Jac Motors T5: os chineses estão aprendendo a falar português [CT Auto]

Por Igor Lopes RSS | em 14.10.2016 às 14h21

Hoje o nosso brinquedo de quatro rodas é o Jac T5, um SUV com preço de sedã. Esse é o grande atrativo desse carro, que tem como tática custar menos que a concorrência direta. Mas será que vale a pena? É o que vamos dizer agora.

Ficha técnica

Os chineses fizeram um bom trabalho ao pesquisar o mercado brasileiro e ofertar um SUV compacto que agrada ao gosto do freguês. O T5 é bonito, tem uma frente que remete àquela carinha brava, inaugura alguns equipamentos dentro de veículos chineses oferecidos no Brasil e consegue fazer isso com preço baixo – algo fundamental na escolha de um carro entre o brasileiro médio. Ele chega para ser, na prática, uma opção ao Honda HR-V, ao Jeep Renegade, ao Ford EcoSport e ao Renault Duster.

Medindo 4,33 metros de comprimento e 1,77 metro de largura, temos um entre-eixo de 2,56 metros e assoalho praticamente plano, o que garante bastante conforto para cinco ocupantes. O espaço para perna, ombros e cabeça também é muito bom. Na frente, o para-brisa avançado dá ainda mais essa impressão de amplitude. O porta-malas de 600 litros cabe tudo e mais um pouco que a família quiser carregar.

O Jac T5 é oferecido em três versões no Brasil. A que testamos é a Pack 3, mais completa, que tem bancos de couro, controle de estabilidade, assistente de partida em rampas, rodas de liga leve, luzes diurnas de LED, rack de teto, faróis de neblina e central multimídia de oito polegadas. Por baixo do capô, temos um motor de 4 cilindros 1.5 16v, flex com pré-aquecimento de combustível na partida a frio, com potência de 125 cv em gasolina e 127 cv em etanol. Não podemos dizer que esse conjunto é um exemplo de agilidade ao carregar os 1210 kg do SUV compacto. Mas faz o seu papel e também é relativamente econômico: em nossos testes, conseguimos a marca de 11 km na estrada e 7,5 na cidade com etanol.

Um detalhe que incomoda quem já tá acostumado com o câmbio automático é a presença de um câmbio manual nesse carro aqui. Mas é temporário. A JAC já avisou que a próxima versão, prestes a ser lançada por aqui, trará câmbio automático. Ponto para os chineses.

Por enquanto, a opção é pelo câmbio manual de 6 marchas e ele tem alguns pontos questionáveis. O primeiro é que parece que o sequenciamento das marchas é irregular. Às vezes, para ultrapassar ou conseguir retomadas mais fortes, é preciso reduzir até duas marchas. Os engates da transmissão também são curtinhos, às vezes dá a impressão de que a marcha não foi engatada direito. Mas a direção elétrica e a suspensão são bem macias, mais até do que alguns rivais do segmento. É fácil manobrar com esse grandão.

A performance dele é muito voltada para o dia a dia das cidades. Nas estradas ele segura bem, mas falta o piloto automático para dar mais conforto em períodos longos ao volante. Quem sabe isso não chegue na versão que também trará o câmbio automático? 

Acabamento

No geral, o visual do carro é moderno e tem várias linhas que compõem bem o design. A frente tem a aparência agressiva que já comentamos aqui, com uma grade hexagonal grande e barras cromadas bem grossas. Tem ainda LEDs diurnos logo abaixo dos faróis principais, e grandes faróis de neblina rentes à parte inferior do protetor. Nas laterais, apliques cromados na parte inferior das portas e nas maçanetas dão um certo charme.

Os retrovisores com repetidores de direção são grandes e oferecem boa visibilidade traseira por ali – já pelo retrovisor interno, a visibilidade é um pouco comprometida pelo pequeno recorte de vidro na traseira. Por falar na traseira, aqui temos um conjunto imponente, que acaba fazendo o carro parecer maior do que ele realmente é. As lanternas são elegantes, e ele tem ainda luz de ré e de neblina. No pack 3, que testamos, tem ainda o sensor de estacionamento e câmera de ré. As rodas de liga leve são bonitas, mas bem que valia esse carro ganhar uma roda de aro 17. A 16 pareceu pequena para o conjunto...

Por dentro, o painel é amplo, mas pouco atraente. O ar condicionado automático é outro ponto positivo, mas não é dual zone. O computador de bordo traz medidor de consumo instantâneo, médio e a autonomia. Aqui no meio, o braço central é ajustável, pode ser colocado um pouco para frente ou para trás, mas não é tão confortável ou longo quanto o de outros SUVs compactos. 

O volante é simples, vem apenas com comandos de telefonia e mídia do lado direito: volume, mudo, atender ligações e search por rádios ou contatos da sua agenda telefônica. O acabamento dele também é em couro, mas não existe ajuste de profundidade: só de altura.

O comando de espelhos está num lugar pouco convencional, aqui abaixo do painel no lado esquerdo. Do lado, uma novidade entre os chineses: os botões para controle de tração e estabilidade. O T5 tem também o assistente de partida em morros.

No banco de trás, os cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos, além do isofix, garantem a segurança de todos os passageiros. Tem ainda um apoio de braço retrátil e porta-copos para maior conforto dos caroneiros. Se atrás temos bastante espaço para copos e porta-objetos, na frente esse espaço é limitado. 

Central multimídia 

É uma central multimídia direta ao ponto, digamos assim. Não tem frescura, não tem muitas funções inúteis e a tela é de respeito: 8 polegadas sensível ao toque. Para conectar o smartphone via Bluetooth, também é simples. A única questão é que você precisa definir uma senha de quatro dígitos para o pareamento. Também não tem navegador integrado, mas quem usa isso hoje em dia com Wazes e Google Maps nas mãos de todos? Isso é uma ótima tática, que diminui custos com pagamento de licenças para as fornecedoras dessas tecnologias.

Apesar dessas vantagens da central multimídia, temos aqui um problema. A JAC fala que é possível espelhar a tela de smartphones Apple e Android aqui. Ela só esquece de deixar claro que é preciso ter um cabo especial, que conecta o microUSB ao HDMI do carro. E ele não vem junto com o veículo. E ele é caro. Caso você queira mesmo fazer isso, é preciso correr atrás desse acessório.

Tem ainda os botões sem iluminação. e isso dificulta um pouco o uso durante a noite. Aqui, é possível reproduzir DVDs, ver as imagens da câmera de ré quando em funcionamento.

Conclusão

Parece que os chineses estão aprendendo a falar português, assim como os japoneses e sul-coreanos já aprenderam na década passada. Talvez pelo mau histórico, as pessoas tenham medo de apostar em um carro chinês por aqui, mas o T5 chegou para, quem sabe, mudar essa fama. E tem mais: esse modelo deve começar a ser fabricado no Brasil a partir do ano que vem. Uma fábrica em Camaçari, na Bahia, está sendo preparada para produzir 20 mil unidades por ano.

A grande dúvida de muita gente quando se fala dessas marcas menores no país é a seguinte: vale a pena comprar um carro chinês? Vamos dizer que, no caso do T5, sim, vale a pena, se você quer muito um SUV e o orçamento anda apertado. Afinal, R$ 73.000 num carro desses – ou R$ 67.000 na versão mais básica – é um negócio muito bom.

Mas será que ele vai dar trabalho na manutenção? Será que ele é fácil de vender no mercado? Se você tem ou já teve um JAC, conte para nós sua experiência aqui nos comentários! 

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome