Teria a Microsoft bisbilhotado os arquivos de alguns usuários do OneDrive?

Por Redação | em 10.11.2015 às 10h21

OneDrive

Na última terça-feira (3), a Microsoft anunciou que não oferecia mais espaço ilimitado para armazenamento de dados no OneDrive. O serviço, concorrente de plataformas como Dropbox, iCloud e Google Drive, foi inovador ao anunciar o plano ilimitado para algumas categorias de assinantes no final de outubro de 2014.

A justificativa apresentada pela companhia foi um suposto abuso por parte de alguns de seus clientes, que estariam armazenando coleções inteiras de filme e reunindo dezenas de terabytes em suas contas.

“Desde que começamos a oferecer o armazenamento na nuvem ilimitado para assinantes do Office 365, um pequeno número de usuários fez backup de inúmeros PCs e armazenou gravações DVR e coleções inteiras de filmes”, informou a empresa em comunicado, alegando ainda que algumas contas do OneDrive continham até 75 TB armazenados. A partir de agora, assinantes que tinham direito ao plano ilimitado terão sua cota máxima reduzida para “apenas” 1 TB. Até mesmo quem usava o serviço sem pagar nada também foi atingido pelas novas medidas: em vez de 15 GB, a Microsoft oferece apenas 5 GB gratuitamente.

A alegação oficial da mudança é manter o foco na produtividade e em oferecer um serviço ágil, em vez de gastar esforços para manter ativo um “cenário extremo de backup”. Não precisa ser um gênio da informática para imaginar que serviços que oferecem espaço ilimitado para armazenamento de arquivos serão inundados de... Arquivos!

Contudo, a questão vai muito além da simples alteração de um serviço oferecido. Além da mudança drástica de cenário — afinal quem antes não precisava de limites, agora deverá guardar ao máximo 1 TB de informação —, resta a dúvida sobre como a Microsoft chegou às conclusões apresentadas no comunicado divulgado nesta semana.

OneDriveOneDrive teve espaço de armazenamento reduzido. (Foto: Divulgação/Microsoft)

Microsoft espiando seus usuários?

Ao alegar que “um pequeno número de usuários” mantinha em sua conta do OneDrive coleções de filmes e gravações DVR, pressupõe-se que a Microsoft andou bisbilhotando aquilo que estava guardado em seus servidores. Uma situação é a empresa identificar que uma determinada conta armazena 75 TB de dados — algo que pode ser feito sem violar a privacidade de ninguém.

Outro cenário bem diferente deste é informar de maneira mais específica o que está guardado em determinadas contas. Mesmo que de apenas “um pequeno número de usuários”, quando crava que eles tinham coleções de filmes e backups de seus discos rígidos, a companhia dá indícios de que andou vendo mais do que deveria.

Ao TechRadar, a empresa afirmou que agiu respeitando os termos de privacidade do OneDrive, tendo usado um sistema de identificação de tamanho e tipos de arquivo. “Temos sido firmes em relação aos termos da Declaração de Privacidade da Microsoft para os usuários do OneDrive e não visualizamos o conteúdo de clientes. Em um esforço para aprimorar o serviço, avaliamos os tipos e tamanhos de arquivos de maneira agregada, como em padrões de comportamento. Não visualizamos informações pessoais identificáveis”, disse.

De fato, um dos termos presentes na Declaração de Privacidade da Microsoft garante à companhia tal possibilidade. “Quando você utiliza o OneDrive, coletamos dados sobre sua utilização do serviço, bem como os conteúdos que você armazena para fornecer, aprimorar e proteger os serviços”.

Contudo, o exemplo utilizado pela empresa na própria Declaração dá conta de aprimoramentos como “indexação dos conteúdos de seus documentos do OneDrive de modo a você poder pesquisá-los mais tarde e o uso das informações de localização, para você poder pesquisar fotos com base onde elas foram tiradas”.

A Microsoft alegou ainda que entrou em contato com os donos das contas em que estavam armazenados um grande número de dados. A partir daí é que eles chegaram às reformulações anunciadas nesta semana. “Nós conversamos com os usuários de grandes volumes sobre como eles utilizam o serviço. Estas conversações e as análises de dados foram a base de nossa decisão em mudar os planos de armazenamento, otimizando-o para a forma como a maioria dos clientes do OneDrive usam o serviço”.

Mais do mesmo?

Recentemente, a Microsoft já foi alvo de críticas e precisou vir a público dar explicações sobre questões de privacidade envolvendo o Windows 10. Dados de segurança e telemetria, personalização de recursos do Cortana e pesquisas do Bing feitas a partir da barra de pesquisas da Área de trabalho são algumas das categorias coletadas pela empresa.

A resposta da Microsoft a estas acusações alegam que os dados coletados não podem ter sua origem identificada. Além disso, segundo a empresa, dados de segurança e telemetria são usados para identificar o contexto de um erro do cinema, enquanto a personalização da Cortana serve para tornar o serviço mais afinado com o usuário.

Por fim, a MS alega que os dados do Bing servem para oferecer mais conteúdo personalizado a você, como informações sobre o clima da sua cidade ou o seu time de futebol — aqui, de forma mais específica, todos sabemos que dados de pesquisas são utilizados especialmente para a segmentação de anúncios publicitários.

Apesar de garantir que não coleta dados pessoais (e insistir na não identificação de dados sensíveis de sua máquina), as práticas mais recentes da Microsoft ainda deixam algumas dúvidas nas cabeças de seus clientes.

Fontes: Microsoft (1), Microsoft (2), TechRadar

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome