Native Advertising, uma piada de bom gosto

Por Colaborador externo | 09.10.2014 às 12:22

Por Vitor Elman*

Uma piada, para ser engraçada, tem que ser contada na hora certa, para o público certo, no tempo certo e, principalmente dentro do contexto da situação. Ela entra na conversa naturalmente e por isso entretem. Não dá para forçar uma piada. Assim também é o novo método online, o Native Advertising.

A ideia é criar conteúdo no contexto da experiência do usuário. Ao juntar a forma e a função do canal onde o consumidor está, o anúncio pago passa a ser menos intrusivo, resultando na aceitação do internauta, interação, além de aumentar o compartilhamento. É a mídia inserida no conteúdo de uma forma natural.

Vídeos, imagens, artigos, posts ou músicas podem ser criados como Native Advertising em canais como, por exemplo, Facebook com posts patrocinados, no Twitter com tweets patrocinados, no Instagram, em Blogs e também no YouTube com o formato Pre Roll (onde seu vídeo passa antes de outros vídeos).

O importante é que o conteúdo seja criado pensando no canal onde será veiculado e na audiência que irá consumi-lo para que complete a experiência do usuário e não a interrompa. Por exemplo, no caso do YouTube, é preciso pensar no roteiro do vídeo de uma forma não linear, pois os seus primeiros cinco segundos são decisivos para reter o consumidor e o sucesso da ação, uma vez que, depois, ele pode pular seu vídeo.

As plataformas de imagens como Instagram ou Pinterest, por exemplo, vêm crescendo muito em termos de Native Advertising. Um estudo feito pelo Instagram mostrou que a taxa de retenção por meio de informação visual pode chegar a 65% em comparação a 10% para informação em texto.

Outra estratégia que vem se comprovando eficiente são os influenciadores sociais, pessoas que formaram uma audiência fiel ao seu redor por meio da construção de uma relação de confiança em seu conteúdo. Podem ter presença em variadas plataformas, como no YouTube com um canal cheio de assinantes, no Twitter com vários seguidores, no Facebook com vários fãs, com blogs de assuntos diversos, etc.

Os influenciados trabalham com marcas que realmente tenham afinidade com seu estilo de vida. Para a marca é uma maneira de entrar na conversa e agregar essa confiança da audiência. De acordo com a Nielsen, os influenciadores têm maior poder de conversão no processo de compra do que um conteúdo criado pela marca ou ainda uma dica de um amigo. Mas, é importante sempre respeitar a maneira como o influenciador se comunica com sua audiência e não tentar impor o seu jeito de falar, afinal, aqui sua marca é a convidada.

Os veículos já estão se movimentando para essa nova tendência. Segundo o eMarketer, 73% dos veículos nos EUA já possuem formatos para Native Advertising. Um anúncio que aparece no news-feed do Facebook como conteúdo gera 49 vezes mais cliques do que os Facebook Ads (anúncios que ficam a direita da tela), de acordo com a Adroll. Além disso, native ads são vistos pelo mesmo tempo que o conteúdo editorial e são muito mais compartilhados do que anúncios em banners (32% contra 19% de acordo com pesquisa da IPG media lab).

Em um novo mercado onde os consumidores evitam os formatos tradicionais de mídia, é preciso adentrar na sua conversa, dentro do seu dia a dia. Mas, para isso, temos que respeitar, agregar e não interromper o que ele está fazendo. Se você é convidado para um jantar na casa de um amigo, pega bem levar um vinho de presente, não? Então é a mesma coisa, dê algo em troca, dê um benefício real que tenha contexto. Transforme conteúdo em propaganda e não propaganda em conteúdo.

Agora, uma piada: O que é, o que é? Tem cara de choro, não chegou nas metas e perdeu para o concorrente? Resposta: O profissional de marketing que não acreditou no Native Advertising.

*Vitor Elman é sócio e diretor de engajamento da Cappuccino Digital