Uber, Cabify e WillGo: testamos, comparamos e jogamos a real

Por Patrícia Gnipper RSS | em 06.07.2016 às 23h58 - atualizado em 07.07.2016 às 00h13

Uber vs Cabify vs WillGo

Uma cena comum do nosso cotidiano atual é vermos pessoas paradas nas calçadas com smartphones em mãos e, em seguida, entrando em carros sem identificação. Mas, nesse caso, entrar em um veículo desconhecido não é problema: elas certamente chamaram um Uber para fazer seu transporte de um ponto a outro na cidade. Essa prática é cada vez mais adotada por quem não deseja utilizar o transporte público – e agora essas pessoas contam também com outras opções de aplicativos de transporte de passageiros.

O pioneiro foi o Uber, que chegou ao Brasil em 2014 e rapidamente conquistou os usuários oferecendo corridas altenativas aos táxis tradicionais. O sucesso fez com que a companhia logo trouxesse novos serviços, tendo iniciado somente com a modalidade mais cara (o UberBLACK), e lançando opções mais populares como o UberX e o UberPOOL – esse último que permite dividir a corrida com “caroneiros”, pagando uma taxa significativamente mais baixa.

Em abril de 2015 o app foi suspenso temporariamente pela Justiça, conseguindo retornar no mês seguinte. Mas um novo bloqueio foi determinado em seguida e a briga judicial (bem como a briga nas ruas, envolvendo taxistas e motoristas “do carro preto”) continuou por mais alguns meses, até que a Prefeitura de São Paulo finalmente assinasse um decreto regularizando o serviço na capital. E então, começou a surgir a concorrência.

O primeiro deles foi o WillGo, aplicativo de corridas surgido na Índia que pisou no Brasil começando pela cidade de São Paulo. Por enquanto, esse app funciona somente em dispositivos com Android – mas a empresa promete lançar a versão para iOS em breve. O app oferece veículos diversos à escolha do usuário (como carros pretos, SUVs e até blindados), que paga pela corrida por meio de cartão de crédito previamente cadastrado no aplicativo.

Com o WillGo os preços das corridas são fixos, tarifados conforme o tipo do veículo solicitado e a quilometragem rodada, e as corridas podem ser agendadas com uma antecedência de 48 horas – é possível solicitar um carro de imediato, mas o tempo de espera ainda é um tanto quanto longo (passando dos 20 minutos). Porém, há vantagens ao motorista, que não é cobrado por viagem mas sim por meio de uma assinatura fixa, que pode ser mensal, bianual ou anual.

Depois, surgiu o Cabify, que estreou na cidade de São Paulo no início de junho. Disponível para Android e iOS, o app de origem espanhola efetua o cálculo para cobrança das corridas usando como base somente os quilômetros rodados, ignorando o tempo que o passageiro permanecer no veículo (como acontece com o Uber). Com isso, a empresa promete preços competitivos – que é para “bater de frente” com seu principal concorrente mesmo.

Usando o Uber como base de comparação

Fizemos então uma corrida de teste com os três aplicativos usando o mesmo trajeto, na mesma faixa de horário. Pedimos primeiro um UberX, que mostrou a previsão de cobrança no valor de R$ 8,94 caso fosse escolhido um carro particular. Já se a preferência fosse o UberPOOL, o valor seria reduzido para R$ 6,71. Mas pedimos um carro exclusivo para não arriscar termos o trajeto ligeiramente alterado por uma carona no meio do caminho – o que prejudicaria nossa análise comparativa.

previsão corrida Uber

O motorista da vez nos contou que quando decidiu se cadastrar com o Uber ele já havia ouvido falar no recém chegado Cabify, mas não chegou a se interessar pelo concorrente a ponto de tentar uma inscrição por lá também. Para ele, seria confuso tentar trabalhar com duas companhias ao mesmo tempo, “a não ser que eu tivesse dois smartphones, senão eu faria confusão com os aplicativos”, disse. E sem saber se haveria ou não um contrato de exclusividade – que, ao menos de acordo com este motorista, não há – o profissional preferiu o Uber, que é um serviço que já deu certo e, portanto, acaba passando mais segurança aos motoristas novatos (que era o seu caso).

Ele contou ainda que a comunicação entre a Uber e seus motoristas acontece quase que diariamente com o envio de boletins e informativos virtuais, e quando o motorista precisa de alguma ajuda, o pessoal do suporte é ágil e eficiente. Contudo, mesmo com essa comunicação quase diária a Uber ainda não teria feito nenhum pronunciamento oficial para seus motoristas com relação aos novos concorrentes. Isso porque o Uber fica com 25% das corridas feitas por seus motoristas (mesma porcentagem exigida pelo Cabify), enquanto o WillGo cobra do motorista um valor fixo trimestral, anual ou bianual, como se fosse uma assinatura. Sendo assim, imaginamos que a Uber ressaltaria suas vantagens aos motoristas que estivessem pensando em migrar para algum de seus novos concorrentes.

Ao final da corrida, o recibo do Uber recebido por e-mail mostrou que foi cobrado o valor total de R$ 8,48 pelo trajeto – um pouco menos do que os R$ 8,94 previstos inicialmente.

De zero a dez? Para o aplicativo, damos uma nota 9. Para o serviço, nossa nota foi 8 (perdendo pontos por conta da tarifa dinâmica que pode gerar surpresas negativas em dias de trânsito intenso).

Indo de Cabify

O mais bacana do Cabify – que funciona de maneira muito similar ao Uber, com motoristas bastante educados e carros com requisitos exigentes aprovados – é que o valor da corrida é baseado exclusivamente na quilometragem rodada, então caso o passageiro enfrente um trânsito daqueles, ele não terá uma dor de cabeça ao ver que o valor final cobrado pela corrida foi bastante superior à previsão inicial, já que o tempo gasto entre a entrada e a entrega do passageiro não entra na equação da tarifa. 

O Cabify cobra R$ 2,50 a cada quilômetro rodado em percursos que não ultrapassem os 10km, enquanto para corridas mais longas o valor fica mais alto, chegando aos R$ 3 para trajetos com mais de 25km de distância. Do valor total de cada corrida, 25% fica com a empresa, e o restante vai para a conta do motorista. Para a nossa corrida de avaliação, o mesmo trajeto que fizemos por R$ 8,48 com o UberX saiu por R$ 12,52 pelo Cabify. Isso porque não pegamos congestionamento com o Uber e, portanto, a corrida saiu até mais barata do que a previsão inicial. Também não houve congestionamento durante a viagem com o Cabify, mas o valor final de qualquer forma não seria alterado por conta disso.

previsão corrida Cabify

Conversando com o motorista (que pediu para não ser identificado, já que havia começado com a companhia há poucos dias e não soube dizer se os motoristas têm liberdade para conceder entrevistas sobre o serviço), ele contou que trabalhou com o Uber no ano passado, mas as intensas represálias por parte dos taxistas foram motivo suficiente para que ele priorizasse sua integridade física (bem como a de seu veículo).

“Um colega meu quase foi agredido por eles [os taxistas], e no noticiário só se via mais e mais violência acontecendo. Então eu desisti de ser motorista do Uber até que o [prefeito de São Paulo] Haddad resolvesse. Depois que [o Uber] foi liberado, acabei conhecendo o Cabify e gostei”, relatou o motorista.

Para ele, o usuário tem vantagem escolhendo o Cabify, já que o valor exibido na previsão inicial será o valor pago, sem surpresas por conta das eventualidades do trânsito. “Em dias de chuva, por exemplo, que fica tudo parado, o Cabify sai na frente”, opinou. Contudo, o app ainda não oferece um serviço de corrida compartilhada como o UberPOOL, que acaba sendo a preferência de boa parte dos usuários que desejam pagar ainda mais barato para efetuar o trajeto no conforto de um carro com água e ar condicionado.

O motorista também nos disse que a companhia, que só aceita veículos fabricados a partir de 2011, tem como política vistoriar e aprovar o carro para que ele seja liberado e faça parte da frota do Cabify. Por enquanto, o serviço está atendendo na região do centro expandido da capital paulista e oferece apenas carros da categoria “Lite” (equivalente ao UberX), mas está prevista a chegada de modelos diferentes para suprir as necessidades de um número maior de usuários.

De zero a dez? Para o aplicativo, nossa nota também ficou nos 9. Para o serviço, demos uma nota de 8,5 pela vantagem de confiar na prévia do valor da tarifa, mas sem o benefício de compartilhar corridas com caroneiros (e pagar menos por isso).

Dificuldades com o WillGo

Já nossa tentativa de testar (e analisar), o serviço do WillGo se mostrou uma frustração e tanto. Tentamos nos cadastrar na sexta-feira (1), mas o código de ativação (enviado por e-mail) não chegou e, com isso, nosso cadastro não pôde ser aprovado para fazermos uma chamada. Aguardamos algumas horas e depois tentamos contato por meio do formulário do site, mas não obtivemos resposta em tempo hábil.

WillGo ativação

Em seguida, tentamos ativar o cadastro de outra forma, realizando o login por meio da integração com o Facebook. Apesar do sistema do WillGo ter identificado o usuário, uma mensagem de erro dizia "permissão negada (não encontrado)", e seguimos sem conseguir ativar o cadastro e começar a usar o serviço.

erro WillGo

Então no domingo (3) fizemos um segundo cadastro usando um e-mail alternativo e aguardamos até a segunda-feira (4) às 14h49 para que o novo código de ativação fosse enviado. Com o cadastro finalmente aprovado, tentamos agendar uma corrida de teste, mas o sistema de agendamento estava indisponível, continuando "em atualização" por diversas horas, conforme podemos ver nos prints abaixo:

agendamento WillGo

Uma vez que a ferramenta de agendamento permaneceu inativa por vários dias até hoje (6), decidimos fazer uma corrida avulsa para conseguirmos avaliar o serviço de alguma forma. Contudo, também não foi possível realizar essa chamada à parte, já que o sistema do WillGo não mostrou nenhum carro disponível para nosso endereço, mesmo que tenhamos tentado fazer a solicitação em diversos horários ao longo do dia e da noite.

WillGo indisponível

Além disso, ao conferir o uso da bateria utilizando o Du Battery Saver, vimos que o aplicativo do WillGo foi flagrado consumindo muito da memória RAM do smartphone, mesmo estando em segundo plano.

WillGo consumo de bateria

De zero a dez? Para o aplicativo, de acordo com a nossa experiência a nota ficou em 3,5. Além do alto consumo de memória RAM do aparelho, o envio do código de ativação não ocorreu de imediato e por vezes o app acabou travando e sendo fechado pelo smartphone. Para o serviço, não temos nota para avaliar, já que não conseguimos realizar uma corrida com o WillGo.

E você? Prefere os bons e velhos táxis, ou já se rendeu ao Uber? Já utilizou os serviços do Cabify ou do WillGo? Conte-nos sua experiência com os aplicativos de transporte de passageiros no campo de comentários logo abaixo!

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