"Peixe no tubo" viralizou, mas você já viu a nova versão desse incrível sistema?

Por Daniele Cavalcante | 17 de Agosto de 2019 às 19h00

“Quem dera ser um peixe, para no tubo dos peixes deslizar”.

Essa é apenas uma das muitas piadas de internautas - baseadas na música "Borbulhas de Amor, do cantor Fágner -  sobre um vídeo que viralizou nas redes sociais nos últimos dias. No vídeo, salmões são colocados dentro de um tubo e viajam uma grande distância em questão de segundos. O “passeio” dos animais é tão rápido quanto curioso, e em pouco tempo os peixes caem no rio, onde podem voltar a nadar.

Se você perdeu, confira:

Mas por quê? Qual a razão disso? A resposta não poderia ser diferente: para salvar esses animais das interferências e alterações que o Homem causou no ambiente deles. Sim, a culpa é nossa (como quase sempre). Salmões são diretamente afetados pelas alterações no curso de rios para construção de hidrelétricas e represas. As descidas se tornam planas, a temperatura muda, entulho fica no meio do caminho e eles precisam superar barreiras complicadas. Nem todos conseguem.

É como se você, que faz todos os dias o mesmo caminho para ir ao trabalho, de repente encontrasse as ruas alteradas, esquinas nos lugares errados, ladeiras que se tornaram planas. Tudo fora do lugar. Confunde o senso de qualquer um e peixes não têm mapas com GPS.

Como o ciclo de migração dos salmões ficou completamente bagunçado, eles deixam de se reproduzir, se tornam alvo fácil para predadores e, a sobrevivência das espécies fica ameaçada - aliás, algumas espécies deles já estão ameaçadas de extinção. Já é um problema antigo e algumas outras soluções já foram utilizadas, só que sem a mesma eficácia do “tubo de peixe”, como os internautas chamam o sistema de transporte criado pela empresa "Whooshh".

Acontece que o vídeo do tubo que viralizou na internet é uma versão antiga do sistema. A empresa já colocou em ação uma versão melhorada e, dessa vez, nenhum humano precisa tocar nos salmões. Isso torna a experiência dos peixes bem menos traumática e mais intuitiva. É que agora, a entrada para o tubo fica em uma pequena cachoeira artificial, para a qual os animais são naturalmente atraídos. Ao chegar no buraco, eles tentam entrar instintivamente, e são assim transportados até o outro lado do rio.

De acordo com um estudo divulgado pela empresa, 97% dos peixes não sofrem nenhum tipo de dano ao atravessar o novo canhão, o que inclui qualquer tipo de estresse que a viagem possa causar. Claro, não gostamos de saber que 3% sofrem com algum tipo de dano, mas o método tem sido bem visto pelo órgãos competentes. Por exemplo, o centro de estudos marinhos da Universidade de Oregon o aprovou o canhão. "É uma tecnologia muito interessante, que pode ajudar os peixes a se movimentarem, e ter inúmeras aplicações", afirmou Gil Sylvia, diretor do centro.

Esperamos que futuras versões do sistema consiga realizar o trabalho sem causar danos a nenhum animal.

Fonte: UOL

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