17 jovens funcionários da IBM que podem mudar o futuro da empresa

Por Redação | 15 de Abril de 2015 às 15h07

A IBM está passando por um momento de crise. Em meio a problemas que incluem quedas drásticas nos valores de suas ações, demissão em massa e baixo desempenho de diversas unidades de negócios, a empresa está tentando ganhar novo fôlego para manter sua posição no mercado.

Enquanto por um lado fala-se a respeito da demissão de milhares de trabalhadores, a IBM diz que também está contratando muita gente nova para revitalizar áreas estratégicas para o futuro da empresa, como computação na nuvem e segurança digital.

Prestes a completar 104 anos em junho, a IBM foi procurada pelo Business Insider para apontar algumas das suas estrelas em ascensão que podem ajudar a companhia a respirar com mais tranquilidade e garantir um futuro melhor.

Conheça cada um desses potenciais "salvadores da pátria" da IBM:

Lisa Seacat DeLuca: a super inventora

Lisa Seacat DeLuca

Com apenas 32 anos, Lisa Seacat DeLuca é engenheira de software, mãe de gêmeos, e a mulher mais produtiva da IBM, com 370 pedidos de patente registrados em áreas como mobile, dados e computação na nuvem.

Ela está na IBM há 10 anos, e começou na empresa como estagiária na época de faculdade. "Nós fomos expostos a executivos da IBM e tratados como estrelas de rock. Eu sabia que tinha de trabalhar na IBM depois dessa experiência", diz Lisa. Hoje, ela oferece orientação ténica para a unidade da IBM Commerce, que cuida da parte de vendas, marketing e serviço ao cliente.

Lisa é muito criativa, e já criou até mesmo um pingente para colar que acende toda vez que uma hashtag específica é mencionada no Twitter. Ela também escreveu um livro infantil que ensina a contar em base decimal (base 10) do código binário. O projeto foi financiado pelo Kickstarter.

Vinith Misra: entre pesquisas e seriados

Vinith Misra

Membro da equipe de pesquisa do supercomputador Watson, Vinith Misra trabalha no enorme centro da IBM localizado em San Jose, na Califórnia. Machine learning, mineração de dados e processamento de linguagem natural para tecnologias emergentes fazem parte das suas funções.

Em seu tempo livre, ele é consultor técnico para a startup fictícia "Pied Piper', na 2ª temporada da série de humor da HBO "Silicon Valley". Na produção, Vinith diz que faz de tudo, "desde a concepção de algoritmos falsos até modelos matemáticos para piadas".

Vinith conta que entrou para a equipe de pesquisa do Watson em setembro de 2014, depois de terminar o doutorado e passar algum tempo na "terra das startups". "As pessoas tendem a associar startups com liberdade e grandes corporações com camisas de força, mas na verdade é ao contrário quando falamos de laboratórios de pesquisa da IBM", disse o pesquisador.

Ele foi responsável, entre outras coisas, por ensinar o supercomputador Watson a ler e analisar a personalidade dos personagens de O Senhor dos Anéis.

Etay Maor: combate ao cibercrime

Etay Maor

Etay Maor chegou à IBM por meio da compra de seu ex-empregador em 2013, a empresa israelense de segurança Trusteer, em uma negociação que envolveu cerca de US$ 800 milhões.

Na IBM, ele é um especialista em crime cibernético que atua como estrategista sênior de prevenção de fraudes no IBM Security. Ele observa ataques de hackers e ajuda as corporações a se defender deles. Etay também estuda diferentes grupos mal-intencionados que usam a internet e sua própria versão da "dark net".

"Para pegar ciberataques em tempo real nós precisamos entender como os criminosos organizados operam hoje em dia", explica. "Os dias de hackers solitários trancados em porões ficaram para trás – agora estamos lidando com grupos altamente sofisticados".

Katie Parsons: reinventando o e-mail

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Recentemente, a IBM lançou o Verse, a primeira plataforma de colaboração corporativa que entende as preferências e perfil do profissional para prover uma experiência direcionada nas tarefas diárias. O sistema reinventou a caixa de mensagens e incorporou redes sociais, análise de dados e nuvem. O IBM Verse foi um dos primeiros a sairem do calendário de projetos de inovação de design da empresa, estimado em US$ 100 milhões.

Katie é uma designer chave na equipe do Verse. Ela criou a barra de calendário que indica quando você está ocupado e quando você está livre (um recurso muito popular), mas ela também ajudou com o design geral e testes dos feedbacks dos usuários.

Ela chegou à IBM depois de passar quatro anos na indústria de publicidade. "A equipe de design da IBM tem sido o meu oásis", disse Katie.

Bill Grady: de pai para filho

 Bill Grady

Bill Grady faz parte da segunda geração de "IBMers". "Meus pais se conheceram na escola de vendas da IBM", explica. Ele trabalha como designer industrial chefe de produtos de servidor e armazenamento. Ele é responsável pela criação de nove patentes nos Estados Unidos que "ajudaram a tornar a tecnologia mais fácil para as pessoas usarem".

Internamente, ele é conhecido como o cara que ajudou a projetar os 6.600 metros quadrados do IBM THINK, na Disney World, onde as pessoas podem mergulhar em novas tecnologias por meio de experiências interativas, e ele também ajudou a lançar uma exposição semelhante no Museu de Ciências e Indústria de Chicago.

Grady também é coautor do estudo da IBM sobre como os millennials vão influenciar os locais de trabalho, desvendando vários mitos sobre os jovens trabalhadores.

Steven Pearson: voluntariado da IBM

Steven Pearson

Com cerca de 390 mil funcionários, a IBM tem um enorme corpo de voluntários, de onde ela envia especialistas ao mundo todo para fazer projetos pro bono (não remunerados) de consultoria, feitos com base no trabalho do Corpo da Paz (Peace Corps), uma agência federal estadunidense que visa ajudar os países em desenvolvimento.

O trabalho de Steven Pearson é gerenciar algumas dessas tarefas dos voluntários. Por exemplo, ele e uma equipe de 13 funcionários da IBM de 9 países diferentes recentemente fizeram um projeto na Angola, onde ajudaram a melhorar a tecnologia hospitalar da região, entre outras tarefas.

Jessie Rosenberg: tornando computadores mais rápidos e mais baratos

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Jessie Rosenberg

Jessie Rosenberg é um prodígio da tecnologia que se formou aos 17 anos na Bryn Mawr College, uma faculdade privada de artes liberais para mulheres localizada em uma comunidade da Pensilvânia, Estados Unidos. Ela terminou seu PhD em Física aos 23 anos.

Com esse currículo escolar, Jessie poderia ter escolhido trabalhar em qualquer lugar. Ela optou pelos famosos laboratórios de pesquisa da IBM para que pudesse inventar um novo tipo de chip de computador capaz de manipular a eletricidade e a luz para tornar os computadores mais rápidos e baratos, consumindo menos energia (conhecido como fotônicos de silício).

"Eu sabia que eu queria ter um impacto direto sobre as tecnologias que são utilizadas em produtos ao redor do mundo para fazer a diferença na vida cotidiana", disse Jessie, Ela escolheu a IBM por ser uma das poucas empresas onde ela poderia desenvolver uma tecnologia a partir de uma comprovação científica e fazer com que ela chegue até uma realidade manufaturável.

Jerry Chow: inventando um novo tipo de computador

Jerry Chow

Existe uma nova forma surpreendente de computação sendo desenvolvida chamada computação quântica, e o pesquisador da IBM Jerry Chow é uma das pessoas que dão vida a essa nova realidade.

Um computador quântico executa cálculos fazendo uso direto de propriedades da mecânica quântica, tais como sobreposição e interferência. Um computador comum tem uma memória feita de bits. Cada bit guarda um "1" ou um "0" de informação. Um computador quântico mantém um conjunto de bits quânticos (ou qubits). Um qubit pode conter tanto um "1" como um "0" ao mesmo tempo. Eventualmente, esses computadores podem ser assustadoramente poderosos, uma vez que pessoas como Chow descubram como torná-los estáveis.

"É improvável que um computador quântico substitua seu laptop ou tablet em sua casa", disse Chow. "Ele funciona melhor na resolução de certos problemas que são muito difíceis para computadores comuns". Eles podem, por exemplo, calcular todas as possíveis interações entre os átomos de uma molécula química, o que os torna ótimos em testes de novas drogas.

James Cipriani: o negócio do clima

James Cipriani

O clima pode ser um negócio muito sério. James Cipriani trabalha no serviço de nuvem chamado Deep Thunder, do supercomputador da IBM, que permite prever a previsão do tempo não apenas de determinadas cidades, mas também de bairros (algo chamado previsão do tempo hiperlocal).

Esse serviço é contratado por empresas que dependem do clima para funcionar, como companhias aéreas e torneios esportivos, por exemplo. "O tempo está amarrado a quase tudo. No fim das contas, não é necessariamente sobre o clima, mas sobre o impacto do clima", explica James.

Susann Keohane: tornando a tecnologia mais acessível para todos

Susann Keohane

Susann Keohane é uma inventora da IBM que possui mais de 125 patentes registradas e outros 300 pedidos de patente em seu nome. "Eu normalmente não tenho que procurar muito para encontrar uma ideia de patente. As ideias surgem com frequência a partir das coisas que eu vejo na vida cotidiana e no trabalho", explica Susann.

Ela já inventou um sistema que permite rever um e-mail que você enviou antes que o destinatário leia a mensagem. Sem dúvidas muitas pessoas já precisaram de um recurso como esse ao se arrepender pouco depois de apertar a tecla "enviar".

Na IBM, ela ajuda a criar tecnologias mais acessíveis para deficientes físicos, e também é voluntária em uma organização sem fins lucrativos chamada “Knowbility”, que visa melhorar o acesso à tecnologia para jovens e adultos com deficiência em todo o mundo. "Eu gosto da ideia de que as tecnologias que eu ajudei a desenvolver podem tornar o mundo um lugar melhor", disse.

Ela ainda faz parte da Academia de Tecnologia (AoT) da IBM, uma sociedade de líderes do setor de tecnologia, e também foi nomeada como mentora do programa Technical Women Pipeline (TWP).

Simone Bianco: usando matemática para curar doenças infecciosas

Simone Bianco

PhD em Física pela Universidade do Norte do Texas, Simone Bianco é membro da equipe de pesquisa do departamento Genômica Industrial e Aplicada da IBM. Ele já contribuiu para vários desenvolvimentos científicos nos campos da genômica computacional e biologia teórica, e atualmente seus principais campos de pesquisa são em biologia teórica evolutiva, especialmente na evolução do vírus de RNA.

Ele chegou ao centro de pesquisa da IBM um ano depois de trabalhar com o famoso microbiologista Raul Andino, da Universidade da Califórnia. Atualmente Bianco está "usando a matemática e a física para prever a evolução de doenças infecciosas".

Ele também está trabalhando para a fabricante norte-americana de chocolates Mars para encontrar maneiras de tornar o nosso abastecimento de alimentos mais seguro. Bianco concorda com as terríveis advertências de Bill Gates de que o mundo não está preparado para impedir uma epidemia.

Jamie Garcia: um novo tipo de plástico

Jamie Garcia

A pesquisadora de 31 anos da IBM, Jamie Garcia, inventou um novo tipo de plástico super duro de forma totalmente acidental. Ela estava trabalhando em uma pesquisa sobre polímeros quando bagunçou sem querer um experimento. Deixando os termos técnicos de lado, ela basicamente criou uma substância tão dura que foi preciso quebrar o vidro para chegar até essa substância que nem ela e nem seu chefe sabiam do que se tratava.

"Eu percebi que eu tinha feito um plástico muito forte, e comecei a trabalhar para descobrir a sua estrutura química. Cerca de um ano de pesquisas mais tarde, finalmente fomos capazes de juntar todas as peças. Este foi um momento muito emocionante pra mim: tínhamos conseguido fazer um novo polímero que também podia ser reciclado".

A descoberta de Jamie pode ser utilizada para fazer aviões recicláveis, carros, e uma série de coisas que acabam em lixões. Além disso, esse foi o primeiro novo tipo de plástico criado nos últimos 30 anos.

Will Ehrenfeld: um novo jeito de ensinar as crianças

Will Ehernfeld

Will Ehrenfeld era um professor de história social quando foi recrutado pela IBM para liderar um interessante programa patrocinado pela empresa para criar um novo sistema educacional de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Baseado em uma escola emblemática do Brooklyn, em Nova York, o programa envolve um curso de seis anos de estudo chamado Pathways in Technology Early College High School (P-TECH).

"P-TECH é um modelo de educação pioneiro que combina ensino médio, universidade, e a indústria para preparar alunos de escolas públicas para carreiras no setor de TI", explica Will. "Ele já se espalhou para 27 escolas nos EUA — e outras empresas, incluindo a Microsoft, têm adotado o mesmo método".

Kelly Chambliss: poderosa líder e mentora

Kelly Chambliss

Kelly Chambliss é diretora-chefe de tecnologia (CTO) e diretora de estratégia na unidade de consultoria de serviços globais da IBM. Ela chegou à empresa há mais de 10 anos, quando a companhia comprou a Pricewaterhouse-Coopers Consulting, em 2002.

Atualmente, ela é extremamente ativa em um programa que orienta jovens mulheres promissoras na empresa, a chamada Network of Emerging Women (NEW), que significado algo como Rede de Mulheres Emergentes da IBM.

"Há alguns anos, eu incentivei alguém que eu liderava a se jogar em uma atividade que estava claramente fora da sua zona de conforto. Dois anos depois, ela foi convidada para o seu 'emprego dos sonhos' dentro da IBM — um papel que não estaria disponível de outra forma para ela", conta.

Além disso, ela também é mentora em alguns programas de liderança, e está escrevendo um livro sobre como as mulheres que praticam esportes de equipe podem aprender sobre negócios.

Stacy Hobson: da ficção científica para a vida real

Stacy Hobson

A cientista Stacy Hobson está trabalhando em pesquisas relacionadas ao universo da ficção científica que giram em torno de hologramas, comandos de gestos, e coisas do tipo.

"Há ideias ainda mais emocionantes relacionadas à ficção científica no que diz respeito ao controle da mente. Eu não tenho certeza se vamos chegar a interações por meio do controle mental, mas há pesquisas atuais em torno da implantação de chips no cérebro para trazer essa possibilidade o mais próximo possível da realidade", explicou.

Além dessas pesquisas que parecem sair diretamente da tela dos cinemas, ela também trabalha em coisas mais "palpáveis", como uma patente registrada de uma tecnologia que permite que os aplicativos de smartphones compartilhem dados.

Fadi Gebara: o poder do OpenPower

Fadi Gebara

Uma das novas iniciativas extremamente importantes da IBM é a chamada Fundação OpenPower. Trata-se de uma organização onde a IBM permite que as empresas associadas personalizem processadores e plataformas para a otimização e inovação dos seus negócios. Basicamente, a empresa deixa que elas criem novidades com base na arquitetura de microprocessadores IBM Power com a ideia de impulsionar a tecnologia e atrair mais usuários.

A Fundação OpenPower é uma maneira de conseguir o apoio da indústria, e por outro lado também convence empresas a comprar servidores OpenPower da IBM, enquanto reduz os custos de desenvolvimento da companhia. O Google, por exemplo, usa os chips OpenPower para os servidores que ele mesmo constrói.

"Passo a maior parte do meu dia com a minha equipe tendo ideias sobre como tornar os nossos sistemas melhores para nossos clientes. Nós sonhamos em ter novas maneiras de explorar a arquitetura do sistema 'Power'", explica Fadi.

Inhi Cho Suh: a rainha das aquisições

Inhi Cho Suh

Uma das áreas mais importantes da IBM é a sua unidade de análise de dados, que fatura US$ 17 bilhões por ano, e Inhi Cho Suh é uma das feras por trás do negócio.

A IBM tem dominado o mercado de análises por décadas, mas, graças à tendência Big Data, onde qualquer empresa pode armazenar grandes quantidades de dados, a análise tem se tornado acessível para mais empresas e utilizada para muitas coisas. Essa é, sem dúvidas, uma grande área em crescimento na IBM.

Suh é uma vice-presidente que ajudou a empresa a investir US$ 24 bilhões nessa unidade, incluindo cerca de 30 importantes aquisições. "Eu peguei um emprego temporário no marketing da IBM e estou lá desde então", conta Suh.

A agenda da executiva é extremamente concorrida, e ela vive viajando pelo mundo. Enquanto passa a segunda-feira na Coreia do Sul, trabalhando com pesquisadores da Internet das Coisas e fazendo reuniões com o governo, na quarta-feira ela está em São Francisco (EUA) para se reunir com parceiros de negócios, e na sexta-feira volta para Nova York para discutir futuras aquisições da IBM. "É muito emocionante e intenso", resume Suh.

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