Pernambuco pode receber projeto inédito de sistema de energia solar em 2017

Por Redação | 06 de Setembro de 2016 às 19h58
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O uso de energia solar ainda não é amplamente usado no Brasil, mas isso não significa que o país não receba iniciativas que promovam esse sistema. Agora, a Companhia Hidrelétrica de São Francisco (Chesf) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com um instituto alemão, estudam trazer um projeto inédito para ser usado como alternativa às hidrelétricas.

A ideia é construir um projeto-piloto no município de Petrolina, em Pernambuco, já no ano que vem, para testar a tecnologia heliotérmica que, ao contrário dos equipamentos solares usados no país, pode armazenar energia para ser usada, inclusive à noite.

A geração de energia heliotérmica usa o sol como fonte indireta de eletricidade. Ela funciona com um conjunto de captadores espelhados, distribuídos em uma área plana. Os espelhos se movimentam de acordo com a posição do sol e refletem os raios para uma torre solar, que por sua vez armazena o calor e o transforma em energia. Ela é diferente da geração de energia solar fotovoltaica, já explorada no Brasil, que não é capaz de guardar o calor produzido.

Segundo Paulo Alexandre Rocha, professor da UFC e coordenador do Laboratório de Energia Solar e Gás Natural da instituição, os painéis fotovoltaicos exigem um sistema de baterias mais caro e têm limite de aleatoriedade, o que significa que, se não tiver sol, então eles terão de fazer uso da hidrelétrica como complementação. A energia eólica é similar, pois, se não há vento, é necessário acionar turbinas da hidrelétrica para compensar a baixa produção. Ou seja: o país ainda é muito dependente das usinas hidrelétricas, que geram cerca de 65% da eletricidade de todo o Brasil.

Com o sistema de armazenamento térmico é bem diferente: além de ser mais viável, a energia fica guardada em forma de calor para, no momento em que for preciso, ela ser acionada, inclusive à noite. É por isso que Petrolina não foi escolhida por um acaso, já que o território semiárido é ainda mais propício para o funcionamento do projeto.

"À medida que os recursos hídricos estão exíguos e deficitários, e até por uma questão de hidrologia estão com pouca água, se faz necessário que rapidamente a gente encontre outra alternativa para armazenamento de blocos de energia. A energia heliotérmica é uma grande esperança para a produção energética do futuro, uma das mais atraentes", disse Benedito Parente, assessor de Planejamento Estratégico da Chesf.

Petrolina

A cidade de Petrolina, em Pernambuco.

Outro ponto considerado inovador por Rocha é uma variação no mecanismo de captação de calor da torre. Enquanto iniciativas de outras regiões do mundo operam essa etapa com sal fundido, a tecnologia escolhida pelos cientistas usa o ar, em um sistema batizado de "receptor volumétrico aberto". Atualmente, ele está sendo usado em uma usina heliotérmica piloto, construída na Alemanha pelo Instituto solar de Jülich (SIJ), parceira da Chesf e da UFC no desenvolvimento da torre solar de Petrolina, que deve ser semelhante ao modelo implantado na cidade alemã. A empresa alemã Kraftanlagen München GmbH fornecerá a tecnologia necessária.

Previsão de entrega

Para que a ideia seja concretizada, o grupo tenta conseguir R$ 45 milhões em recursos junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio de uma chamada pública do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica. Segundo Parente, o prazo para receber uma resposta da agência é de até 60 dias.

Em agosto, a proposta passou por adequações a pedido da Aneel. Caso seja aprovada, começará a dar os primeiros passos em 2017 e será desenvolvida em até três anos e meio. O estudo deve dar mais detalhes em relação ao armazenamento da energia, como detectar qual a capacidade e por quanto tempo ela pode ser "guardada". Os autores da iniciativa também esperam descobrir a viabilidade econômica da tecnologia, ou seja, qual o custo-benefício do equipamento.

Por fim, Rocha destacou que, para aproveitar a oportunidade de ganho com pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, o sistema escolhido foi o Ciclo Rankine Orgânico, que tem o potencial de reduzir perdas de calor e, consequentemente, de energia. A previsão é que esse bloco de produção gere energia suficiente para alimentar as próprias instalações da Chesf, com a expectativa de atender inclusive ao local onde serão desenvolvidas as pesquisas do projeto-piloto. A viabilidade econômica da aplicação desse sistema também vai ser estudada no decorrer dos 40 meses de trabalho.

Fonte: Agência Brasil