iPhone 7: a análise completa e definitiva! [Review]

Por Adriano Ponte RSS | em 20.09.2016 às 17h36 - atualizado em 20.09.2016 às 17h49

iPhone novo sempre gera aquela expectativa. Mas como poucos privilegiados têm acesso aos novos smartphones da Maçã logo de cara, fomos até os Estados Unidos e trouxemos uma peça para que vocês tivessem essa análise em primeira mão. Com vocês, o iPhone 7.

Aparelho

Nada de muito novo no "front". Na verdade, este é mais um aparelho com aquela carinha de iPhone (que nos acompanha desde meados de 2014). O corpo segue trabalhado em metal em todo seu entorno, com vidro apenas para a frente do modelo. Nessa versão, temos 7.1 mm de espessura, e apenas 138 g de peso. Isso significa um iPhone de mesma espessura em relação ao modelo 6s, e com 5g a menos de peso. Em comparação ao iPhone passado, as linhas da antena ficaram menos visíveis e bem melhor integradas ao corpo – um detalhe de engenharia e estética ao mesmo tempo.

Logo de cara, notamos que houve uma morte no iPhone 7: descanse em paz, conector de 3.5mm para fones de ouvido. Um conector padrão, universal, que serve para qualquer fone de ouvido ou aparelho de som, carro, e assim por diante, jogado no lixo e transformado em padrão Lightning. Para quem não sabe, esses conectores analógicos existem há mais de 100 anos. É sério. Eles foram criados no século 19 e funcionam muito bem desde então.

O problema é que usuários odeiam mudanças. Sair da zona de conforto é difícil, e impor isso torna tudo pior. Agora, a entrada de fones (que aguenta puxões e trancos acidentais numa boa) será a frágil entrada "Apple-USB", e, caso você a danifique, boa sorte com o reparo, afinal, sem bocal de carregamento seu iPhone já era.

iPhone 7

Do lado bom da vida, existe a mudança mínima no design do iPhone. A Apple fundiu o botão home ao corpo do aparelho, e agora você não precisa clicá-lo. Basta aplicar um pouco de pressão (com intensidade customizável) para que o botão entenda seu toque.

Essa fusão com o corpo do aparelho o ajuda na sua certificação IP67. Isso quer dizer que agora o iPhone pode ser submerso, por até 30 minutos, numa profundidade máxima de 1 metro. Ou seja, quedas na privada estão liberadas; só que não. Segundo notas oficiais da Apple, o iPhone não é de fato a prova d'água, e sim resistente a ela. 

Especificações

  • Rodando o iOS 10 no seu lançamento, temos um aparelho equipado com:
  • Chipset Apple A10 Fusion
  • CPU Quad-core*
  • Coprocessador de sensores M10 
  • GPU de seis núcleos
  • 2 GB RAM
  • Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band)
  • Bluetooth v4.2
  • GPS/GLONASS
  • 4G LTE
  • NFC (apenas para uso do Apple Pay)
  • Leitor biométrico
  • Armazenamento interno não expansível de 32/128/256 GB 

* Vale notar que a Apple não costuma divulgar a velocidade exata de suas CPUs, apenas indicando que ela seria 40% mais poderosa que a geração passada. Em benchmarks, é possível notar uma marcação de aprox. 2.33 GHz para os 2 núcleos de alta performance. Quanto aos 2 núcleos de economia de energia, apenas marca-se 1/5 do consumo dos de alta eficiência.

Display e multimídia

Dando vida para a frente do iPhone 7, temos uma tela IPS LCD, de 4.7" rodando na resolução de 750 x 1334 pixels (fechando em 326 ppi de densidade).

Segundo a Apple, a novidade não está em nenhum dos números acima, que são os mesmos do iPhone 6s. A novidade está na tela com gama de cores mais ampla, ou seja, um "novo LCD de melhor qualidade" que equipa o modelo 7.

O vidro é de íon-reforçado como proteção para o painel contra pequenos riscos e danos menores, além do tratamento oleofóbico para menos marcas do uso com as mãos. Da mesma forma, segue o 3D Touch no display, garantindo que a tela seja capaz de medir quanta pressão é aplicada, acionando submenus e atalhos no sistema.

Já falamos de "apertar com mais força" logo no início dessa análise, onde a construção se refere ao botão home do iPhone. Podemos, de certa forma, integrar esse quesito ao display a partir de agora, afinal o botão nada mais é que uma espécie de zona afundada do display a partir dessa geração, pois não há mais de fato uma peça ali, apenas um extensão do mesmo material e lógica do display com seu 3D touch, porém com leitura de digital no meio.

O "Taptic Engine" no interior do iPhone emite uma vibração específica ao "apertar o botão falso" e, assim, a sensação de "clique" no botão é simulada. Sério, parece que esse botão afunda, mesmo sendo tudo um truque de vibração.

Indo para o uso no mundo real, temos considerações sobre a nova-velha tela do iPhone 7. A primeira delas é que a visualização sob o sol está melhorada. A segunda é que, mesmo sem mudanças na fórmula favorita da Apple em tamanho de tela e resolução, temos um painel LCD tunado, principalmente no que diz respeito às cores.

Dentre os LCDs que testamos por aqui, sempre questionamos que poucos têm a capacidade de imitar o preto com decência, ou seja, fazendo o cinza-escuro mais escuro possível. No entanto, temos um bom exemplo no iPhone 7, que ainda não migrou para o Amoled/Oled/LED, ou afins.

No seu uso do LCD, a Apple construiu um painel muito mais preciso em cores, brilho e contraste, com a tal gama de cores ampliada. Isso significa para o usuário final uma transição mais suave e harmônica entre as cores, evitando aquelas tirinhas de cor em degradês e escalas de cor. É bem clara que essa mudança é em prol da nova câmera do aparelho.

iPhone 7

Em relação ao som, finalmente temos os tão clamados alto-falantes estéreo num iPhone. Internamente, um deles fica na parte de baixo, como sempre foi, e o outro encontrou espaço ao lado da saída de som para ligações, no topo do aparelho. 

Mas não é apenas uma questão de números, onde um falante vira dois. Parece que a Apple finalmente aceitou as críticas, e equipou o aparelho com unidades de som que produzem tons mais nítidos e potentes, deixando assim clara e alta a música que você for ouvir direto do aparelho. Agora o conjunto faz sentido para quem consome multimídia direto no aparelho. Um ponto para a melhora desses falantes com os agudos e frequências mais exigentes, que conseguiam causar alguma distorção e/ou incômodo no iPhone 6s. Isso significa até mesmo uma melhoria forte ao ouvir voz falada no aparelho, o que impacta significativamente em vídeo-conferências e Skype, por exemplo.

Resumindo, a Apple aprendeu essa lição.

Usabilidade e desempenho

Uma pincelada num fato: o iPhone 7 traz o iOS 10 como sistema inicial. Logo, temos para o momento todas as melhorias do sistema já embarcadas nele, com destaque para muita afinação em diversos pontos visuais e de design, além de um melhor iMessage com integração e amplitude muito maior ao conversar com apps de terceiros. É um aposta considerável por parte da Apple. Mudanças também nos controles rápidos, aplicativos de Música e Notícias, e também a adição de notificações expansíveis, widgets e integração ainda mais sólida dos apps com a Siri.

Usabilidade ainda significa o quanto é eficaz a leitura de digitais num aparelho, como sempre. No caso do iPhone, tínhamos um referencial no reconhecimento instantâneo ao colocar seu dedo sobre o botão HOME para desbloquear o aparelho. Bom, repetiram a bruxaria no iPhone 7, e aqui está outro recordista de velocidade. Tocou, desbloqueou.

Em relação à mudança de CPU no iPhone 7, o foco dual-core da empresa visou por muito tempo extrair o máximo da CPU, sem adicionar núcleos infinitos para tarefas mais pesadas – a solução era, tal como em computadores de mesa, aumentar os GHz da CPU. E dá certo, todos sabemos. Porém, a Qualcomm mostrou no Snapdragon uma coisa semelhante ao que a Apple acabou fazendo agora. Por que não trabalhar com dois grupos dual-core? Dois de alta velocidade, e dois de baixa velocidade; assim, basta trocar entre os dois pares conforme seja necessário.

processador A10 iPhone 7

Dessa forma, a Apple criou seu chip A10 Fusion, que opera dessa forma. Assim, como alguns Androids que saíram nesse ano, o iPhone agora trabalha a economia de energia e performance bruta lado a lado, em dois grupos de CPU, ficando a inteligência de usar o grupo mais potente somente quando necessário, algo como mostrado na tecnologia big.LITTLE que já conhecemos de outros smartphones de ponta.

E deu certo. O casamento entre o iOS e o hardware da Apple arranca resultados: é um sistema fechado e desenvolvido para que não haja chance das coisas darem errado, e com a potência adicional do chip desse ano, pode-se dizer que 100% do conteúdo da loja opera consumindo menos recursos do que o iPhone pode oferecer no momento. Ao longo do ano, veremos apps e games mais vorazes sendo lançados, já fazendo uso da CPU e GPU mais potentes que a Maçã lançou em um iPhone.

Câmeras

Eis outra coisa que, definitivamente, mudou no iPhone 7. Lembra que falamos da gama de cores do display? Agora você vai entender. Com câmera traseira de 12MP, f/1.8, detecção de fase, OIS (estabilização óptica), flash quad-LED (dual tone), temos uma câmera capaz de ver melhor no escuro. A abertura de f/1.8 significa 50% mais entrada de luz no sensor, e isso não só clareia fotos como permite menos tremores em fotos com pouca luz, afinal, é mais fácil ver o que está ali, e o resto fica por conta da estabilização física do sensor.

Caso você não tenha visto novidade, o OIS só estava presente nas versões PLUS do iPhone, e somente agora isso chega ao modelo 'não plus'. Logicamente existe um custo a se pagar por esse incremento, e a resposta é o tamanho do salto na câmera do iPhone para fora do seu corpo. Esse "calombo" que assombra os iPhone há algum tempo continua, visto que a Apple de fato acha isso normal agora. E, de brinde, ele se torna ainda mais saliente no iPhone 7.

iPhone 7

Já do lado dos vídeos temos gravações em 4K (2160p@30fps), com captura simultânea de fotos em 8MP durante a produção de vídeos. Existe uma certa quantidade de nuances que um sensor de câmera pode ver e registrar numa foto e, no caso do iPhone 7, isso aumentou. Essa amplitude na captura de tons se resume em fotos com cores mais vivas e vibrantes. Some isso ao "up" em velocidade que essas lentes receberam, fazendo assim cliques um pouco mais velozes e com análise de cena mais rápida.

O pulo do gato do display reformulado do iPhone 7 está justamente aqui. As fotos tiradas por ele mostram-se notavelmente boas quando vistas pelo display do aparelho, fazendo a ponte perfeita entre a tela que mostra mais cores e a câmera que captura mais cores. Talvez no seu PC não pareça tão interessante o resultado fotográfico do aparelho, daí a jogada de deixar na cara do usuário um equipamento que justifique o avanço da câmera e mostre seu resultado em comparação as gerações passadas. Menção honrosa para o flash "True Tone" de quatro leds presente no aparelho, que visam mais luminância e melhor adequação de cor em relação ao modelo do ano passado.

Indo para a câmera frontal, são 7 MP (f/2.2) e gravações em 1080p@30fps. Isso significa um avanço interessante dos 5 MP da geração passada, mantendo o truque do "Retina Flash" ativo e oferecendo fotos claras, precisas e de boa qualidade, como antes. Novamente, temos um pequeno passo de avanço entre a câmera frontal do iPhone 7 em relação ao 6s.

Bateria e acessórios

Havia uma maldição assombrando os iPhones, em que suas baterias estavam diminuindo a cada geração. Porém, exorcizaram a bruxa no iPhone 7, e a bateria do aparelho subiu dos 1715 mAh da geração passada para 1960 mAh. Já é alguma coisa, pelo menos.

O resto dos truques fica por conta das promessas que se repetem ano a ano com o lançamento de novos iPhones. Processador mais eficiente no uso de energia, melhorias do iOS 10 em relação ao gerenciamento energético do sistema e tudo mais. Isso se traduz em algumas horas a mais de uso do iPhone 7 se comparado ao iPhone 6s. Nunca defendemos iPhones "não-Plus" aqui no Canaltech no quesito autonomia de bateria. Um iPhone (7, no caso) ainda significa ter até 10 horas de uso misto, mostrando-se algo insuficiente para passar o dia na sua mão, principalmente quando você fizer uso ativo dele.

Earpods

E voltando ao doloroso assunto dos fones de ouvido, dentro da caixa do iPhone 7, temos a declaração de "engula isso" da Apple, que é o adaptador de Lightning para o conector padrão de áudio. Pelo menos ele já vem incluso nesse primeiro modelo sem conector tradicional. Junto ao pacote, temos os EarPods de sempre, sem mudanças na sua qualidade de som em comparação aos modelos do ano passado. Audiófilos devem buscar modelos de melhor qualidade, afinal ainda não é o momento de encontrar fones premium no kit inicial da Apple.

Até chegou a parecer que a companhia traria um kit inicial de fones com conexão lightning e nota final de áudio superiores ao normal, até porque, parte da justificativa em torno do abandono da conexão analógica foi justamente o teórico ganho em qualidade sonora e fidelidade de reprodução do Lightning. Nada feito.

Vale a pena?

Para quem segue com a Apple anualmente, fazendo a venda do modelo anterior do iPhone para comprar o modelo seguinte, é um negócio que signifca apenas um passo adiante. Ficar resistente aos líquidos nefastos é algo que finalmente a Apple fez pelo iPhone 7, isso sempre aprovamos no Canaltech e cobramos sobre os outros iPhones. Mas segue o resto: entre o iPhone 6s e o 7 existem melhorias, mas nenhuma novidade capaz de virar o jogo.

Lembram quando o 3D Touch entrou no páreo? Um extra para a tela dos iPhones. Agora, temos uma tela e câmeras com "um passo adiante". Provavelmente não é suficiente para uma troca do 6s para o 7, deixando-o como escolha para que não tem um iPhone ainda e busca um, ou para aqueles que utilizam iPhones no modelo 6 ou abaixo.

Chegamos ao final da análise do iPhone 7, e só nos resta agora falar sobre o preço do aparelho – e vamos levar em conta o valor em dólares dele no exterior. Daí fica por sua conta aí do outro lado da tela colocar a conversão do dólar e os impostos sobre ele para chegar no valor de uma motocicleta de baixa cilindrada.

  • US$ 649 para o modelo de 32GB
  • US$ 749 para o modelo de 128GB
  • US$ 849 para o modelo de 256GB
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