Produção multimídia no Linux, parte 2: câmara escura

Por Pedro Cipoli RSS | em 25.01.2016 às 17h00 - atualizado em 28.01.2016 às 14h44

Câmara escura Linux

Dando continuidade à nossa série de softwares de produção multimídia no Linux, com o primeiro deles dedicado aos editores de imagem, vamos cobrir uma segunda categoria aqui. Trata-se também de editores de imagem, mas de um gênero mais específico, popularmente conhecido como “câmara escura”, categoria onde o Lightroom da Adobe é o programa mais conhecido, bastante usado por fotógrafos profissionais para correções mais específicas, geralmente com arquivos do tipo RAW. E, claro, incluímos uma solução comercial ao final, plenamente suportada pela plataforma.

RawTherapee

Um dos mais conhecidos, raramente pré-instalado na maioria das distribuições, mas como uma posição confortável de liderança na maioria das listas de editores de imagens em gerenciados de software como a do Ubuntu (Software Center) e Linux Mint (mintinstall). Suporta edição não-destrutiva, algo essencial para esse tipo de trabalho, e é capaz de trabalhar com a maioria dos formatos de alta qualidade, como RAW, TIFF (até 32 bits) e DNG (também conhecido como “RAW da Adobe”), e HDR DNG (até 32 bits).

Câmara escura Linux

Podemos dizer, com uma certa margem de segurança, que o RawTherapee é um dos programas mais leves (suportando nativamente múltiplas threads) e intuitivos da lista, sendo uma excelente opção para quem está em busca de um bom candidato para essa categoria de programas no Linux. Isso não significa que ele é um programa limitado. Muito pelo contrário, aliás, já que ele oferece ferramentas avançadas de cor, processamento batch de algoritmos customizados, ferramentas de remoção de ruído (denoise) e controle de exposição, entre uma boa quantidade de outras funções.

É difícil se ver limitado pelo RawTherapee, disponível tanto para Linux quanto para Windows e OSX, uma excelente opção tanto para iniciantes quanto usuários avançados, que podem fazer uso até de ferramentas via linha de comando para funções específicas.

DigiKam

Comum em distribuições que usam o KDE como interface padrão, como o Kubuntu, OpenSUSE, entre outras, o DigiKam faz parte do KDE Tools, um dos conjuntos mais completos de software para o Linux (daí o “K” do “Kam”). É possível instalá-lo em distribuições com outras interfaces, como Cinnamon ou Unity, mas é geralmente uma versão desatualizada em relação aos sistemas que usam o KDE como padrão. Por exemplo, a versão 5.0.0 beta 2, recém-anunciada na data de fechamento desse artigo, funciona somente com o KDE 5 em diante (e que vale a pena conferir, aliás).

Câmara escura Linux

Em relação aos recursos, o DigiKam foca mais em organizar as fotografias do que o RawTherapee, mas nem por isso deixa de trazer ferramentas importantes de edição. Porém, tem um nível de sofisticação relativamente inferior ao DigiKam, compensando esse problema com um nível consideravelmente maior de intuitividade. De quebra, ele está disponível não somente para as distribuições Linux, mas tabém para o Windows e o OSX, assim como o RawTherapee.

Darktable

Menos intuitivo, porém mais versátil e poderoso, o Darktable não é um dos programas mais fáceis de se aprender, para certamente recompensar quem dedicar tempo a isso. A quantidade de ferramentas disponíveis chega a surpreender, com controles poderosos de correção de cor, saturação, níveis, contraste, denoise (que está disponível em vários formatos, inclusive com uma função exclusiva para arquivos RAW), aberrações cromáticas. Enfim, dá para ter uma ideia né?

Câmara escura Linux

Algo que vale a pena mencionar, que observamos mais experiência própria do que pela ficha técnica do produto, é a aceleração de hardware automática via OpenCL (o que oferece uma aceleração genérica mais ou menos competente para a maioria das GPUs). Faz uma bela de uma diferença para arquivos maiores, mesmo em configurações que usem gráficos integrados, sendo uma excelente opção para quem quer tirar proveito de sistemas mais poderosos.

Lightzone

Um dos programas mais completos da lista, o Lightzone pode ser visto como um substituto à altura do Lightroom tanto para Windows e OSX quanto para o Linux. Infelizmente, ele é menos conhecido, já que são raras as distros que incluem os repositórios oficiais para instalação e atualização do programa. A boa notícia é que é bastante fácil incluí-lo, seja pelo PPA do Ubuntu, versões prontas para download no site oficial do programa (depois de criar uma conta), ou via comandos no Terminal. Abaixo, um exemplo de como fazê-lo em distribuições baseadas no Debian:

  1. sudo sh -c "echo 'deb http://download.opensuse.org/repositories/home:/ktgw0316:/LightZone/xUbuntu_15.10/ /' >> /etc/apt/sources.list.d/lightzone.list"
  2. sudo apt-get update
  3. sudo apt-get install lightzone

Câmara escura Linux

De todos da lista, ele é o que mais se apresenta com uma quantidade de recursos suficiente para competir com versões comerciais, trazendo, inclusive, uma das melhores interfaces, o que certamente ajuda quem nunca experimentou o programa. No site é possível ter acesso a centenas de páginas de como aproveitar todos os recursos do Lightzone, com capítulos inteiros sobre como trabalhar melhor com arquivos do tipo RAW. Depois de brincar um pouco com ele, chega a ser surpreendente pensar que ele é um programa totalmente gratuito.

AfterShot Pro (R$ 150-180)

Há grandes fabricantes de programas de câmara escura, muitos deles com alternativas comerciais poderosíssimas ao Lightroom da Adobe. Entre os melhores, o Aftershot Pro com certeza merece o seu destaque, um editor de câmara escura da Corel que está longe de deixar o usuário na mão, além de suportar uma boa quantidade de plugins projetados para o Lightroom, e trazer versões de 32 e 64 bits para uma melhor compatibilidade entre eles. 

Câmara escura Linux

A Corel disponibiliza versões para Windows, OSX e Linux, mas tem uma pegadinha, que acabamos descobrindo da pior maneira: você adquire uma licença exclusiva para determinada plataforma. Ou seja: se você comprar o Aftershot Pro para Windows, será necessário comprar uma outra licença. Outro ponto é que é um mistério o fato de somente o Aftershot Pro ter uma versão para Linux, já que os outros programas da empresa seriam extremamente bem-vindos, caso do Painshop Pro, Painter, CorelCAD e CorelDraw.

Pois bem, o que o usuário ganha com o Aftershot Pro em relação aos programas gratuitos que listamos acima? Em primeiro lugar, suporte comercial, o que é importante para quem trabalha profissionalmente. Em segundo, um desempenho perceptivelmente melhor em relação às soluções gratuitas, com um código otimizado para sistemas 64 bits, em especial em fotos maiores (20 megapixels ou mais). Em terceiro, o centro de aprendizagem da Corel, o Discovery Center, com dezenas de tutoriais em texto e vídeo para extrair o máximo do programa, que já é bastante intuitivo por natureza, além de conteúdos relacionados a fotografia, de uma forma geral, como acontece com o DirectorZone da Cyberlink.

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