Empresa sustentável ou ecoeficiente?

Por Eduardo Benson

Passado um século e meio desde o surgimento das primeiras corporações e, associadas a elas, um histórico preocupante de suas externalidades (efeitos negativos), alega-se, ultimamente, que elas devem trabalhar em benefício dos stakeholders e do planeta. No entanto, isso não significa que 150 anos foram suficientes para que a postura das empresas tenha se modificado concretamente.

Os prêmios e selos de “empresa sustentável” parecem ser premeditados. Ainda é muito cedo para se falar em modelos de organizações que se ajustam adequadamente aos conceitos supremos da sustentabilidade. Como defende Hans Michael Bellen no seu livro Indicadores de Sustentabilidade, “um único ator, como uma empresa ou comunidade, não pode ser considerado sustentável em si mesmo; uma parte não pode ser sustentável se outras não o são”.

No livro campeão de vendas de Andrew Savitz, A Empresa Sustentável, – seus subtítulos são “o verdadeiro sucesso é o lucro com responsabilidade social e ambiental” e “como a sustentabilidade pode ajudar sua empresa”. Total inversão de ambos os conceitos quando ainda se esperam respostas sobre o que a empresa pode fazer para a sustentabilidade e qual a sua responsabilidade com relação ao seu entorno e stakeholders.

Conforme o senso comum corporativo, não há dúvidas quanto aos benefícios que as organizações vêm auferindo com o desenvolvimento de novos produtos e serviços, além de procurar ter uma gestão controlada dos recursos renováveis e não-renováveis. Apesar disso, a maioria está focada em conceitos de eco-eficiência, que é diferente de sustentabilidade.

Tem sido o mercado e, em menor grau, a sociedade que impõem às organizações um permanente processo de negociação, gestão de conflitos com os grupos de pressão e os jogos de poder necessários para atender a requisitos de governança corporativa.

No caso do Brasil, qual o sentido dessa correria para receber tal título quando a sociedade brasileira padece de falta de informação e sensibilidade em relação aos problemas ambientais?

E se é a maioria da população que apresenta desinteresse no que as organizações andam fazendo em termos de sustentabilidade, ao que tudo indica, há uma falha na análise de retorno de investimentos em ações que parecem mais preocupadas em promover a figura de empresa sustentável. Quanto se consegue vender em relação aos custos das ações, sejam ambientais, sociais ou econômicas? Se os resultados são satisfatórios, deve-se perguntar se o foco está nas estratégias de eco-eficiência, que são mais centradas nos aspectos operacionais da empresa com seu processo de produção, comercialização, envolvendo fornecedores e parceiros.