O que é doxxing e por que você deveria se importar com isso

Por Douglas Ciriaco RSS | em 04.07.2016 às 22h06

Hacker

Talvez você nunca tenha ouvido o termo doxxing (ou doxing), mas provavelmente já soube de algum caso do tipo. A prática consiste, basicamente, em obter dados privados de uma pessoa e torná-los públicos na web. A ação é comum em círculos de hacktivismo e também no chamado vigilantismo virtual, normalmente sendo usada para expor autores de crimes ou políticos corruptos, por exemplo.

Entretano, o doxxing pode ir muito além disso, tornando-se uma ferramenta altamente nociva e capaz de causar diversos problemas a pessoas comuns. Apesar de ser possível o emprego de métodos ilegais (como hacking) para a obtenção de tais dados privados, normalmente quem realiza o doxxing obtém as informações de alguém por meio de buscas em bancos de dados abertos da web — ou seja, na maioria dos casos, a forma usada para conseguir as informações privadas sequer é ilegal.

O termo doxxing seria a abreviação de “droping documents”, expressão que pode ser traduzida livremente para “liberação de documentos”. Esta definição deixa bem claro do que se trata a prática: a publicização de documentos privados de alguém. Tais dados podem incluir desde informações “simples”, como nomes completos e número da carteira de identidade até informações mais sensíveis, como número de telefone e endereço.

Dois lados da moeda

Se por um lado o doxxing pode ser usado com propósitos positivos — afinal a prática pode expôr o autor de um crime quando a Justiça se torna morosa ou então pode constranger alguma autoridade que pode estar sendo conivente com ações prejudiciais a uma determinada população — por outro, mesmo quando os objetivos são “nobres”, o recurso ainda guarda bastante polêmica.

Isso porque, assim como na vida real, o “justiçamento” e o vigilantismo nem sempre acabam resultando em coisas positivas. Seja na violação da privacidade ou na obtenção ilegal de dados privados, quem pratica o dox pode estar trilhando um caminho tão problemático quanto o que ele tenta combater. Além disso, julgamentos precipitados podem levar à exposição sem volta de pessoas inocentes, causando danos às vezes irreversíveis na vida de várias pessoas.

Assédio na web

Mas nem só de “belas causas” vive o doxxing. A prática é comumente utilizada como forma de assédio na web, com o agravante de muitas vezes ter uma motivação banal. A internet é um espaço para interação, portanto, é comum ter contato com ideias diferentes das suas neste imenso e infinito mundo virtual. 

hackerAssédio na web (e fora dela) é uma das consequências do doxxing. (Foto: Reprodução/VisualHunt.com)

Já pensou se, após uma discussão em um fórum ou um grupo do Facebook, você tivesse seus dados pessoais divulgados na internet? E, pior, não estamos falando apenas de embate de ideias sobre política ou economia (o que já tornaria a prática lamentável), mas sim de discussões “bobas” sobre temas banais, como videogames ou futebol.

Um dos mais famosos casos de doxxing já registrados aconteceu após o evento conhecido como GamerGate, quando um grupo de haters começou a ofender e a ameaçar mulheres que denunciaram o machismo tanto na indústria quanto na imprensa especializada em jogos eletrônicos. O resultado disso foi a exposição de dados pessoais e uma série de ameaças  direcionadas a algumas mulheres mais conhecidas da indústria e da imprensa.

Ataques a celebridades

Há alguns anos, várias celebridades foram vítimas de doxxing em um período curto de tempo. Nomes como o do ator Ashton Kutcher, da cantora Beyoncé e da primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama foram alvo de violações deste tipo, com informações pessoais suas sendo divulgadas na internet sem muito critério ou razão aparente. Na mesma época, vários outros nomes conhecidos tiveram problemas semelhantes, com encomendas indesejadas chegando às suas residências e por aí vai.

Neste caso, nada mais grave foi registrado, mas o doxxing nem sempre tem por objetivo causar algum dano direto e imediato, mas, sim, causar uma sensação de exposição e de impotência em suas vítimas. Sem dúvida, centenas de pizzas chegando à sua casa sem você ter pedido (e com a conta sobrando para você) é um transtorno que não vai acabar com a sua vida, mas provavelmente irá perturbar seu sossego.

Técnicas de doxxing

As técnicas mais utilizadas em doxxing não chegam a ser ilegais. Normalmente, as pessoas usam o próprio Google para obter informações mais privadas de alguém — e, por incrível que pareça, há muitas informações sobre alguém disponíveis na internet. Além disso, é possível utilizar ferramentas mais específicas, como sites que informam sobre domínios na web ou mesmo páginas especializadas em reunir informações pessoais públicas, para isso.

hackerDoxxing pode envolver hacking, mas normalmente o ato é realizado por meios legais. (Foto: Ivan Arce/Flickr)

Como evitar

Em tempos de superexposição em redes sociais, é praticamente impossível evitar que seus dados pessoais sejam divulgados na internet. Contudo, é importante manter algumas restrições para evitar problemas mais graves adiante, como tomar cuidado com as páginas nas quias você insere informações mais sensíveis. Aqui vão três dicas básicas:

1. Guarde suas informações privadas

Evite informar seu número de telefone ou número de documentos salvo quando isso é estritamente necessário. Além disso, verifique se a página é de fato confiável e se realmente vale a pena fornecer tais dados em troca de algum cadastro na web.

2. Cuidado com a geolocalização

Sem enveredar para rumos conspiratórios, é importante alertar que quando você posta uma foto da sua casa no Instagram com a geolocalização ativada (e marca um lugar da foto), a sua posição no mapa fica aberta para todos aqueles que conseguirem acessar a imagem. O que alguém pode fazer com tal informação? É difícil dizer, mas é importante você ficar atento sobre isso.

3. Aumente a privacidade

Apesar da superexposição, as redes sociais atualmente oferecem inúmeras ferramentas de privacidade que podem ajudar a manter você mais seguro. Assim, vasculhe as configurações do seu perfil no Facebook, no Twitter e no Instagram, por exemplo, e tente deixar tudo o mais privado possível. Isso também pode ser crucial para evitar que seus dados sejam obtidos de maneira legal.

Fontes: The Verge, The Conversation, Benjamin Rogin/Storify, The Daily Beast

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