Dual boot vs máquina virtual: qual a melhor forma de rodar dois sistemas num PC?

Por Sérgio Oliveira RSS | em 12.10.2015 às 11h08

Dual boot vs máquina virtual

Apesar de muita gente ainda brigar para definir qual o sistema operacional definitivo, a verdade é que esse conflito vem perdendo força nos últimos tempos. Até mesmo as empresas desenvolvedoras do Windows, OS X e Linux, os mais populares sistemas da atualidade, deram as mãos e não querem mais saber de brigar há algum tempo. 

Portanto, podemos dizer que, sim, preferir um sistema operacional em relação a outro atualmente é mais uma questão de gosto, de se sentir confortável, do que qualquer outra coisa. Isso porque cada um deles é único e atende aos usuários de uma maneira diferente, suprindo às vezes mais uma necessidade do que outra. 

Para suprir demandas específicas, muitas pessoas simplesmente optam por adotar mais de um sistema operacional numa mesma máquina. É o caso, por exemplo, de quem trabalha no ramo da programação, onde muitos profissionais preferem o Linux para escrever suas linhas de código, mas precisam depurar suas soluções em ambiente Windows; ou um artista que pode ter no Windows o ambiente perfeito para manipular imagens por causa do Photoshop, mas preferir utilizar o Linux em casa, por exemplo. 

Para esses e muitos outros casos, não há a necessidade de adquirir um novo computador só para rodar outro sistema operacional. Graças ao poder de processamento e a quantidade absurda de memória dos computadores atuais, é perfeitamente possível rodar múltiplos sistemas num só lugar, seja através do dual boot ou da utilização de máquinas virtuais. 

Brigar por causa de sistema operacional é coisa do passado. Hoje, até mesmo as donas dos principais sistemas operacionais se uniram. Exemplo disso é a Microsoft, que já tornou pública a utilização do sistema open source no desenvolvimento de plataforma de computação na nuvem

Brigar por causa de sistema operacional é coisa do passado. Hoje, até mesmo as donas dos principais sistemas operacionais se uniram. Exemplo disso é a Microsoft, que já tornou pública a utilização do sistema open source no desenvolvimento de plataforma de computação na nuvem (Imagem: Reprodução) 

A grande questão é: qual o melhor método para fazer isso? Mais do que isso, quais as vantagens e desvantagens de cada um deles? E, por fim, qual o mais adequado para o seu caso? É justamente sobre isso que iremos falar nas próximas linhas. 

Dual boot: prós e contras 

Para quem não está familiarizado com o termo, o dual booting consiste em colocar dois ou mais sistemas operacionais para rodarem de maneira independente num mesmo computador, cabendo ao usuário definir qual sistema será utilizado cada vez que a máquina é iniciada. 

A técnica se popularizou bastante nos últimos anos graças às distribuições Linux, que passaram a vir com ferramentas que facilitam a instalação e configuração do dual boot. Embora pareça complicado, todo o processo é feito praticamente de maneira automática, exigindo pouquíssima interferência do usuário na hora da instalação do sistema do pinguim no PC

Neste caso aqui, o maior benefício para o usuário é que ele poderá usufruir de todos os recursos do computador sem ter que compartilhá-los com outro sistema operacional. Portanto, o processador, placa de vídeo e memória RAM estarão 100% disponíveis para o uso do sistema, já que apenas um único sistema pode ser executado por vez. Dessa forma, você que é usuário Linux, por exemplo, pode desfrutar da gigantesca biblioteca de jogos para Windows sem maiores problemas, bastando mudar de sistema na hora que quiser iniciar a jogatina. 

Típica tela de seleção de sistema operacional quando há instalada uma ferramenta para seleção de boot de sistema operacional. Na imagem, o GRUB permite selecionar qual sistema inicializará

Típica tela de seleção de sistema operacional quando há instalada uma ferramenta para seleção de boot de sistema operacional. Na imagem, o GRUB permite selecionar qual sistema inicializará (Imagem: Reprodução) 

Outra característica do dual booting é que o disco rígido do usuário obrigatoriamente será particionado em duas ou mais seções, já que cada sistema operacional utiliza um esquema diferente de organização de arquivos. Portanto, vamos presumir que você tenha um HDD de 1 TB e quer instalar tanto o Windows quanto o Linux nele. Para fazer isso, você terá que particionar, por exemplo, 500 GB para o Windows e 500 GB para o Linux. Também serve se você tiver dois discos separados, podendo dedicar cada um deles para um sistema em particular. 

O grande problema disso tudo é que o espaço particionado para um sistema deixa de "existir" para o outro. Logo, caso você estoure a capacidade de armazenamento da partição destinada para o Windows, por exemplo, não poderá recorrer àquele espaço extra que tem na partição do Linux, já que ela está inacessível. 

Essa diferença entre as partições também impede que o usuário acesse um arquivo armazenado na partição do outro sistema operacional, requerendo que o usuário reinicie o computador e selecione o outro software na hora do boot. Dependendo da quantidade de vezes que você precisará mudar de sistema, esse troca-troca pode se tornar um inconveniente e acabar com sua paciência. 

Se mesmo assim você quiser dar uma chance ao dual booting, o conselho é que primeiramente você instale o Windows e logo depois instale o Linux. Dessa forma você evita dores de cabeça e ainda desfruta de toda a assistência do sistema do pinguim, que fará a instalação e configuração do dual boot de maneira bem transparente. 

Máquina virtual: prós e contras 

Houve um tempo que falar de máquinas virtuais causava arrepios em muita gente. Atualmente, essa realidade mudou e praticamente todos os softwares de máquina virtual trazem perfis pré-definidos de todos os sistemas operacionais, o que facilita bastante o processo de criar e rodar uma máquina desse tipo e abre espaço até mesmo para os mais leigos. Embora o fim seja o mesmo, é importante ressaltar, antes de qualquer coisa, que utilizar máquinas virtuais não é nem pior tampouco melhor que o dual boot, mas apenas diferente. 

Para resumir a história ao máximo, as máquinas virtuais podem ser consideradas emuladores de sistemas operacionais que rodam em um sistema operacional principal. O sistema que está sendo emulado geralmente é chamado de OS convidado, enquanto que o outro é chamado de OS hospedeiro. 

Aqui, tudo funciona como se fosse aquele emulador que você utiliza para jogar Super Nintendo, Mega Drive ou PlayStation no seu PC. O sistema convidado é aberto numa janelinha e você pode utilizá-lo sem a necessidade de reiniciar o computador. Além disso, também é possível rodar múltiplos sistemas operacionais simultaneamente, bastando mudar a janela para mudar de SO. 

Além da conveniência, há um fator que pesa bastante a favor das máquinas virtuais: a segurança. Isso porque tudo funciona num ambiente de contenção, que dificulta bastante que qualquer problema que ocorre na máquina virtual se espalhe ou afete o sistema hospedeiro. Se por exemplo você pegar um vírus o de repente uma configuração errada fizer com que a máquina não funcione mais, basta fechar a janela e reinstalar o sistema para tudo voltar aos trilhos, sem ter que se preocupar se o PC como um todo foi afetado. 

Outra característica interessante que pesa a favor das máquinas virtuais é que todo o seu conteúdo é armazenado em arquivos que funcionam como discos rígidos virtuais. Além de dispensar o inconveniente de ter que particionar o HDD, essa técnica permite carregar sua máquina virtual para a casa de um amigo num pendrive e abri-la lá, bastando apenas ter o mesmo "emulador" instalado. 

Um dos grandes baratos das máquinas virtuais é que além de poder testar sistemas atuais, você também pode testar sistemas antigos e reviver os bons e velhos tempos

Um dos grandes baratos das máquinas virtuais é que além de poder testar sistemas atuais, você também pode testar sistemas antigos e reviver os bons e velhos tempos (Imagem: Captura de tela / Sergio Oliveira) 

Embora tudo pareça mil maravilhas, a verdade é que toda essa conveniência tem um custo que pode acabar fazendo algumas pessoas optarem pelo dual boot. O maior revés é justamente a limitação dos recursos disponíveis, já que CPU, placa de vídeo, memória RAM, etc. são compartilhados com o sistema hospedeiro. Ou seja, caso você decida executar o Linux numa máquina virtual no Windows, saiba que ele jamais rodará 100%, podendo, inclusive, apresentar lag, travamentos e problemas de desempenho. 

Isso se torna um problema particularmente chato em computadores mais antigos ou com especificações mais modestas, já que eles não têm muitos recursos para compartilhar numa virtualização, tornando a experiência bastante lenta e dolorosa. 

Fora esse probleminha, podem surgir questões como qual sistema operacional funciona melhor como hospedeiro ou qual deve ser utilizado. Bem, a resposta é que, acima de tudo, é mais uma questão de gosto, já que softwares como VMware e VirtualBox funcionam perfeitamente em qualquer plataforma. 

Recomenda-se, no entanto, que o sistema que você mais utiliza seja o hospedeiro. Assim sendo, se você passa mais tempo no Linux e utiliza o Windows apenas para realizar trabalhos em softwares específicos, como Photoshop, vale mais a pena ter o Linux como sistema operacional principal. Caso o Linux seja usado apenas para escrever linhas de código por algumas horas do dia, então a recomendação é fazer do Windows o sistema principal. Simples assim. 

Mesmo com essa dica, vale a pena ficar atento caso você precise de 100% dos recursos da máquina para executar alguma atividade no SO convidado. Nesses casos, talvez valha a pena dar uma chance ao dual booting. 

Qual é a melhor opção? 

Essa é uma questão um pouco difícil de responder e poderíamos nos evadir dizendo que também é mais uma questão de preferência. Contudo, há indícios que ajudam a definir se é melhor usar dual boot ou uma máquina virtual. 

Por exemplo, se você muda frequentemente de sistema operacional, prefira a virtualização. Se você precisar testar algum recurso ou funcionalidade rapidamente em um sistema específico, a recomendação também é instalar uma máquina virtual. Quer um ambiente seguro para testar algo perigoso sem medo de contaminar a máquina? Uma máquina virtual também é a resposta para esse cenário. Sua máquina tem recursos e poder de processamento de sobra? Virtualize. 

Fora esses casos, em todas as outras situações o mais recomendado é partir para o dual boot. Contudo, fique atento caso queira virtualizar o OS X. A Apple dificulta bastante a execução do seu sistema operacional em PCs e é praticamente impossível conseguir fazer isso. Nesses casos, a única forma de ter o sistema da Maçã para desktops rodando ao lado de outro é se você tiver um Mac. Se esse é o seu caso, então é possível, sim, instalar o Windows e/ou Linux, quer seja em dual boot ou em uma máquina virtual. 

Qual método você prefere para usar mais de um sistema operacional no seu computador? Quais são os sistemas que rodam aí? Compartilhe conosco na caixa de comentários abaixo, principalmente se você tiver alguma dica adicional que possa enriquecer este artigo. 

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