O que há de novo no Ubuntu 16.04 LTS (Xenial Xerus)? (Parte 2)

Por Pedro Cipoli

Na primeira parte deste artigo, vimos as novidades do Ubuntu em relação ao seu processo de instalação, consumo de recursos, pesquisas on-line desativas por padrão (os "spywares", segundo Richard Stallman) e a compatibilidade com os pacotes Snap. Agora vamos conhecer os novos recursos da versão 4.4 do Kernel utilizado, especificidades em relação às GPUs da AMD, extras e como essa versão é importante para outras distros, completando as principais informações sobre essa nova versão da distribuição mais popular do Linux.

O Kernel 4.4 e extras

As atualizações dessa versão do Kernel Linux incluem duas, digamos, "classes" de atualizações. A primeira delas atinge diretamente a vida do usuário, enquanto a segunda é mais voltada para sistemas corporativos e casos específicos. Vale deixar claro também que esta versão não é a mais recente (e sim a versão 4.6), com a versão 4.5 já classificada como estável. Por que escolher o Kernel 4.4? Pois ele foi criado para ser suportado em longo prazo, sendo a versão mais recente disponível no anúncio oficial do Ubuntu, sendo a mais atual e recomendada para uma versão LTS do sistema.

Ubuntu 16.04

Versão já atualizada do Kernel padrão do Ubuntu 16.10 (v4.4.0-22).

Do lado do usuário, foram realizados mais de 2.400 correções de segurança e de bugs de funcionamento, com a adição do suporte melhorado para os processadores de sexta geração da Intel e para dois equipamentos voltados para gamers: o teclado Corsair Vengeance K90 e o volante G29 da Logitech. Temos também a correção da criptografia para os sistemas de arquivos Ext4, ainda que poucos usuários domésticos realmente usem esse recurso, e aos notebooks Toshiba mais recentes, que trazem componentes de hardware específicos.

Outras atualizações mais específicas incluem suporte melhorado para máquinas virtuais do tipo KVM para processadores desktop (x86), melhorias no RAID 0 para sistemas formatados como Btrfs, suporte para o chipset de som Intel Lewisburg (somente de 2017 em diante), suporte para o controle remoto Google Fiber TV (ainda não disponível no Brasil) e atualizações melhoradas ao sistema de arquivos XFS.

Sobre o suporte de GPUs AMD

Más notícias para quem tem uma placa de vídeo da AMD, seja desktop ou notebook, seja dedicada ou onboard (no caso das APUs): não há suporte para o driver proprietário até o momento, o bastante conhecido fglrx, já que ele não é suportado pela versão do XServer, servidor de interface gráfica do sistema. Não adianta tentar compilar por conta própria, já que quem tentou enfrentou o mesmo problema, sendo necessário usar a alternativa de código livre, que infelizmente não oferece o mesmo desempenho e otimizações da versão proprietária.

Ubuntu 16.04

Quem usa gráficos da AMD deve esperar um pouco, mas não é um problema para as CPUs da empresa sem gráficos integrados, a série FX.

Ou seja, se você tem uma placa de vídeo da AMD, é bom esperar um pouco até que a fabricante ofereça um driver apropriado, mas não há um impedimento para quem tem uma placa de vídeo da NVIDIA (o máximo que pode acontecer é você ter que baixar uma versão mais atualizada, dependendo do modelo, fora das opções padrão do Ubuntu) ou para quem use gráficos integrados da Intel. É uma má notícia, de fato, em especial para quem usa o Ubuntu como máquina principal de jogos ou de produção de conteúdo, mas não deve demorar muito para a AMD liberar uma atualização (estamos esperando!).

Nada de Unity 8 e Mir?

Apesar dos rumores prevendo o update, o Ubuntu 16.04 ainda vem com a versão Unity 7 (7.4, precisamente), e não com a Unity 8, versão que inaugurará a famosa "convergência" de desktops do Ubuntu. Não chega a ser algo ruim, além de fazer sentido dentro da proposta LTS dessa versão, já que preza pela estabilidade acima de tudo, além de trazer refinamentos e exigir menos recursos de hardware, como dissemos na primeira parte. Não é certo se eventualmente ele atualizará para a versão Unity 8 dentro do seu ciclo de vida (o Ubuntu 12.04 com certeza não atualizará), mas ele não é a versão padrão dessa versão.

Ubuntu 16.04

Acima, um screenshot do Unity 8, que não é padrão no Ubuntu 16.04, mas pode ser instalado separadamente.

O Unity 8 já foi previsto em diversas versões, e agora a bola da vez é o Ubuntu 16.10 (Yakkety Yak), algo que faz bastante sentido, já que é uma versão que tem um suporte por menos tempo, sendo algo mais apropriado. Inaugurá-la em uma versão anterior à 16.4 também causaria um certo problema para a Canonical, já que obrigaria a empresa a continuá-lo nessa versão mesmo que ela não possa ser considerada completamente estável. O mesmo vale para o Mir, novo gerenciador de interface.

De qualquer forma, você pode experimentar ambos instalando-os separadamente para experimentar seus novos recursos, mas é difícil imaginar que a Canonical atualize o 16.04 com o Unity 8 e o Mir dentro do seu ciclo de vida, já que poderia causar incompatibilidades para usuários e empresas. Mas, ao que tudo indica, ambos serão padrão no Ubuntu 18.04.

Uma nova geração de distros

Um novo Ubuntu LTS não é apenas importante por si só, mesmo sendo uma das distros mais populares e carismáticas dentro do universo Linux. Ele também dá a largada para que outros sistemas sejam criados a partir dele, e não estamos dizendo apenas variações, como o Xubuntu (Xfce), Lubuntu (LXDE), Kubuntu (KDE), Ubuntu GNOME e Ubuntu MATE, que são basicamente o mesmo sistema, mas trazendo interfaces gráficas particulares. A exceção é o Ubuntu MATE, que traz apenas 3 anos de suporte, e não 5, como as outras versões.

Ubuntu 16.04

O Linux Mint 18 (Sarah) usará o Ubuntu 16.04 como base e trará uma nova versão do Cinnamon, sua principal interface gráfica.

Entre os sistemas que usam o Ubuntu como base (que, por sua vez, é baseado no Debian. Lembra Inception, não?), temos os populares Deepin e o Elementary OS, ambos com suas próprias interfaces gráficas particulares e que ganharam bastante participação de mercado nos últimos anos. Mais interessante ainda é o Linux Mint, provavelmente uma das poucas distros que podem concorrer com o Ubuntu em popularidade, e que passou a trabalhar somente com versões LTS do Ubuntu (atualmente só temos as versões 13 e a 17, baseadas nas versões 12.04 e 14.04, respectivamente). Ou seja, vamos aguardar as próximas semanas (ou os próximos meses).

Conclusão

Essa nova versão do Ubuntu é um upgrade merecido, em especial quando consideramos a quase completa ausência de novidades da versão 15.10, praticamente anunciada para cumprir a agenda de anúncios semestrais. Os refinamentos visuais e menor consumo de recursos são perceptíveis, assim como a escolha de elementos focados em estabilidade, caso do Kernel 4.4 e opção de manter o Unity 7, certamente algo bem vindo para quem preza por estabilidade e não se preocupa tanto com atualizações que possam causar instabilidades, isso sem deixar de lado o suporte para os pacotes Snap.

Ubuntu 16.04

Calendário com as datas de lançamento das versões em desenvolvimento do Ubuntu 16.10 até o seu lançamento oficial em 20 de outubro.

As versões LTS nunca focaram em oferecer recursos de ponta, mas sim trazer o que há de mais moderno e estável. No entanto, a última finalmente trouxe uma atualização para a loja de apps do Ubuntu, que estava abandonada há algum tempo. Recursos experimentais, ou ainda em fase de desenvolvimento, fazem muito mais sentido nas versões não-LTS, anunciadas semestralmente, e a estratégia de testar tanto o Unity 8 quanto o Mir nas próximas versões (16.10, 17.04 e 17.10) dará tempo para a Canonical realizar todos os testes necessários para anunciá-los de forma estável na próxima versão LTS, a 18.04.

Além disso, ainda este ano veremos novas distros baseadas no Ubuntu chegando ao mercado, um ganho secundário dessa nova versão que acaba beneficiando usuários de outros sistema "por tabela". Ainda que as distros Linux, de uma forma geral, ainda tenham uma pequena participação de mercado, o Ubuntu 16.04 mantém a plataforma viva e a pleno vapor.

É usuário do Ubuntu e já instalou essa nova versão? O que achou? Conte para nós nos comentários!