Microsoft completa 41 anos de vida em meio a processo de reafirmação

Por Douglas Ciriaco RSS | em 04.04.2016 às 13h20

Microsoft

A Microsoft é uma especialista em software. As estratégias da companhia para transformar o Windows em sinônimo de sistema operacional foram muito bem-sucedidas, tanto é que ele habita quase 95% dos computadores pessoais do mundo na atualidade. Contudo, ao completar 41 anos de idade, a Microsoft mostra força e, finalmente, dá sequência à sua onda de inovação para se adaptar aos novos tempos da computação.

Se por anos a companhia simplesmente ignorou as necessidades de se modificar para se adaptar às novas dinâmicas baseadas na internet e em dispositivos mobile, recentemente ela parece ter acordado. Apesar de um longo caminho até começar a significar alguma ameaça ao domínio de Google, Apple e Facebook, a Microsoft ao menos começa a definir uma plataforma a partir da qual é capaz de demarcar as suas posições.

Ambiente universal

Uma prova da busca da Microsoft para se adaptar aos novos tempos é a aposta em uma plataforma universal para todos os seus dispositivos. Durante a Build 2016, a companhia bateu várias vezes nesta tecla, destacando que a ideia é que os usuários compartilhem a mesma experiência independentemente do equipamento — PC, mobile, Xbox ou HoloLens.

Windows 10 universalWindows 10 em todos os lugares — e cada vez mais. (Foto: Divulgação/Microsoft)

Esse é um passo bastante significativo, pois finalmente deixa claro que a Microsoft entende o futuro como algo cada vez mais integrado entre vários dispositivos. Se a Canonical foi a primeira empresa a apresentar a ideia de um sistema universal, com o Ubuntu rodando basicamente da mesma forma no computador, no tablet e no smartphone, a Microsoft dispôs dos recursos necessários para trazer isso à tona.

Amigável à internet

Se a Microsoft praticamente jogou no lixo a marca Internet Explorer após insistir por anos a fio em uma versão altamente problemática do seu navegador, recentemente a companhia tentou igualar o seu browser com os principais nomes do mercado adotando (tardiamente, é bom deixar claro) funções básicas dos rivais, como visual mais limpo e suporte para complementos.

Tais esforços não foram suficientes para devolver o glamour ao IE, que viu o Chrome crescer absurdamente (não sem muitos esforços publicitários do Google) e foi aposentado de vez no Windows 10. Junto com a versão mais recente do sistema veio também o Microsoft Edge, uma nova aposta que, apesar de ainda muito crua, tem um grande potencial de desenvolvimento para os próximos anos.

Além disso, a Microsoft compreendeu a dinâmica da computação na nuvem e também do quanto as pessoas buscam por estes tipos de serviços atualmente. Assim, nada mais justo do que ela levar alguns de seus principais softwares para a web e, finalmente, criar um rival de peso para o onipresente Google Docs. Agora, o Office está online e gratuito para qualquer pessoa.

Extensões Microsoft EdgeEdge devem receber suporte para extensões em breve. (Foto: Divulgação/Microsoft)

Mais uma vez, a rivalidade com o Google foi acirrada com as recentes mudanças aplicadas ao Outlook.com, a nova marca do serviço de e-mail da MS. Aqui, o caminho adotado foi bastante semelhante ao do navegador: tira-se de foco uma marca prejudicada por mau desempenho (neste caso o Hotmail) para dar vez a algo novo e capaz de oferecer soluções modernas (o Outlook.com).

E tudo isso sem contar com a integração de serviços, como o Skype embutido nos serviços online da Microsoft, ou então a parceria com outras companhias, como Uber, Dropbox e Facebook.

Microsoft ama o mobile

O avanço rápido do Android e a forte base de sustentação dos portáteis da Apple fez com que a Microsoft fosse jogada para o banco de reservas do mercado mobile. Quando o Windows Phone ganhou uma nova cara, a companhia acreditava ser possível se tornar rapidamente um contraponto às duas principais marcas do setor, mas o resultado na prática não foi nada disso. Nem mesmo a aquisição da divisão mobile da Nokia foi capaz de impulsionar a Microsoft, levando muita gente a crer que um triste fim para o WP já estaria decidido.

Porém, a Microsoft segue firme, apostando não somente no seu próprio sistema, mas oferecendo soluções integradas ao Android — isso ficou bem claro no anúncio das novidades da Cortana, a assistente pessoal virtual do Windows. Mas os portáteis da MS também vão entrar na onda da integração, tentando oferecer uma experiência compartilhada e cada vez mais amigável aos usuários. Se a estratégia vai dar certo para fazer com que a companhia recupere o tempo perdido e possa bater de frente com os principais rivais, só o tempo dirá, mas não se pode negar que medidas significativas estão sendo tomadas.

Integração gamer

Recentemente, a Microsoft anunciou que os jogadores de Xbox One poderão ter multiplayer compartilhado com o PC e convidou a Sony a se juntar à festa. A companhia japonesa não pareceu tão entusiasmada e pediu calma, afinal a MS não parece estar simplesmente interessada em propor uma trégua na “guerra dos consoles” — vale lembrar que números não oficiais indicam que o desempenho de vendas do PS4 dão um banho no Xbox One.

Xbox OneMicrosoft aposta também na integração do Xbox One. (Foto: Divulgaçãço/Microsoft)

Esse ponto pode parecer muito mais um desespero da Microsoft a fim de salvar a sua plataforma de jogos, mas não se pode descartar que aí está uma estratégia da companhia para dar sequência à universalização de seus produtos e serviços. Isso porque ela também vai integrar de vez Windows e Xbox, oferecendo apps do sistema do PC no console e lançando games exclusivos ao mesmo tempo para ambas as plataformas. Se a MS não vai vencer a guerra dos consoles, ela ao menos vai criando mecanismos para não perder completamente o seu público.

Reafirmação

Então, os caminhos da Microsoft começam a ficar cada vez mais claros. As ideias propostas nos últimos anos começam a ser reafirmadas conforme a companhia avança com seus planos de tornar o Windows uma plataforma universal — uma jogada extremamente inteligente, visto que a venda de PCs vem caindo e especialistas apostam que o Windows 10 por si só não conseguirá frear esta tendência.

Ao que parece, a Microsoft completa 41 anos se mostrando mais “jovem” e aberta às mudanças do que era há alguns anos. A fabricante do Windows entende que diversificar seus produtos pode ser a saída para não cair em obsolescência, inclusive em mercados nos quais ela sempre foi a dona do jogo. Aquele ditado de que a vida começa aos 40 talvez faça um certo sentido para a empresa de Redmond.

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