Por dentro da Fórmula 1: um passeio pela tecnologia das equipes no GP Brasil

Por Igor Lopes RSS | em 11.11.2016 às 22h36 - atualizado em 12.11.2016 às 16h58

formula 1

Já se foi a época em que bastava um motor potente e um piloto habilidoso para se vencer um grande prêmio de Fórmula 1: na atual era do Big Data, cada megabyte de dados pode fazer a diferença na pista. Por isso, as equipes se armam como podem para sair na frente quando o assunto é análise de dados. Como se trata de uma série de corridas, tudo acontece instantaneamente, as decisões tem que ser tomadas muito rapidamente e não há muito tempo para experimentos, tentativas e erros.

No fim de semana do GP Brasil de Fórmula 1, fomos a Interlagos acompanhar o trabalho de dois times: Williams, que usa tecnologia da Avanade, e Force India, que busca na NEC alguns benefícios e facilidades para otimizar a análise de dados. As parcerias se dão por meio de patrocínios, seja em espécie ou em serviços, e as marcas de tecnologia sentem-se atraídas pela Fórmula 1 por ser um esporte que respira inovação e desafios. "É mais do que nosso nome exposto no carro porque, se esse fosse o grande objetivo, poderíamos escolher esportes mais populares. O que queremos mesmo é nos associar a um esporte que demanda tecnologia, inovação e se transforma rapidamente", afirma Rodrigo Caserta, country manager da Avanade no Brasil. Oferecer a solução para um time de Fórmula 1 é uma chancela de qualidade, uma vez que "não há cliente que demande mais do que um time de F1", completa.

Mas afinal, como a Avanade colabora com a Williams? A resposta está na análise de dados em tempo real. Hoje, cada carro conta com cerca de 250 sensores que geram cerca de 6 GB de dados por corrida. São 75 GB de informações armazenadas por final de semana, que precisam ser analisadas em tempo real para que engenheiros - estejam eles no circuito ou na sede da equipe - possam trabalhar e tomar decisões imediatas que melhorem o rendimento na pista.

Rob Smedley, engenheiro que desde 2001 trabalha na Fórmula 1 e desde 2006 é responsável pelo carro do brasileiro Felipe Massa, nos explicou como tira proveito da solução da Avanade no seu dia-a-dia. "A análise de dados em tempo real nos elimina uma série de trabalhos manuais que antes tínhamos que realizar. Agora, sobra mais tempo para os engenheiros pensarem em inovações, criarem coisas interessantes que melhorem nossa performance".

               Rob Smedley, engenheiro do brasileiro Felipe Massa na Williams (Foto: Clive Couldwell)

Hoje, a Williams conta com 750 funcionários - cerca de 100 deles são engenheiros. Desse total de empregados, 80 efetivamente viajam para acompanhar cada etapa in loco nos diferentes países, enquanto os outros profissionais ficam na sede em Northampton, Reino Unido. Para que a análise dos dados em tempo real aconteça, a Williams conta com duas conexões dedicadas que ligam a equipe no circuito com a sede: uma principal, de 100 Mbps, e um backup, de 10 Mbps. Em menos de dois segundos, toda informação gerada pelos carros está disponível para todos, em qualquer lugar do mundo. "Se voltarmos 10, 15 anos no tempo, quando comecei, os carros não tinham mais do que 10 sensores. Não tínhamos geração de dados, não tínhamos essa realidade que encaramos hoje. Era um trabalho totalmente diferente", completa.

As soluções da Avanade dentro da Williams vão além das pistas. A empresa de TI também ajuda a equipe a criar um ambiente de trabalho 100% digital, em que todas as funções dos empregados podem ser realizadas de qualquer ponto do planeta. É possível até mesmo contratar talentos ao redor do mundo e tudo é organizado pelo ambiente de trabalho digital. Uma área chamada "Clutch Manager" permite que designers e engenheiros trabalhem numa mesma peça de forma colaborativa e online, e qualquer fluxo de trabalho é gerenciado através do sistema. Dessa forma a equipe reduz erros, melhora a performance e aumenta a produtividade.

A maior mudança já vista no regulamento da Fórmula 1

O campeonato 2016 caminha para o seu fim, mas as equipes já trabalham pesado no desenvolvimento dos carros para 2017. Todos os anos, novas regras são definidas para a Fórmula 1 mas, dessa vez, a FIA (Federação Internacional do Automóvel, associação que organiza e administra o esporte) resolveu modificá-las um pouco mais que o habitual. Os carros serão mais largos, passando dos atuais 1,80 m para 2 m. Os pneus também: os dianteiros irão de 24,5 para 30,5 cm; e os traseiros de 32,5 para 40,5 cm. Essas, somadas a outras mudanças, como por exemplo um aumento da vazão de combustível para o motor, deverão gerar carros mais agressivos - em outras palavras, mais velozes. A evolução no tempo de volta está estimada em algo como 5 segundos. Nesse processo, todo o legado de dados de um ano se torna obsoleto, já que as mudanças exigem que se comece um projeto praticamente do zero.

                            Comparativo: carro de 2016 vs carro de 2017 (Imagem: Motorsport.com)

É aí que a NEC, parceira tecnológica da Force Índia, está sendo bastante importante para o time. A equipe fundada pelo indiano Vijay Mallya surpreendeu a categoria este ano, e a expectativa para 2017 está alta. Com as ferramentas providas pela NEC, foi possível desenvolver não só o projeto do carro de 2016, como também o projeto 2017 com bastante assertividade - tanto é que os designers esperam um modelo com uma aerodinâmica duas vezes mais eficiente do que a atual. Isso só foi possível graças às informações analisadas em tempo real pelas soluções da NEC, e entregues de uma forma mais "digerida" para os engenheiros. No esporte em que cada milésimo de segundo pode fazer a diferença, coletar, armazenar, questionar e interpretar esses dados de forma ágil pode ser o caminho para a vitória.

Mas onde armazenar tantos dados?

Com o passar do tempo, a quantidade de dados gerada pelos carros só aumenta. São informações sensíveis, que precisam ter sua segurança garantida. A Acronis, especializada em soluções de backup e migração de dados, é parceira da Toro Rosso no processo de armazenamento e segurança dos dados. Este é o primeiro ano da parceria, que está programada para durar três anos e é considerada de sucesso pela Acronis. No caso da Toro Rosso, são cerca de 10 PB de informações armazenadas em backup, sendo que 5 TB de dados de telemetria são adicionados diariamente, gerados pelos carros ou pelos simuladores na sede. Um link dedicado de 200 Mbps garante a troca de informações entre os data centers da Acronis e a sede do time, enquanto outro link de 30 Mbps conecta a estrutura em pista com a sede. Dessa forma, os dados podem ser sincronizados em tempo real. "Escolhemos apostar na Fórmula 1 porque, se somarmos a audiência mundial desse esporte, temos mais atenção do que o Super Bowl. É uma ótima oportunidade de estreitar relacionamento com clientes, além de associar a marca a um esporte rápido e inovador", explica Patrick Hurley, VP da Acronis para a América Latina.

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