Marco Polo tem grandes erros e acertos com trama política em seu segundo ano

Por Gustavo Rodrigues RSS | em 01.07.2016 às 21h55

Kublai Khan

Marco Polo tinha a difícil missão de ser uma série épica que acompanhasse as viagens do mercador veneziano pela Ásia durante o seu primeiro ano, mostrando principalmente a cultura mongol, algo que não é muito popular no ocidente. Com 10 episódios, a produção da Netflix fez sucesso e confirmou a sua segunda temporada, que acabou de chegar à plataforma de streaming. Assim como o que foi visto anteriormente, o tom épico é o que conduz a história, mas é o jogo político que envolve a família de Kublai Khan que toma conta da trama.

SPOILER ALERT: O texto abaixo contém pequenos spoilers da primeira e segunda temporada de Marco Polo.

No final do ano um, Kublai Khan (Benedict Wong) derrotou a dinastia chinesa Song e tomou as terras do pais para si, aumentando ainda mais o vasto controle do seu poder pela Ásia. Entretanto, nem todos concordam que ele deve ser o detentor do trono, assim colocando o grande soberano como alvo de planos ardilosos de pessoas próximas a ele. Enquanto isso, Marco Polo (Lorenzo Richelmy) se mantém ao lado de Kublai como um dos seus homens de confiança, mesmo que seja visto como inimigo por sua origem latina. 

Marco Polo não é o personagem mais interessante da série e Lorenzo Richelmy também não é o ator mais talentoso de todo o elenco. Isso poderia ser um grande problema se a produção ficasse focada no mercador veneziano, mas não é o que acontece. O protagonista serve como um condutor do telespectador para uma cultura tão desconhecida pelos ocidentais, assim tornando quem está do outro lado da tela um viajante por terras asiáticas também.

Kublai Khan

Usando essa visão do mundo desconhecido, a trama conduz Marco Polo pela cultura mongol, mas é a política que envolve o império de Kublai Khan que ganha enfoque neste segundo ano, já que a primeira temporada serviu como grande introdução a este universo. O imperador precisa lidar com os problemas que envolvem a conquista do território chinês, os planos ardilosos contra o trono e as alianças que são feitas em busca de poder. Enquanto isso, o catolicismo aparece com as cruzadas como uma força de oposição ao oriente.

Entretanto, falta consistência na narrativa da temporada. A história começa em alto nível ao colocar cenas de grande impacto nos três primeiros episódios, mas as idas e vindas na disputa pelo trono, a diminuição das cenas de artes marciais que fizeram tanto sucesso no ano um e flashbacks que não conseguem criar tanta empatia pelos personagens não dão ritmo a história. A inclusão do catolicismo como um problema é uma ótima ideia, mas falha ao não elaborar bem este viés e deixá-lo como peça importante de um possível retorno da produção à plataforma futuramente.

As atuações de Benedict Wong e Tom Wu, o monge Cem Olhos, continuam como destaques da produção. Os atores conseguem dar todas as nuances que envolvem seus personagens. Wong cria uma postura assustadora ao Kublai Khan, mas consegue desmontá-lo nas situações extremas. Wu dá ao cego o ritmo de movimentação e fala que o mestre de artes marciais precisa, o tornando o grande destaque em todas as cenas de combate que participa. 

Cem Olhos

A fotografia da série mantém a precisão ao conseguir fazer enquadramentos perfeitos e mudar a paleta de cores conforme os eventos da trama acontecem. Os grandes momentos de guerra ganham tonalidade vermelha, realçando a violência que há no ambiente. Os combates também mantêm a qualidade, principalmente quando os confrontos envolvem o personagem Cem Olhos, assim garantindo uma bela coreografia dos movimentos de ataque e defesa. Entretanto, uma das grandes cenas da temporada abusam de efeitos especiais que não convencem ao criar fogo no corpo de alguns animais.

A segunda temporada de Marco Polo é repleta de altos e baixos, mas consegue concluir a história que começou no primeiro ano da série e desenvolver novos arcos, mas falha ao encerrar a história com um cliffhanger enigmático pouco instigante. Felizmente, ela entrega o que a tornou uma produção interessante, como as fortes personagens femininas, a excelente ambientação e as grandes cenas de artes marciais.

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