Netflix ou Amazon Prime Video: qual é melhor? [Comparativo]

Por Adriano Ponte RSS | em 05.01.2017 às 14h11

A Netflix se tornou onipresente em nosso dia a dia. Mesmo quem não dispõe de um meio eficaz de curtir a plataforma já teve algum contato com ela, seja pelos consoles, PCs ou smartphones. Porém chega mais um rival em solo brasileiro para a disputa, e ele é o Amazon Prime Video. Confira nosso comparativo de plataformas de streaming de vídeo.

Quem são eles?

Você não tem obrigação de saber tudo sobre os dois serviços, portanto vamos introduzir os dois.

Começando pela Netflix, temos uma empresa focada em distribuição de filmes e séries. Ela começou suas operações nos estados unidos via correio bons anos atrás, e hoje é um ícone mundial de distribuição de streaming on-demand, possuindo atuação em mais de 190 países. Hoje a Netflix também faz o papel de estúdio e traz diversas produções originais e incentiva inúmeras produções, algo como "o rumo para ser de fato um Canal de TV online", e não só um repositório de filmes.

Agora, para o Amazon Prime Video. Temos aqui uma companhia gigantesca, enorme, mas que para nós no Brasil não possui o mesmo peso em nome como tem nos Estados Unidos. A Amazon é forte líder em e-commerce e computação em nuvem, oferecendo serviços de comodidade de consumo avançados aos norte-americanos, como seus botões de compra instantânea, Amazon Prime, Prime Air (ainda em testes), a assistente Alexa e outros serviços de armazenagem e facilidades.

No Brasil, a empresa atua com bem menos força, mas trouxe de forma oficial seus mundialmente reconhecidos Kindle, junto com sua conhecida expertise em "livraria", um dos poucos itens que podiam ser comprados para nós na loja internacional antes de sua abertura em solo brasileiro.

Bom, essa complexa mistura é a Amazon, uma rede de venda/logística/TI que pretende dominar o mundo (como o Google), e que oferece também o serviço de vídeo nessa extensa lista de atuações. Esse braço é o Amazon Prime Video, serviço que está abrigado numa conta Amazon. Como o Google, uma conta Amazon abre acesso a tudo que a Amazon oferece, dependendo da região registrada.

Catálogo e travas regionais

Primeiro ponto desse comparativo: Restrições regionais. Todos sabemos que algumas empresas não merecem nosso respeito (alô, Nintendo) por simplesmente deixarem o Brasil e a América do Sul como um todo de fora dos lançamentos e títulos por preguiça/falta de vontade em licenciar conteúdo, ou mesmo arcar com o custo de legendas no títulos. Nem parece que os consumidores pagam para isso acontecer, e fica aquela ideia de que "é um favor" trazer as coisas para cá.

Nesse balde de amargura, temos a Netflix. No início de suas operações, a Netflix era um poço nojento de barreiras e travas regionais para o Brasil, deixando praticamente todo o conteúdo restrito aos usuários norte-americanos, restando para nós títulos pouco conhecidos e mofados que foram lançados apenas para locadoras. Com o passar do tempo, a empresa entendeu como operar por aqui, e veiculou nas TVs nacionais um anúncio absurdo com um castor de pelúcia (sério, isso realmente aconteceu).

Desse momento em diante, a quantidade de títulos no serviço só passou a aumentar, e grande parte dos títulos está disponível para o Brasil, com inúmeros lançamentos simultâneos legendados (e alguns dublados) para nosso país. Claro, existe conteúdo regional para os norte-americanos, porém longe da barreira que isso foi no passado, tendo nosso catálogo hoje grandes títulos de alta qualidade e em alta quantidade. Aquela época onde o Netflix não tinha nenhum filme do ano corrente passou.

Agora, Amazon Prime Video: estreante. Isso resume tudo para vocês?

O Prime Video traz sim séries famosas e filmes relativamente novos, porém não com foco em brasileiros. O serviço abre as portas para nossa conexão, mas não quer dizer que ele se firmou de fato no país com todas as implicações relativas a isso.

Para ter acesso ao catálogo completo (ou pelo menos num nível comparável a quantidade e qualidade dos títulos da Netflix), é preciso abrir mão de VPNs, redirecionamento de conexão para IPs dos EUA, e curtir os títulos em inglês de lá.

Quer um exemplo mais claro? Basta pesquisar pelo nosso amado Nicolas Cage no serviço para ter dimensão do que o Brasil tem de restrição a ponto de abominar o catálogo neste primeiro momento. Nosso ator favorito tem no catálogo do Amazon Prime exatas 3 correspondências à pesquisa, sendo que 1 dos resultados é apenas uma referência, não uma participação de fato. Quanto à Netflix, podemos ver Nicolas Cage em 13 resultados, sendo 1 destes Os Croods, relacionado a dublagem original da animação com o ator. Seria algo como "2 contra 12" na contagem, portanto.

Logicamente você achará coisas no Prime que não estão na Netflix, e vice-versa. Tente procurar Mr. Robot na Netflix: nada. Está no Prime. Tente procurar Black Mirror no Prime: nada. Está na Netflix.

Justamente por causa dessa "guerrinha" que sempre recomendamos que você avalie pela gama de títulos, não só pelas "exclusividades" e afins. Faça o teste Nicolas Cage. Johnny Depp, talvez.

Plataformas suportadas

Ambos serviços cobrem iOS e Android, e ambos permitem o armazenamento offline de alguns títulos para ver mais tarde no ônibus. Até aí, tudo bem.

O problema é que a Amazon quer devorar o Google, e usa o termo "Fire" para sua inciativa, e o "Fire TV" seria seu "Chromecast", portanto nada de Amazon Prime Video no Chromecast por hora. Isso se aplica ao Android TV (vulgo Nexus Player e TVs Android). Sinceramente esperamos que em 2017 a Amazon deixe de ser idiota, e libere seu serviço para o dongle de Streaming mais famoso da internet.

A Netflix, no entanto, roda em tudo que citamos acima, inclusive no Fire TV. Sim, um dos poucos dispositivos que faz essa joça (quer dizer, serviço) da Amazon fazer sentido é também um método de consumir Netflix. Consoles de videogame como PS4 e Xbox One podem baixar o APP de ambos os serviços, como esperado. Navegadores de internet também podem fazer uso de ambos pela aba que você estiver usando.

Até aqui temos a Netflix na frente, afinal está espalhado pelo mundo há mais tempo - e isso reflete consequências em inúmeras coisas, inclusive nas Smart TVs que não contam com muitos recursos, mas trazem botão dedicado à Netflix direto no controle ou mesmo trazem ele pré-instalado. Essa adoção em massa que o recurso oferece (e o suporte ao barato-acessível-funcional Chromecast) não deixa dúvidas da presença do serviço em uma maior gama de plataformas.

Isso inclui até a Apple TV. Netflix está lá, Amazon Prime Video: não.

Preço e pagamento

Estreantes pagam a conta, e nesse caso o Prime Video já chega com 50% de desconto na assinatura nos seis primeiros meses. Porém com preço em dólar, algo que pode ser um fator limitador para seu cartão.

Preço: US$ 2,99 nos primeiros seis meses (depois disso são US$ 5,99). Algo como comparar R$ 10 e 20, respectivamente, pela cotação média do dólar na data de publicação deste vídeo.

Esse plano (promocionalmente mais barato) contempla 3 sessões ativas por vez + resolução máxima 4K (ou seja: você e o vizinho na mesma conta ao mesmo tempo em locais diferentes, mais o irmão dele, vendo ao mesmo tempo com um único login e uma única mensalidade, como a Netflix já faz hoje).  Pagamento: cartão de crédito (com custo cobrado em dólar).

Já para a Netflix e sua completa fixação no Brasil, temos como reflexo preços similares, porém em categorias. Observem os preços:

  • 1 sessão ativa por vez + resolução máxima padrão: R$ 19,90
  • 2 sessões ativas por vez + resolução máxima HD: R$ 22,90
    (ou seja: você e o vizinho na mesma conta ao mesmo tempo)
  • 4 sessões ativas por vez + resolução 4K: R$ 29,90
    (ou seja: você, o vizinho, o irmão dele e o seu padeiro na mesma conta ao mesmo tempo)

Nesse primeiro momento, o Prime (mesmo com o preço cheio) é uma opção um pouco mais barata, mas num desconto tímido (e que dificilmente vá arrancar usuários de um serviço para o outro após os seis meses de super-desconto).

Quem ganha?

Por hora, a Netflix. Dizemos isso pois o serviço também chegou porco ao Brasil anos atrás, e ninguém gostava dele de fato. Era uma locadora de filmes velhos, e era piada dizer que se era um filme antigo, deveria estar na Netflix. Hoje ele é o centro da vida de muitas pessoas (e não estamos brincando, existem quadros extremos de vício e dependência da Netflix em usuários extremos).

O preço do Netflix é imperceptivelmente maior que o Prime Video, ao passo que o catálogo do Netflix é imenso se comparador ao tímido Prime. Nesses primeiros seis meses de desconto, pode ser que uma gama dos usuários experimente o Prime com suas limitações de plataformas onde pode ser consumido, e pode ser que muitos gostem e experimentem melhoras.

Vale lembrar que o Netflix offline só existe graças ao Prime, visto sua concorrência sobre o Netflix (que voltou atrás da promessa de NUNCA trazer NADA offline). Concorrência é uma maravilha, já dizia um sábio de nossos tempos.

Por hora, novamente, Netflix é o vencedor com fatality nessa disputa. Os próximos seis meses poderão fazer o Prime se consolidar no país, mas isso depende somente da Amazon para sair dessa estreia tímida e fraca no nosso país.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome