Na internet, o Vale do Silício também faz parte da guerra contra o terrorismo

Por Felipe Demartini RSS | em 26.02.2016 às 16h33

ISIS Facebook Twitter

Quando se fala em terrorismo, as imagens mais lembradas são as de aviões atingindo as Torres Gêmeas, em Washington, ataques armados contra pessoas inocentes e um combate que acontece nas distantes areias do deserto, no Oriente Médio. Entretanto, assim como dispositivos digitais fazem parte do nosso dia a dia, também fazem parte da vida de quem está envolvido nesse combate armado. E, mais do que isso, vem sendo cada vez mais usado por eles para fins de recrutamento e marketing.

No ambiente virtual, rifles AK-47 e bandeiras sendo queimadas são trocadas por tuítes, postagens no Facebook, vídeos compartilhados no Snapchat e uma rede de contatos que está presente em quase todo tipo de mensageiro, desde o tradicional WhatsApp até a PlayStation Network. Uma estratégia que rompe fronteiras regionais e passa ilesa pela segurança, chegando até as casas das pessoas nos quatro cantos do mundo.

iphone 5c

Foram movimentos desse tipo que levaram, por exemplo, ao atentado de novembro do ano passado, na França, e ao massacre de San Bernardino, um mês depois, que vem sendo comentado na imprensa de tecnologia quase sem parar nas últimas duas semanas. Em todos os casos, de acordo com as investigações preliminares, os responsáveis fizeram toda sua organização e, principalmente, o contato com as lideranças terroristas, utilizando ferramentas e dispositivos como os meus e os seus.

No caso do tiroteio no Bataclan, por exemplo, o primeiro culpado foi a PSN e seu sistema de conversa de voz. Depois, os olhos voltaram para outros mensageiros. Enquanto isso, na Califórnia, uma ordem judicial quer obrigar a Apple a desbloquear um dos principais sistemas de segurança do iOS, já que o FBI acredita que o iPhone do responsável pelos disparos teria informações importantes sobre a organização do atentado e também possíveis associados que estariam envolvidos no ataque.

Mais do que tudo isso, entretanto, cresce a preocupação quanto ao recrutamento de jovens locais, que possam ter interesse pelas causas do Estado Islâmico ou, na visão de autoridades da União Europeia, por exemplo, acabar ludibriados pelos terroristas. Foi-se o tempo em que as células terroristas eram reconhecidas e concentradas. Hoje, a guerra santa é fragmentada, e os grupos podem estar, literalmente, em qualquer lugar, organizados com o poder da internet.

Novos alvos na guerra de sempre

Essa nova modalidade de combate gerou também a inimigos inéditos. E na mesma semana em que o governo se colocou como um adversário da indústria da tecnologia, surge também outra notícia que pode colocar empresas do Vale do Silício e agências de segurança lado a lado. O ISIS tem dois novos alvos – Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, e Jack Dorsey, que ocupa o mesmo cargo no Twitter.

ISIS Facebook Twitter

Em um vídeo liberado na internet, o Estado Islâmico faz ameaças diretas aos dois executivos, chegando a, inclusive, crivar de balas os rostos de ambos. A imagem aparece em uma nova montagem do ISIS, com 25 minutos de duração e chamada “Chamadas dos Apoiadores”, focada justamente em recrutas novos membros e agradecer ao esforço daqueles que já apoiam a causa ao redor do mundo.

No caso de Dorsey e Zuckerberg, especificamente, a retaliação acontece à campanha que está acontecendo em ambas as redes sociais, com o bloqueio ativo de contas do Estado Islâmico. Em resposta, entretanto, o grupo terrorista afirma que isso é tudo o que eles podem fazer, enquanto “dez contas surgem no lugar de uma fechada”. Além disso, afirmam que, em breve Facebook e Twitter serão tirados do ar, enquanto os nomes dos dois CEOs serão violentamente apagados da face da Terra.

A operação de suspensão de contas é apenas uma etapa de um plano supostamente proposto pelo governo dos Estados Unidos. Em janeiro, autoridades federais se uniram a CEOs e representantes de empresas de tecnologia como Apple, Facebook, Snapchat, Twitter e outros, com o objetivo claro de interromper o avanço do Estado Islâmico nas trincheiras virtuais. A ideia é não apenas tirar perfis relacionados aos terroristas do ar, mas também criar mensagens anti-ISIS, alertando a pais e jovens sobre o recrutamento virtual que vem acontecendo.

Mais do que apenas as empresas de tecnologia, o governo americano estaria falando também com agências de marketing e canais de televisão, como CNN e MTV, como forma de expandir ainda mais o alcance destas mensagens. Além, é claro, de intensificar os trabalhos de vigilância virtual em fóruns, principalmente anônimos, grupos e páginas em redes sociais.

Para analistas, por mais que o Estado Islâmico minimize a importância do trabalho de suspensão de contas, as ameaças feitas a Zuckerberg e Dorsey são amostras claras de que, mesmo que isso não seja eficaz, no mínimo, a ação está incomodando. E, cada vez mais, o combate nas trincheiras virtuais se torna quase tão importante quanto aquele do mundo real.

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