O que esperar da sétima geração de CPUs Intel, codinome "Kaby Lake"

Por Pedro Cipoli RSS | em 01.08.2016 às 23h45

Intel 7

Com a própria Intel afirmando que não seguiria mais a Lei de Moore, que guiou o desenvolvimento dos processadores da empresa por décadas à fio, é natural esperar que a próxima geração não traga lá grandes novidades. De fato, a Intel mudou o seu famoso "Tick - Tack" para uma espécie de "Tick - Tack - Tock", introduzindo uma terceira etapa entre litografias diferentes. Trata-se da otimização ("Tock"), que segue a mudança de arquitetura ("Tack") depois de uma litografia menor ("Tick").

A sétima geração de processadores Intel, codinome "Kaby Lake", é exatamente esse "Tock", representando uma otimização da sexta geração "SkyLake" de 14 nanômetros. É bastante provável que eles cheguem ao mercado ainda este ano, com três modelos já contando com seus detalhes vazados em alguns banco de dados de benchmark, então vamos explorar seus detalhes nas próximas linhas.

Um segundo "Lake" de 14 nanômetros

Como o próprio nome sugere, não há uma mudança significativa de arquitetura no "Kaby Lake", na qual o final "Lake" já demonstra semelhanças com o "Skylake". A vantagem das nomenclaturas da Intel é que os codinomes das gerações já são muitas pistas. "Haswell" e "Broadwell" contam com a mesma arquitetura, se diferenciando apenas pela litografia de ambos (22 e 14 nanômetros, respectivamente), assim como a Sandy Bridge e Ivy Bridge (32 e 22 nanômetros, respectivamente), indicando uma mesma CPU, mas em ambos os casos trazendo melhorias na GPU integrada.

Da mesma forma, a oitava geração de processadores, codinome "CannonLake", compartilha as mesmas características das gerações "SkyLake" e "Kaby Lake", só que com uma litografia de 10 nanômetros e, provavelmente, uma nova geração de GPUs internas. O que essa otimização ("Tock") trará para o consumidor? Mais eficiência energética, maior eficiência por ciclo de clock e menos geração de calor. Basicamente, a mesma estratégia que a AMD tem utilizado há gerações.

Não devemos confundir o "CannonLake" com o que a Intel fez com o "Haswell Refresh", uma geração "tapa buraco" que trazia basicamente frequências de operação maiores para não deixar um vazio tão grande entre o "Haswell" e o "Broadwell". Isso ocorreu pois este atrasou mais do que o esperado devido à dificuldade em fazer a transição para os 14 nanômetros. O "CannonLake" é diferente, trazendo algumas (poucas) melhorias para deixar o usuário interessado.

Por exemplo, a frequência de operação base do Core i7-7700K será menor do que a do atual Core i7-6600K (3,6 GHz vs 4,0 GHz), mas a Intel "promete" até 10% mais poder de fogo apesar disso, ainda que ambos contem com a mesma frequência em modo Turbo Boost (4,2 GHz). A configuração de caches será a mesma: 128 KB (Cache L1), 1024 KB (Cache L2, 256 KB por núcleo) e 8 GB de cache L3 compartilhado por todos os núcleos.

Intel 7Essa "otimização" mais parece um "Tick -Tack - Tack" do que um "Tick - Tack - Tock", já que as características são extremamente parecidas.

O suporte de memória RAM também será o mesmo, com os chips mais potentes suportando DDR4 e versões mais acessíveis suportando DDR3 e DDR3L. Já o chipset será diferente, chamado de "Union Point" (200 Series – até 10 portas USB 3.0, 6 portas SATA III, e 24 linhas PCI Express 3.0 e Thunderbolt), lembrando que fabricantes podem instalar recursos extras com suportes independentes, como geralmente acontece (trazendo mais conexões SATA III e/ou portas USB com suas controladoras independentes, por exemplo).

Apesar de ser um chipset diferente do atual, o soquete do processador será o mesmo (LGA 1151), de forma que há retrocompatibilidade com as CPUs da geração Skylake, que usam o chipset "Sunrise Point" (100 Series – os nomes dizem muito, não?). Como se trata de uma otimização de uma arquitetura já existente, por que usar um novo chipset com um mesmo conector? Quem sabe uma nova GPU integrada?

Não há informações sobre isso até o momento. O benchmark vazado mostra apenas uma GPU com 24 unidades de execução rodando a 1,15 GHz, suporte a OpenCL (ainda que não informe a versão) e compartilhando 1,6 GB de memória RAM DDR4 do sistema (de um total de 4 GB, rodando a 2.133 MHz). Talvez sim, já que é difícil ver usuários trocando de máquinas apenas pela pequena (e otimista) melhoria de CPU, ainda que quem está disposto a comprar um Core i7 raramente se importe com a GPU integrada. De qualquer forma, são características idênticas aos gráficos GT2 do Core i7-6700K.

Abaixo, os processadores "Kaby Lake" vazados até então:

  • Intel Core i7-7700K (desktops): quad-core 3,6 GHz (4,2 GHz em Turbo Boost), 8 MB de cache L3, TDP de 91 watts – memórias DDR4/DDR3L;

Intel 7

Apesar de ser uma CPU extremamente parecida com o SkyLake, traz um chipset diferente. Será que o usuário realmente investirá na troca?

  • Intel Core i7-7500U (Ultrabooks): dual-core 2,7 GHz (2,9 GHz em Turbo Boost), 4 MB de cache L3, TDP de 15 watts – memórias DDR4L/DDR3L/LPDDR4;

Intel 7Aqui é um caso diferente, já que são CPUs voltadas para notebooks. A vantagem é que os modelos ULV da geração anterior ficarão (em teoria) mais baratos.

  • Intel Core m7-7Y75 (ultraportáteis sem cooler ativo): dual-core 1,3 GHz (1,6 GHz em Turbo Boost), 4 MB de cache L3, TDP de 4,5 watts – memórias LPDDR4;

Intel 7Como são modelos "fanless", geralmente trazendo um desempenho mais limitado, qualquer ganho de performance é bem vindo.

Conclusão: trocar agora ou esperar até 2017?

Segundo o IDC, o mercado de PCs encolherá 7,3% somente este ano, não sendo um fato novo, já que o PC está perdendo em interesse há algum tempo. Talvez a geração "Kaby Lake" represente um ajuste de oferta pela Intel à baixa demanda, já que usuários deixaram de trocar de PCs com frequência. De um lado, muitos consideram um computador relativamente recente como "bom o suficiente", não vendo motivos para fazer um upgrade. Por outro lado, as evoluções nas CPUs têm sido tão pequenas que vale mais a pena esperar várias gerações para fazer a troca.

Os 10% de melhoria anunciados pela Intel, valor meio que padronizado nas últimas gerações, significam, na prática, uns 5%-7% em casos reais. Falando estritamente de desempenho, mesmo que o usuário espere 3 gerações para trocar e o avanço por geração fosse exatamente o prometido, a diferença final de desempenho acumulado de CPU fica abaixo de 35%, um valor baixo para que muitos vejam justificativa em trocar seu PC atual (que continua funcionando) por outro totalmente novo.

Um dos rumores mais comuns é que a Intel oferecerá um pequeno ganho de desempenho com o Kaby Lake com preços mais acessíveis do que o Skylake, tentando assim estimular usuários a trocar de máquina antes que o CannonLake de 10 nanômetros (oitava geração) chegue no terceiro trimestre de 2017 (previsto). De qualquer forma, é muito difícil ver consumidores com máquinas de poucos anos se interessando pelo Kaby Lake. 

Um fenômeno interessante ocorre com o "time vermelho", com usuários que preferem as CPUs da AMD esperando o Zen para trocar de máquinas, já que a empresa usa basicamente a mesma arquitetura desde o Bulldozer (2011). Há melhorias aqui e ali, além de uma pequena diminuição de litografia no meio do processo (de 32 para 28 nanômetros), mas continuando a ser o mesmo processador. Vale questionar se o mercado de PCs está desaquecido pela falta de grandes mudanças ou se grandes mudanças não se aplicam por que o mercado de PCs está desaquecido.

Fontes: WCCFTech 1 e 2, PC Advisor, The Verge, Channel Pro, CPU World

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