Tudo o que você precisa saber sobre a AMD Pro Duo, GPU mais rápida do mundo

Por Pedro Cipoli RSS | em 21.03.2016 às 17h01

AMD Radeon Pro Duo

ficam cada dia mais sofisticadas (e potentes). Há uma certa alternância de poder bastante saudável entre as duas empresas, e agora é a vez da AMD, que recentemente anunciou na GDC (Game developer Conference) a sua Radeon Duo Pro, uma placa de vídeo dual-chip que entrega as tecnologias mais modernas que o “time vermelho” tem a oferecer, e vamos dissecar cada detalhe dela nas próximas linhas.

Radeon Pro Duo ou Fury X2?

“Radeon Pro Duo” é um nome para lá de poderoso, não? Passa a ideia de alto poder de fogo, desempenho extremo e superioridade técnica. De qualquer forma, trata-se do último chip que a AMD apresentou no mercado (Fiji XT), o mesmo presente na Fury X. O diferencial aqui é a implementação de dois chips no mesmo PCB, da mesma forma que a Radeon R9 295X2 é uma versão “dual-core” da R9 290X. Aliás, a solução de resfriamento também é líquida, uma estratégia semelhante à da R9 295X2. Ou seja: chamá-la de Radeon Pro Duo ou Fury X2, seu nome formal, significa exatamente o mesmo modelo.

AMD Radeon Pro Duo

Como estamos falando de um modelo que usa dois chips da Fury X, basta praticamente dobrar todas as especificações dela para chegar na Radeon Pro Duo:

  • Chip: 2x Fiji XT (usando basicamente a mesma arquitetura);
  • Processadores de fluxo: 8196 (4096 por chip);
  • Clock: 1050 MHz (exatamente o mesmo da Fury X);
  • Memória RAM: 8 GB HBM (divididos em dois módulos de 4 GB, ainda de primeira geração), 8196 bits (4096 por chip) e banda teórica de 1 TB/s (uau!);
  • Desempenho teórico: 16 TFLOPS em single-precision (quase 2 vezes os 8,7 TFLOPS da R9 Fury X);
  • Litografia: 28 nanômetros;
  • APIs: DirectX 12, Vulkan e Mantle;

Porém, algo que vale a pena ser destacado é que, por alguma mágica tecnológica, a AMD conseguiu atingir a TDP de 350 watts. Dizemos mágica pois a Fury X consome 275 watts, ou seja, a empresa dobrou praticamente todos os quesitos aumentando somente 27% o consumo energético e a dissipação de calor, usando 3 pinos de alimentação PCI Express de 8 pinos. Tecnicamente, qualquer fonte com 3 conectores é capaz de sustentá-la, não sendo um valor tão alto como suas especificações sugerem.

Para quem é

Além de brutalmente potente, trata-se da placa de vídeo mais poderosa do mercado, batendo até mesmo a Titan Z, GPU da NVIDIA que também usa dois chips. Naturalmente, o preço não é nada amigável, já que estamos falando de US$ 1.499 de preço sugerido, traduzindo-se em cerca de R$ 6.000 (considerando US$ 1 como R$ 4), sem contar impostos, taxas e custos adicionais de trazê-la para o Brasil. Quem acompanha o mercado de hardware sabe que, caso ela chegue a ser vendida por aqui, seu preço será muito maior.

AMD Radeon Pro Duo

O preço, sozinho, já denuncia que esta não é uma placa de vídeo para todo mundo, mirando, inicialmente, no público entusiasta. Esse público é praticamente indiferente a preços altos, já que a preocupação é em maximizar o desempenho o máximo quanto possível sem se preocupar no valor final da máquina, o mesmo acontecendo com a série entusiasta de processadores Intel. Os 16 TFLOPS certamente chamarão a atenção desse público, mas a AMD, que não é boba nem nada, tem outros dois públicos em mente.

Criadores de conteúdo multimídia certamente se interessarão pela Pro Duo (daí o “Pro”), onde a AMD tenta mimetizar a estratégia utilizada pela NVIDIA com a sua linha Titan: um modelo que transita em jogos e aplicações audiovisuais. Já imaginou ter uma Pro Duo para editar vídeos ou trabalhar com CAD? Naturalmente, estamos falando dos profissionais que tratam os US$ 1.500 como um investimento, não como um custo, já que o upgrade se transformará em renderizações mais rápidas. Para esse público, a AMD já anunciou compatibilidade com programas como After Effects e Premiere (Adobe) e DaVinci Resolve Studio e Fusion (Blackmagic), via OpenCL.

Por último, temos um público-alvo relativamente novo, com altíssimo potencial de crescimento nos próximos anos.

Realidade Virtual

A VR, ou Virtual Reality, chegou para ficar. Basta observar o alto investimento de grandes players do mercado, além da alta receptividade do público, para ver que não se trata de um hype, uma “modinha”. O gargalo atual dessa tecnologia mais imediato é o poder de fogo necessário para uma boa experiência, já que mesmo placas de vídeo capazes de rodar uma boa quantidade de títulos no máximo apanham para renderizar imagens de realidade virtual em tempo real. É aqui que entra uma combinação poderosa trabalhada in-house pela AMD: do lado do hardware, temos a Radeon Pro Duo. Do lado do software, o LiquidVR SDK.

Esse movimento estratégico pode tornar a AMD uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia, já que a empresa tomou as rédeas e anunciou a base necessária para futuros desenvolvimentos na área. O LiquidVR é um SDK (Software Development Kit) desenvolvido especificamente para aproveitar todo o poder de fogo da Pro Duo para criação e consumo de conteúdo de realidade virtual. Um forte indicativo de que uma nova tecnologia terá longa vida é a penetração de mercado, o trabalho conjunto de grandes players, de forma que a colaboração com a Crytek (Crytek VR First iniciative) indica um acerto por parte da AMD.

amd

Sendo bastante simplistas, a AMD criou uma camada intermediária de compatibilidade e otimização entre o que o criador de conteúdo faz com o hardware subjacente, aproveitando cada MHz e GB da Pro Duo para criar produtos cada vez melhores. No final das contas, temos um produto que é interessante por si só, e que, além disso, pretende ser a solução para diversos problemas atuais através de otimizações e parcerias. Hora da conclusão.

Conclusão

A princípio, acreditávamos que a AMD simplesmente anunciou uma versão dual-core da Fury X como a GPU mais rápida do mundo sem grandes inovações e com um preço bem alto, já que, na prática, é basicamente uma Fury X dual-core. Porém, depois de pesquisarmos bastante, a história é bem diferente. Em primeiro lugar, se implementar dois chips em um mesmo PCB fosse algo simples (ou mesmo barato), teríamos muito mais modelos por aí. Provavelmente, foi a solução da empresa para contornar a limitação de 4 GB de memória RAM com HBM de primeira geração, já que a segunda geração, que não sofre essa limitação, não mostra sinais de chegar ao mercado tão cedo.

Temos tanto a limitação de consumo energético e geração de calor, que podem tornar o projeto inviável, quanto a capacidade da AMD de fazer com que os dois chips realmente ofereçam o desempenho esperado, considerando as especificações. A Radeon Pro Duo não só cumpre esses dois quesitos, de alguma forma conseguindo alcançar uma TDP razoável através de uma solução de esfriamento líquido, como consegue alcançar um valor próximo do que iria esperado, teoricamente, com o poder de fogo de duas Fury X em uma única placa de vídeo.

Mais importante ainda, a AMD fez um belo esforço em encontrar diversos públicos-alvo para a Pro Duo, além dos entusiastas e dos criadores de conteúdo audiovisual. Ao categorizá-la como “pronta para VR”, com um software subjacente para permitir futuros desenvolvimentos da área, já que a Pro Duo é, incialmente, a primeira GPU da empresa a suportar o LiquidVR SDK. Certamente é uma forma de convencer empresas a arcarem com o alto custo dessa nova placa de vídeo, mas que não tira o mérito da AMD de ter tomado a iniciativa de mostrar para os desenvolvedores que está do lado deles.

Fontes: WCCFtech, Extreme Tech, AMD

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