia concentra grande parte (70%) dos metais raros utilizados na criação de computadores e smartphones. O processo de extração desses materiais acaba gerando inúmeros lagos podres de lixo tóxico, transformando regiões inteiras em verdadeiros esgotos tóxicos a céu aberto.

Em uma região próxima à fronteira com a China, um repórter da BBC encontrou uma lagoa tóxica de mais de 8 km de diâmetro formada a partir do lançamento desenfreado de dejetos advindos da extração mineral. Como se pode ver na imagem acima, não é pouca sujeira — a situação fica ainda mais evidente quando visualizada a partir do Google Maps.

Fontes: BBC, Breaking the Silence, Department of Labor, Forbes, Esquerda.net, Mic Gadget, US Uncut

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