Facebook completa 12 anos de existência

Por Felipe Demartini RSS | em 04.02.2016 às 12h36

Facebook

“Quando Mark Zuckerberg ficou impaciente com a criação de um anuário oficial universal de Harvard, ele decidiu fazer as coisas sozinho”. É com essa frase que começa a primeira reportagem publicada pelo Facebook, no dia 9 de fevereiro de 2004. Ela saiu no The Harvard Crimson, o jornal diário dos estudantes da universidade, e falava dos mais de 650 alunos que haviam se registrado no site ao longo de sua primeira semana de existência. Ele havia entrado no ar uma semana antes, no dia 4, ainda se chamando The Facebook.

Hoje, doze anos depois, esse total de acessos, que parecia impressionante na época, é quase 18 vezes menor que o número de usuários utilizando a plataforma por segundo. São um bilhão de pessoas online no Facebook todos os dias, 800 milhões diariamente no Messenger e mais números igualmente hiperbólicos em outras soluções adquiridas pela companhia, como o Instagram e o WhatsApp. O status de maior rede social do mundo é indiscutível.

Nesta quinta-feira (4), a empresa comemora o dia da abertura de suas portas e também instituiu que este seria o “dia do amigo”, apesar de a data oficial e mais conhecida para essa comemoração ser 20 de julho, em homenagem à chegada do homem à Lua. Em seu aniversário de doze anos, o Facebook relembra os melhores momentos dos usuários com os parceiros, exibindo fotos e comentários mais relevantes ao longo de todo esse tempo.

Home original Facebook

A interface original da rede social, entretanto, nada lembra o que temos hoje. Em 2004, essa era a página que você veria se tentasse acessar o site, ainda no endereço thefacebook.com. Você só poderia acessar a rede social se fosse um estudante de Harvard, algo que era validado com o uso de um email oficial da universidade, e a foto de Al Pacino no canto superior esquerdo na tela com certeza renderia problemas judiciais para Zuckerberg e sua trupe.

Em 2005, o número de faculdades permitidas no The Facebook já era bem maior, chegando também ao Reino Unido, México e Porto Rico. Depois, foi a vez dos estudantes de ensino médio e funcionários de empresas de tecnologia como Apple e Microsoft. Nesse caso, era necessário um convite para entrar. Aos poucos, entretanto, a restrição não parecia ter mais sentido e, em setembro de 2006, a rede social finalmente abriu as portas para todo mundo acima de 13 anos, sendo o único requisito indispensável a utilização de um email.

Facebook 2007

Aqui, ela já havia extinguido o “The” de seu nome, mas mesmo hoje, ao acessar o endereço original, somos redirecionados para a URL oficial do Facebook. Em 2007, poucos meses depois da abertura geral, ainda, estreava o logotipo que conhecemos até hoje, com poucas mudanças. As tradicionais letras brancas sobre um fundo azul foram criados para passar a sensação de leveza e consistência, além de simplicidade, um caráter que, para muita gente, não existe mais no estado atual da rede social.

“Não se chega a 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”

Quem observa essa escalada pode até pensar que o caminho foi difícil. Para Zuckerberg, o grande inimigo, entretanto, pareceu ser a própria justiça, que o impediu de fazer o que ele queria o tempo todo. Até hoje, e ainda atualmente, são diversos os processos judiciais que se acumulam contra o fundador da rede social e sua companhia.

O primeiro, e mais conhecido deles, veio logo nos primeiros anos de existência do Facebook, quando três colegas de Harvard – Divya Narendra e os gêmeros Cameron e Tyler Winklevoss – acusaram Mark Zuckerberg de ter roubado uma ideia original de rede social, o Harvard Connection. Ele havia sido contratado para desenvolver o projeto, e surpreendeu aos parceiros quando lançou, ele mesmo, um site com características parecidas.

Irmãos Winklevoss

A disputa durou anos e chegou ao final apenas em 2011, quando os irmãos aceitaram um acordo que os recompensaria com US$ 20 milhões e uma parcela de ações do Facebook, no valor de mais US$ 150 milhões. Os dois fizeram isso contrariados, pois acreditavam ter direito a uma parcela maior, entretanto, resolveram seguir as orientações de juízes e advogados, encerrando definitivamente o combate.

Outro processo bastante notório relacionado ao Facebook foi o movido pelo brasileiro Eduardo Saverin, um dos sócios originais de Zuckerberg e responsável pela gestão financeira do Facebook. Aqui, a acusação é de que o fundador da rede social teria diluído propositalmente as ações do parceiro, devido à diferenças de opinião e gestão, removendo quase que completamente sua importância na diretoria e, principalmente, a lucrativa parcela de ações à qual ele tinha direito.

Como no caso dos Winklevoss, a peleja foi resolvida fora dos tribunais. A admissão de Zuckerberg de que havia, realmente, agido intencionalmente contra o antigo parceiro poderia levar a um resultado insatisfatório nos tribunais, o que motivou o Facebook a conversar fora deles. Hoje, Saverin vive em Cingapura e tem uma cota de 53 milhões de ações da rede social, equivalentes a 0,4% do controle da companhia.

E esses são apenas os principais problemas judiciais que o Facebook enfrentou ao longo dos anos. A rede social também foi alvo de uma ação movida por Paul Ceglia, um golpista que moveu uma ação fraudulenta contra o Facebook alegando ter um contrato assinado por Zuckerberg que o garantia 84% do controle da empresa. 

Outro problema judicial envolve uma ação do governo dos EUA relacionada à quebra de privacidade dos usuários ao monitorar mensagens privadas para fins publicitários, movida em 2014. No Brasil, uma transexual processou o Facebook quando teve sua conta bloqueada devido à não aceitação de seu nome social. Essa e outras ações semelhantes levaram, mais tarde, a uma mudança nos termos do site e à adição de novas opções de gênero para os perfis.

E se você conheceu alguns desses casos pela descrição, é porque eles são o tema principal de “A Rede Social”, filme de 2010 que coloca o ator Jesse Einsenberg no papel de Mark Zuckerberg e conta a história do Facebook. O longa foi indicado a oito Oscar e venceu três, além de ter sido considerado o melhor filme dramático daquele ano pelo Globo de Ouro. A direção é de David Fincher e o roteiro, de Aaron Sorkin, que escreve baseado no livro “Bilionários Por Acaso – A Criação do Facebook”, de Bem Mezrich.

Melhorando o mundo

Mas nem só de problemas e negatividade vive o Facebook. A rede social também é reconhecida por suas iniciativas sociais e voltadas para melhorar o mundo. É o caso, por exemplo, do projeto Free Basics, o antigo Internet.org, que tem como objetivo levar a internet para regiões carentes do mundo.

A ideia da iniciativa é oferecer, mesmo em dumbphones, acesso a serviços básicos para a população, selecionados pela iniciativa e adaptados para rodar em todo tipo de dispositivo e até mesmo nas conexões mais fracas. Além disso, o Facebook tem projetos em desenvolvimento para utilizar balões com redes sem fio, que possam entregar banda até mesmo em regiões remotas do globo.

Outro exemplo de benfeitoria recente é o recurso que permite a moradores de zona de conflito ou desastres naturais indicarem que estão a salvo. Lançado em 2012, o projeto usa o alcance da rede social para garantir a tranquilidade de parentes e amigos a distância, mesmo em condições nas quais telefonemas e conexões online podem ser precárias ou inexistentes. É uma maneira de garantir, para todos e ao mesmo tempo, de que está tudo bem.

 Mark Zuckerberg

Isso sem falar nessa mesma característica como capaz de reunir familiares e amigos distantes, ou permitir que as pessoas encontrem outras com quem não conversavam há anos. Que levante a mão aquele usuário do Facebook que não conhece o paradeiro daqueles amigos de escola ou velhos companheiros de trabalho apenas pelas postagens, mesmo que a última conversa entre eles tenha acontecido há muitos anos.

No Brasil, a rede social figura na lista dos três sites mais acessados do país, ao lado de Google e YouTube. Hoje, o Facebook está disponível em centenas de países ao redor do mundo, sendo que a maioria de seus usuários está nos Estados Unidos e Europa. Entretanto, algumas nações não permitem o acesso de seus cidadãos ao serviço, como é o caso da China, enquanto outras, como Egito e Paquiestão, chegaram a bani-lo por dias ou meses devido, principalmente, à recusa em cooperar com leis locais.

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